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	<title>Arquivo para Crônica - Jeniffer Geraldine | Vida &amp; Cultura</title>
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	<description>Crônicas, fotografias e reflexões sobre vida e cultura.</description>
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	<title>Arquivo para Crônica - Jeniffer Geraldine | Vida &amp; Cultura</title>
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		<title>Descansar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Geraldine]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Jan 2026 10:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas e Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Podcast Te enviei um áudio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Quem te ensinou a descansar?&#8221; &#8211; essa foi a pergunta que fizeram para Tricia&#160;Hersey, autora de&#160;Descansar é resistir: um manifesto&#160;(tradução&#160;de&#160;Steffany Dias,&#160;Editora&#160;Fontanar,&#160;2024). Tricia foi impactada por essa pergunta simples e reflete [&#8230;]</p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2026/01/descansar_foto_jeniffergeraldine.png?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" width="731" height="1024" src="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2026/01/descansar_foto_jeniffergeraldine.png?resize=731%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-19895" srcset="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2026/01/descansar_foto_jeniffergeraldine.png?resize=731%2C1024&amp;ssl=1 731w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2026/01/descansar_foto_jeniffergeraldine.png?resize=214%2C300&amp;ssl=1 214w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2026/01/descansar_foto_jeniffergeraldine.png?resize=768%2C1075&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2026/01/descansar_foto_jeniffergeraldine.png?resize=1097%2C1536&amp;ssl=1 1097w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2026/01/descansar_foto_jeniffergeraldine.png?w=1200&amp;ssl=1 1200w" sizes="(max-width: 731px) 100vw, 731px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Quem te ensinou a descansar?&#8221; &#8211; essa foi a pergunta que fizeram para Tricia&nbsp;Hersey, autora de&nbsp;<strong>Descansar é resistir: um manifesto</strong>&nbsp;(tradução&nbsp;de&nbsp;Steffany Dias,&nbsp;Editora&nbsp;Fontanar,&nbsp;2024). Tricia foi impactada por essa pergunta simples e reflete que ninguém passou dicas e orientações sobre o&nbsp;<strong>descanso intencional</strong>.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>&#8220;As pessoas da minha vida encontraram espaços para descansar enquanto&nbsp;vivenciavam&nbsp;uma cultura&nbsp;racista&nbsp;e trabalhavam em um ciclo de esforço excessivo para sobreviver&#8221; (p. 43).&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">As inspirações de Tricia são a&nbsp;Avó e o&nbsp;Pai. A&nbsp;Avó que tinha o hábito de &#8220;descansar os olhos&#8221; e o pai que acordava&nbsp;duas&nbsp;horas antes do trabalho para ler jornais, estudar a&nbsp;bíblia&nbsp;e orar. Ele dizia para Tricia&nbsp;que queria ter uns momentos só para ele antes de iniciar o trabalho.&nbsp;Um momento&nbsp;que a autora definiu como &#8220;Um momento para ser humano e se acomodar em seu corpo, para se conectar com o criador. Um momento para existir antes de iniciar o trabalho de limpar vagões de trem&#8221; (p. 47).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tricia relata que o amor do pai pela comunidade e por Deus era um combustível, mas que havia um lado tóxico.&nbsp;Houve muita devoção, muito trabalho, muita exaustão, que&nbsp;o&nbsp;levaram&nbsp;a ter problemas de saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pergunta que fizeram para Tricia reverberou por aqui. Já ouvi&nbsp;a&nbsp;frase &#8220;descansando os olhos&#8221; de minha&nbsp;Avó. Mas ela usa como uma tentativa de não admitir&nbsp;que está tirando uma soneca da tarde.&nbsp;É como se no auge dos seus mais de 80 anos, ela&nbsp;ainda não tivesse permissão para descansar. Se ela não tem, imagine os mais jovens.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As reflexões de Tricia só me fizeram reafirmar que todos nós temos a cultura da produtividade excessiva internalizada.