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Jeniffer Geraldine - Crônicas de uma leitora - vida | cultura | arte Posts

A nossa intimidade. Tão rara. Tão rarefeita…

Sabe o que eu mais gostava na gente? A nossa intimidade tão rara. Tão rarefeita… Tão cheia de sinceridades. Nunca escondemos nada um do outro. Eu sabia dos seus temores. Você sabia dos meus fantasmas. Eu sabia dos seus projetos que o levavam para longe de mim. Você sabia dos meus planos que te tiravam da minha rota.

Será que foi isso, a falta de mistério, que nos afastou? Você sabe né? O mistério está intrínseco nas relações amorosas. Quanto mais você esconde, mais dono do poder você é. Mas nós não precisávamos esconder nada um do outro. Mesmo sem verbalizar, sabíamos o que estávamos pensando. Mesmo nos dias em silêncio que ficávamos sem nos falar, sabíamos o delito ou deleite que queríamos cometer…

Eu sei. Nós sabíamos onde isso tudo nos levaria. Aqui? Assim, você aí e eu aqui? Não sei se tínhamos tanta certeza. Talvez ainda tivéssemos uma ponta de esperança. Mas por quê? Por que era raro não precisar se esconder atrás de uma máscara social. Não era preciso demonstrar estar sempre feliz. Não era preciso enganar. Não era preciso parecer melhor do que se era. Éramos eu e você com defeitos, traumas, medos, receios… E um coração que batia igual.

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[Diário de leitura] “Mentiras no Divã” e as reflexões do meu “eu”

Já pensou sobre o fato de ser mais fácil fazer um diagnóstico na primeira vez que examinamos um paciente [um ser qualquer] e que fica mais difícil quando melhor o conhecemos?

A cada nova leitura, seja científica ou literária, que faço sobre a temática sinto-me estranhamente ainda mais atraído. Fascinado. Apaixonado. Aprisionado… Fisgado!

Mentiras no divã. Que presente maravilhoso. Não teria outro tempo que fosse melhor oportuno para sua leitura. Fascinante e envolvente desde suas primeiras linhas. Provocativo!

Já em suas primeiras páginas uma avalanche de anseios e reflexões se fizeram em paralelo a cada linha; a cada cenário; e a cada provocativa que a narrativa nos instiga. Fez-me pensar acerca do psicoterapeuta que há em mim. Do que pretendo ser. De como esse “eu” terapeuta se entrelaça com o educador que sou; as concepções que tenho; as verdades que defendo…

Assim, em meu divã particular, leio, devaneio e realizo minhas próprias autoanálises. Reflito sobre a vida, minha e de outrem. Lamento os meus prantos. Sofro as minhas dores. Saboreio do néctar das alegrias. Perambulo em minha errante vida; relembrando… revivendo… sonhando sonhos; amargurando o destino…

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O Ladrão de Crianças – Gerald Brom

Já comentei aqui sobre o poder que a literatura tem de nos possibilitar viver outras vidas, mas esse é apenas um dos poderes que essa arte possui. Um outro e que julgo também muito importante é a liberdade. Fazer e consumir literatura são atos livres.

A partir do momento que um texto é dado como “acabado” pelo seu autor, ele começa a existir para o leitor e a partir dali, torna-se algo também do leitor. A leitura que ele fará da obra estará intrinsecamente ligada a sua subjetividade e por ser algo único abre-se, assim, um leque de possíveis releituras e isso, na minha opinião, enriquece a discussão, a literatura e a vida.

Há quem se arrisque e além de fazer uma releitura, faz de um clássico. É quase como tocar em algo sagrado, mas, como já comentei, considero algo inevitável e essencial. Um livro que venha a ser uma releitura é um novo olhar, uma nova obra e uma ode ao seu original.

