Favoritos outubro/2021 | Diário Cult

Momento para compartilhar as produções culturais que mais marcaram o meu mês de outubro.

Livro de não-ficção

Sociedade do cansaço (Byung-Chul Han) 

Livro do filósofo do momento, Sociedade do cansaço estava entre uma das leituras mais aguardadas por mim. Em parte por ver tantos comentários interessantes sobre o livro na internet mas, principalmente, porque um professor do mestrado que gosto muito indicou a obra do Byung. Na ocasião não pude ler pois não conversava com minha pesquisa. Agora eu li e já posso dizer que criei um projeto pessoal #LendoByungChulHan.

Em Sociedade do cansaço, Byung argumenta que não somos mais uma sociedade disciplinar, como disse Foucault, mas a sociedade do desempenho. Algumas marcas dessa sociedade são “o imperativo de ter de ser você mesmo”, o “exagero de trabalho do eu” e o excesso de positividade. Tudo isso cria um sujeito da sociedade do desempenho que se auto explora. E algumas das consequências são burnout, depressão, autoagressividade e suicídio.

Uma leitura teórica mas de fácil compreensão. E super relevante para nosso tempo. Indico para todo mundo.

Livro de ficção

O vôo da Guará Vermelha (Maria Valéria Rezende) 

A ficção do mês de outubro fez parte do Clube do Livro Alagoinhas. Já conhecia a literatura de Maria Valéria por conta de Quarenta Dias, um livro lido em 2016 e vencedor do Jabuti 2015.

O vôo da Guará Vermelha é uma obra inesquecível. Apesar de suas 160 páginas, o livro me chamou para uma leitura mais lenta. Posso dizer que é a história de amor de Irene e Rosálio. Duas pessoas desafortunadas na vida. Ela prostituta e ele um trabalhador para qualquer obra. Mas, vai além disso, fala do amor pelas palavras, pela leitura e escrita. Rosálio é analfabeto e seu propósito de vida é aprender a ler e escrever. Por onde passa busca encontrar uma escola, uma professora, que o ajude a conquistar esse sonho. Dessa maneira, Maria Valéria trata da importância da alfabetização, do letramento, da oralidade.

É um livro para ler, se encantar, e presentear muita gente.

Documentário

Fake Famous (HBO)

Fake Famous é um documentário que aborda o experimento social, do jornalista e cineasta Nick Bilton, em que três pessoas com desejo de fama são selecionadas para se tornarem influenciadores. A partir disso começa a “fabricação” de influenciadores com montagem de cenários para fotografias perfeitas, notícias criadas sobre os “influenciadores”, compra de seguidores, comentários e likes para alimentar a ideia de que os três são pessoas relevantes na rede.

O documentário é ótimo para expor a vida falsa de muita gente que não tem muito talento, apenas corpos bonitos e cenários montados. Gosto quando chamam os influenciadores de anunciantes, já que passam o tempo todo falando sobre produtos e cupons. E claro há o alerta sobre a nocividade que existe para as pessoas comuns que acreditam que essa vida fake é mais glamourosa e legal.

Animação

Tuca & Bertie (Netflix)

Em uma sociedade de animais antropomórficos, Tuca & Bertie são duas amigas inseparáveis apesar de possuirem personalidades diferentes.

Tuca é uma tucana extrovertida, segura de si, pronta para desafiar tudo e todos, bem de boa com a vida. E do outro lado tem Bertie, uma pardal, insegura, ansiosa, responsável.

A série é bem divertida. Temos duas amigas totalmente diferentes mas que se completam nesse desafio que é viver numa sociedade preconceituosa e machista. Inclusive a produção trata bastante de assédio moral e sexual. Além também de amadurecimento, vida profissional, relacionamentos amorosos.

Série

The Sinner (Netflix)

Apesar da Netflix sempre me recomendar The Sinner, uma série de 2017, só agora resolvi dar o play. E fui supreendida positivamente. Além de ser fã de séries policiais, eu sou fã de séries policiais com casos estranhos e detetives problemáticos. The Sinner entrega tudo isso.

Não produção acompanhamos o detetive Harry Ambrose (Bill Pullman) investigando casos em que não há apenas a busca pelo assassino. Desde o início já sabemos quem é o assassino, o interessante é saber a motivação. E para descobrir os porquês, o detetive vai precisar sair da caixinha, fazer perguntas que ele mesmo tem medo de responder, e ouvir o lado de quem cometeu o crime sem tanto julgamento.

A série tem três temporadas disponíveis na Netflix. A primeira é impactante. A segunda é a minha preferida. A terceira é a que menos me atrai mas vale assistir por causa do excelente Matthew Bomer. Ah, quem curte boas reviravoltas também pode gostar de The Sinner.


Espalhe por aí:

2 Comentários

  1. Nunca tinha ouvido ninguém se referir aos influenciadores como anunciantes, gostei!

    1. Jeniffer Geraldine

      08/11/2021 em 18:29

      Também não. E gostei! 😀

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