&nbsp;A grande característica da&nbsp;sociedade&nbsp;moderna, conforme Hartmut Rosa (2019),&nbsp;é a dinamização, o que requer&nbsp;crescimento,&nbsp;aceleração e inovações.&nbsp;Mas pesamos a mão ao lançar essa tríade em todas as esferas da vida de forma constante e sem pausas. Ganhamos tempo&nbsp;com a atualização, tecnologia e velocidade. Mas,&nbsp;ao invés de utilizá-lo para descanso, lazer&nbsp;e&nbsp;outras atividades vistas como não úteis,&nbsp;do ponto de vista capitalista neoliberal, nós colocamos mais trabalho&nbsp;e&nbsp;fizemos o motor do capital girar ainda mais rápido. Continuamos a valorizar um dos princípios da sociedade clássica, o trabalho como forma de simbolizar o valor humano.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gente não descansa há muito tempo. E estou aqui falando junto com a Tricia do descanso intencional. Simplesmente descansar. E não descansar para trabalhar&nbsp;mais e&nbsp;melhor.&nbsp;Mas sim fazer o exercício de deixar de ecoar o pensamento vazio dos brancos de que &#8220;não consegue conviver com a ideia&nbsp;de viver à toa no mundo, acham que o trabalho é a razão da existência&#8221;, como defende Ailton Krenak no maravilhoso&nbsp;<strong>A vida não é útil&nbsp;</strong>(Companhia das Letras,&nbsp;2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meu Deus, mas viver à toa no mundo é coisa de&nbsp;gente vagabunda, Ailton! Que é isso, mestre?!&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se Ailton não for suficiente, deixa eu chamar o&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/reels/DG8CHbvo2zm/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nêgo Bispo&nbsp;que dizia que gostava mesmo era de vadiar</a>. Temos que chamar esses outros para a conversa porque são resistência ao modo de vida capitalista. A gente tem a mania de ficar olhando para a grama do vizinho e achando que ela é mais verde que a nossa. Eu estou por aqui olhando para o quintal do Krenak e do Nêgo Bispo para ver se aprendo alguma outra coisa sobre viver neste&nbsp;&#8220;mundo de&nbsp;mercadoria&nbsp;e consumo&#8221; (Krenak,&nbsp;2020).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E aí eu lembro do tão esperado período&nbsp;de&nbsp;férias. Primeiro vou começar com as férias na época da adolescência em que eu e minhas primas&nbsp;contávamos&nbsp;os dias para passar pelo menos dois meses na praia, simplesmente à toa. Era um sonho não ter as obrigações escolares&nbsp;para cumprir. Mas,&nbsp;ao chegar&nbsp;lá,&nbsp;nos&nbsp;deparávamos&nbsp;com&nbsp;um&nbsp;<a href="https://jeniffergeraldine.com/sitio-do-conde-ba-28-de-dezembro-de-2025/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>oásis de desaceleração</strong></a>&nbsp;(Rosa, 2019)&nbsp;que ninguém estava acostumado. A cidade não tinha muitos atrativos, além da praia e da praça, que eram espaços mais movimentados nos finais de semana. Então nós&nbsp;passávamos&nbsp;parte dos dias de semana dentro de casa,&nbsp;quase sempre deitadas no quarto, mexendo em nossos celulares&nbsp;ainda tijolões com jogos de cobrinha e SMS, ouvindo algumas músicas nos nossos mp3 players, dividindo o fone de ouvido. E quando&nbsp;estávamos&nbsp;nesses cenários&nbsp;ouvíamos&nbsp;das nossas mais velhas para sair do quarto e procurar alguma coisa para fazer. Mas o quê? Se não tinha nada. Nós&nbsp;estávamos&nbsp;à&nbsp;toa. Lidando com o tédio. E não&nbsp;tínhamos&nbsp;permissão de fazer isso sem ouvir os gritos das nossas mais velhas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Finge que tem uma máquina do tempo e vamos para final de 2025 e início de 2026. Nós todas de volta à mesma cidade, à mesma casa na praia, inventando o que fazer toda hora porque simplesmente não&nbsp;conseguimos&nbsp;mais ficar&nbsp;à toa no quarto. É um rolê na praia, na praça, algumas leituras, muito conteúdo consumido através do&nbsp;<em>smartphone</em>, a televisão ligada o dia inteiro, um churrasco inventado do nada.&nbsp;E,&nbsp;sim,&nbsp;alguns passeios, algumas conversas em família, muitas risadas e resenhas. Mas um conserto aqui e&nbsp;outro&nbsp;acolá na casa que estava&nbsp;precisando de muitos reparos. Entre outras atividades. Nós não conseguimos&nbsp;ficar&nbsp;à&nbsp;toa, mas tudo isso aí que relatei&nbsp;é descanso e férias, graças a Deus. A única diferença é que não estamos trabalhando fora de casa, numa empresa ou instituição.