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Revivente – Ken Grimwood

Às vezes tomamos decisões consideradas erradas na vida que nos fazem querer voltar no tempo e ter a oportunidade de fazer tudo diferente. Reviver determinado dia bom para fazê-lo ainda melhor, ou algum dia ruim para torná-lo bom. É a tal segunda chance sonhada por tantos. Mas para voltar no tempo e fazer diferente seria preciso ter a consciência de que antes as coisas não saíram como o esperado. E o “voltar no tempo” seria algo consciente? E, outra, reviver a vida seria uma benção ou um fardo?

Jeff Winston, jornalista de rádio, 43 anos, é um revivente no livro do Ken Grimwood, lançando no Brasil pela editora Gutenberg em março de 2014.  Vivendo um dos piores momentos da sua vida, casamento em crise, insatisfeito com a profissão, Jeff tem um infarto e volta aos seus 18 anos, em 1963, no seu quarto da época da faculdade. Ele voltou no tempo e estava consciente sobre isso. Tinha a oportunidade de viver uma nova vida, mas com a bagagem daquela vivida antes.

Jeff tinha lembranças não só dos seus dias, mas dos acontecimentos mais marcantes da humanidade para as próximas duas décadas. O ambiente era igual, as pessoas eram familiares, mas parecia que ele tinha a chance de fazer as coisas diferentes dessa vez.

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Jogos Vorazes – Suzanne Collins

Jogos Vorazes, o primeiro de uma trilogia distópica YA (young adults – jovem adultos), da autora Suzanne Collins, foi lançando em 2008 e em 2012 ganhou uma adaptação para o cinema.

A história se passa em um futuro não identificado em Panem, país que se ergueu das cinzas de um lugar que no passado foi chamado de América do Norte, formada pela Capital e mais 12 distritos comandados pela Capital de forma bastante opressora, principalmente depois de uma rebelião conhecida como Dias Escuros que acabou com o 13º Distrito e deu início aos Jogos Vorazes. E é pela visão de uma moradora de dezesseis anos do Distrito 12, a destemida Katniss Everdeen, que vamos conhecer os Jogos Vorazes.

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Eleanor & Park – Rainbow Rowell

Na minha infância/ juventude, eu era alta, magra, tinha um cabelão cacheado e alguns cravos no rosto. Tinha uma turma de amigos no bairro onde morava e entre os amigos, estava lá o chamado primeiro amor. A graça naquela época era trocar olhares, cartinhas e ser o par na quadrilha de São João. O menino que eu “amei” em toda minha infância, não foi o que me deu o primeiro beijo. Aliás, lembro que o primeiro beijo no amor de infância foi quando a infância já tinha passado.

A inocência era tão grande naquela época – ok, não sou tão velha. Estou chegando aos 26 anos, mas o que essa garotada anda fazendo entre os seus 10 e 15 anos está me assustando demais – que as coisas costumavam a demorar para acontecer. Mas quem se importava? Eu não me importei e vivi a inocência daquele amor que hoje me traz lembranças de deixar o sorriso no canto da boca aparecer quase sempre. E foi com esse mesmo sorriso que li Eleanor & Park.

Eleanor & Park é o segundo livro YA (jovens-adultos) da escritora americana Rainbow Rowell. Em 2013, o romance foi escolhido pelo The New York Times, Amazon e Goodreads como o melhor no gênero YA e em 2014 foi lançado no Brasil pela Editora Novo Século.

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A Cabeça do Santo – Socorro Acioli

Socorro Acioli, jornalista e doutora em estudos de literatura, começou a escrever as primeiras ideais para o livro “A Cabeça do Santo” (Companhia das Letras, 2014) na oficina de criação e roteiro “Como contar um conto”, ministrada por Gabriel García Márquez na Escuela de Cine y TV de San Antonio de Los Baños, em Cuba, no ano de 2006.

Em “A cabeça do santo”, vamos acompanhar a saga de Samuel pelo sertão do Ceará com o objetivo de cumprir o último pedido que sua mãe, Mariinha, fez antes de morrer e encontrar a avó e o pai que nunca conheceu. Após uma longa viagem a pé, sofrendo com as surpresas do sertão nordestino, Samuel chega em Candeia – uma cidadezinha cheia de desesperança, desfelicidade e desgraça. E lá encontra uma gruta para dormir, mas quando acorda ele se depara com uma confusão de vozes femininas na sua cabeça.