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando voltei para minha casa, ainda em recesso, estava cansada dos dias de descanso na praia. E&nbsp;eu&nbsp;me forcei a tentar descansar.&nbsp;Descobri que ainda tenho dificuldades em saber o que é isso. Assim como a Tricia ninguém me ensinou a descansar. Não tive dicas e orientações. Mas depois de um&nbsp;<em>burnout&nbsp;</em>você precisa encontrar meios de descobrir o que significa descanso para você, cá no seu&nbsp;íntimo, com os seus botões. No meu caso? Dormir, ficar em silêncio, ouvir minhas músicas preferidas das antigas e assistir uma série antiga que tenha umas três temporadas simplesmente para eu embarcar na história e esquecer da vida real&nbsp;com os&nbsp;compromissos e afazeres.&nbsp;Pelo menos nesse período de recesso, que tenho direito por trabalhar&nbsp;em algumas instituições. Sei lá se eu ia me permitir ter recesso se não trabalhasse. Não sei ficar à toa, Nêgo Bispo e Krenak!&nbsp;Quero aprender! Acho mesmo que é uma&nbsp;microrrevolução&nbsp;pessoal.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje eu comecei a ler&nbsp;<strong>Meridiana</strong>, de Eliana Alves Cruz&nbsp;(Companhia das Letras,&nbsp;2025), e o personagem Ernesto falou algo que&nbsp;tocou aqui: &#8220;[&#8230;] queria a liberdade de dar atenção a coisas aparentemente sem utilidade, porque passei a vida achando que prazer não me ajudaria em nada com os meus boletos e o imposto de renda&#8221; (p. 45).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tenho uma&nbsp;Tia que, certa vez, no auge do Baile da Santinha (o ensaio de verão do&nbsp;gigante&nbsp;Léo Santana) cochilou em pé.&nbsp;Hoje isso&nbsp;é motivo de muita risada e resenha entre a&nbsp;gente. Mas a resposta dela nos marcou também: &#8220;Eu viro a noite no plantão.&nbsp;Então, vou virar a noite no Baile da Santinha, sim! Mesmo que para isso eu tenha que cochilar em pé em algum momento&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Claro que aqui nós temos um episódio de negociação com a exaustão. Mas ao mesmo tempo era ela tentando se lembrar de que a vida poderia ser além dos plantões. Era ela exercitando um pouco a liberdade de dar atenção a coisas aparentemente sem utilidade – dançar, ouvir música&nbsp;e estar com amigos – nesta sociedade que trabalhar 100% sempre é o que ainda faz você ter valor.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se ninguém nos ensinou a descansar,&nbsp;agora a gente está precisando aprender. Pode ser com outros mestres, como o Krenak, o Nêgo Bispo, olhando outros quintais por aí. Ou fazendo o exercício&nbsp;íntimo&nbsp;de nos perguntar:&nbsp;&#8220;O&nbsp;que é descanso&nbsp;para mim?&#8221;. Mas para além dessa busca por um significado, a gente precisa se permitir descansar. Sempre. Todo dia um pouco. E não apenas&nbsp;seguindo&nbsp;um calendário institucionalizado.&nbsp;&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Livros citados:</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://amzn.to/49wzHvy" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Descansar é resistir: Um manifesto</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://amzn.to/4a2s7J2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Aceleração: A transformação das estruturas temporais na modernidade (Hartmut Rosa, 2019)</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://amzn.to/3LRcE5q" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A vida não é útil</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://amzn.to/4jTsUj6" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Meridiana</a>&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ouça esta crônica:</strong></p>



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</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Disponível no <strong>Podcast Te Enviei um áudio</strong> que você pode ouvir em: <strong><a href="https://open.spotify.com/show/4t61l3IKNIgJu0mTVVrMUc" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Spotify</a>, <a href="https://www.youtube.com/@jeniffergeraldine" target="_blank" rel="noreferrer noopener">YouTube</a>, <a href="https://podcasts.apple.com/us/podcast/te-enviei-um-%C3%A1udio/id1725394631" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Apple Podcast</a></strong>, <strong>newsletter</strong> <a href="https://jeniffergeraldine.substack.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Notas da Vida</strong></a>.</p>