A gruta, na verdade, era a cabeça oca de uma estátua de santo Antônio. E as vozes, preces que as mulheres faziam para o santo.

“O fato é que as orações das mulheres reverberavam dentro da cabeça do santo e, por algum motivo, Samuel conseguia ouvir. No dia seguinte ele comeu goiaba, folhas, bebeu água da chuva e percebeu que as orações aconteciam de manhã e à tarde. Nem sempre todas as vozes, nem sempre as mesmas palavras, mantinham-se apenas o pedido: elas amavam e queriam casar.” (p. 34)

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A trilha sonora de The O.C.

Hoje é dia de matar a saudade de uma das maiores series teens dos anos 2000: The OC.

the oc gif tumblr

The O.C., ou The O.C.: Um Estranho no Paraíso (se você assistia no SBT), conta a história de um menino problemático, o Ryan Atwood (Benjamin McKenzie), que por um “acaso do destino” recebe como defensor público o idealista Sandy Cohen (Peter Gallagher) que não só resolve tirar Ryan da cadeia, mas levar para casa de sua família em Orange County. E é nessa mudança que ele conhece a trupe que iríamos nos identificar e seguir nas próximas 4 temporadas: Seth Cohen, Summer Roberts, Marissa Cooper.

Seth Cohen, interpretado pelo lindo Adam Brody, será o nosso guia musical durante todo o seriado. Ele conhecia todas as bandas boas, mas até então desconhecidas. O estilo dele acabou influenciando gerações – foi uma das primeiras séries a ter o indie rock como estilo principal nas trilhas sonoras.

Mas vamos acabar de conversa e começar a ouvir música boa.

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Cougar Town

Cougar Town é a primeira série de sucesso de uma ex-Friends, Courtney Cox, e é uma daquelas séries, que como na vida real, não deve ser julgada pela sua primeira impressão. Ela começou um propósito e na segunda temporada, a série resolveu mudar de rumos, o que fez com que ficasse MUITO melhor!

Saindo da premissa de “ser uma série sobre uma mulher se descobrindo Cougar (mulheres mais velhas que curtem 9vinhos)” virou uma série onde os amigos de 40 poucos anos se reúnem para beber MUITO vinho e descobrir o quanto a vida pode ser divertida, e bem nonsense, quando você se sente confortável em seu corpo e em seu ciclo de amizades.

Hoje em sua 6ª e última temporada, a série é como um bom vinho, só melhora com o tempo (é uma pena que está acabando). Por não se levar tão a sério, ela não tem medo de brincar consigo mesmo, como por exemplo, fazendo uma campanha para trocar o nome da série e quando isso não deu certo, usou seu já defasado título para brincar na abertura, usando os subtítulos para mostrar sua indignação e brincar com os temas dos episódios.

Cougar Town

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Com a força de um tsunami

Sempre fui de namorar. Já tive cinco namoros desde os meus 18 anos. Alguns duraram por longos meses e outros pelo tempo de um verão. Alguns passaram exatamente como um dia de sol, quentes pela corrente sanguínea, ardentes na pele e silenciosos em suas despedidas como o entardecer.

Mas de todos, existiram três que me arrebataram… Às vezes o amor é devastador. Parece uma onda gigante da qual a gente não consegue escapar. Apenas estamos lá, sentados à beira da praia, curtindo a vida e ele chega sem avisar, nos engole em seu ímpeto, nos revira de ponta cabeça, nos faz tropeçar, nos entorpece, nos embriaga, nos destrói com a força de um Tsunami.

Fui invadido algumas vezes por essa força além das minhas expectativas. Nunca estamos esperando uma onda nos engolir, revirar e ir embora. Nunca estamos esperando aquele amor do tipo destruidor, devorador, desconcertante, inquietante e imenso. Nunca estamos preparados para algo que nos tire do sério, nos tire do chão, nos sacuda, revire nosso estômago atrás de borboletas, inebrie nosso coração como o canto de uma Sereia.

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