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		<title>O visitante Sereno</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Geraldine]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Sep 2025 00:53:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas e Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[foto crônica]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[slow life]]></category>
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		<category><![CDATA[vídeo-crônica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um dos pontos positivos de morar em casa de bairro é que ainda temos algum tipo de contato com a natureza. Dia desses, presenciei duas lagartixas brincando no quintal. Costumo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Um dos pontos positivos de morar em casa de bairro é que ainda temos algum tipo de contato com a natureza. Dia desses, presenciei duas lagartixas brincando no quintal. Costumo receber visitas de gatos.&nbsp;Sou sempre surpreendida com as borboletas. Tenho espaço para plantas e fico encantada com o florescer de quem eu menos esperava. Recebo visitas de passarinhos que se acostumaram a comer a ração dos gatos. E, em uma manhã de um dia de semana, recebi a visita de Sereno.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2025/09/passaro_senero_foto_jeniffergeraldine.png?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" width="731" height="1024" src="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2025/09/passaro_senero_foto_jeniffergeraldine.png?resize=731%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-19708" srcset="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2025/09/passaro_senero_foto_jeniffergeraldine.png?resize=731%2C1024&amp;ssl=1 731w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2025/09/passaro_senero_foto_jeniffergeraldine.png?resize=214%2C300&amp;ssl=1 214w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2025/09/passaro_senero_foto_jeniffergeraldine.png?resize=768%2C1076&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2025/09/passaro_senero_foto_jeniffergeraldine.png?resize=1097%2C1536&amp;ssl=1 1097w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2025/09/passaro_senero_foto_jeniffergeraldine.png?w=1462&amp;ssl=1 1462w" sizes="(max-width: 731px) 100vw, 731px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Percebi uma agitação incomum no pátio de casa. Um&nbsp;<em>tec, tec</em>&nbsp;diferente. Não parecia o barulho dos gatos comendo ração, nem dos pássaros maiores que filam a boia dos gatos. Levantei-me da mesa de trabalho e fui conferir. Era um passarinho amarelo. Muito fofo e exibido! Ele passeava cantando pelo pátio. Pousava nas grades. Apoiava as patinhas no vaso para beber água. Beliscava o restinho de sachê dos gatos. E tentava mordiscar a ração seca. Cheguei pertinho dele. Quase o peguei. Percebi a delicadeza do seu bico cor-de-rosa alaranjado. Achei que ele estava bastante à vontade. Então decidi pegar o celular para fazer alguns registros. E foi aí que ele começou a se exibir mais ainda. Que danado!&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Resolvi perguntar para a Peps (a IA) se ela conseguia me ajudar a reconhecer o pássaro da imagem. E ela prontamente me respondeu:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>O pássaro da imagem é um canário doméstico, também conhecido como canário-do-reino ou canário-belga, de nome científico Serinus canaria domestica. Sua plumagem amarela, tamanho pequeno e formato são características típicas dessa espécie criada tradicionalmente como ave de companhia no Brasil e no mundo </em>(Fonte: Texto gerado pela IA com informações da Wikipédia e do site Alconpet)<em>.</em> </p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Serinus canaria domestica.</em> Vou chamá-lo de Sereno. Se você entende mais de animais e não alucina tanto quanto a IA, por favor, não me corrija. Às vezes, a beleza cabe nas meias verdades.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fiquei feliz com essa visita diferente, inusitada, que trouxe uma beleza a mais para meu cotidiano. É tão raro, hoje em dia, a gente ouvir o canto dos pássaros. Sei que tem gente que acha irritante. Eu prefiro o canto dos pássaros ao som do paredão que toca a mesma música sem sentido desde as três horas da tarde deste dia em que resolvi lembrar da visita de Sereno.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Volta, Sereno!&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Crônica também disponível no formato de vídeo:</strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots"/>



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<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DOkAZJQDvhG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:500px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);"><div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/reel/DOkAZJQDvhG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> <div style=" display: flex; flex-direction: row; align-items: center;"> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;"></div> <div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;"> <div style=" background-color: #F4F4F4; 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<p class="wp-block-paragraph"><em>Publicado originalmente na&nbsp;<a href="https://jeniffergeraldine.substack.com/p/o-visitante-sereno" target="_blank" rel="noreferrer noopener">newsletter&nbsp;<strong>Notas da Vida</strong></a>&nbsp;de Jeniffer Geraldine.</em><br></p>
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		<title>Outras janelas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Geraldine]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Aug 2025 13:46:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas e Ensaios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se quiser me acompanhar em outras plataformas, também compartilhei a video-crônica no&#160;Instagram. Escolha como prefere experimentar essa pausa no seu cotidiano! A vida contemporânea acelerada nos coloca em um modo [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em>Se quiser me acompanhar em outras plataformas, também compartilhei a video-crônica no&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/p/DMzup2ZMlZL/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instagram</a>. Escolha como prefere experimentar essa pausa no seu cotidiano!</em></p>



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<p class="wp-block-paragraph">A vida contemporânea acelerada nos coloca em um modo padrão que é o automático. A gente só diz sim e segue o bonde. Se não fizermos isso entramos em outro bonde, o dos perdedores, aqueles que estão perdendo alguma coisa – ótimas oportunidades de negócios, ótimas oportunidades de contatos, as super novidades do momento.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dia, numa tentativa criativa de fazer um perfil sobre mim, escrevi: a vida é uma janela aberta onde eu gosto de ver o tempo passar sem pressa. Eu leio essa frase e penso naquelas cidades do interior, que a gente encontra quando viaja de carro, e sempre há alguém na janela observando a vida passar (eu imagino). Numa dessas viagens, encontrei um cachorro fazendo isso. E outro dia assistindo o filme &#8220;Maudie: Sua vida e sua arte&#8221; sobre a artista Maud Lewis, há uma cena em que ela diz: “Eu amo uma janela. Um pássaro passando. Uma abelha. Sempre é diferente. A plenitude da vida já enquadrada. Bem ali”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje as janelas são telas coloridas e interativas. E sei também que muitas das nossas janelas em casa dão para prédios gigantes ou para a vida do vizinho. Quase nada supera uma janela à moda antiga. Exceto se começarmos a abrir outras janelas no nosso dia. Em vez de o celular em uma rede social com discursos de ódio, fofoca e discussões sem fim, um livro. Em vez de o noticiário que desespera, uma música de Caetano. Em vez de checar o e-mail a cada instante, tomar sol e se exercitar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ritmo acelerado só nos traz a sensação de que o tempo passa rápido demais e a gente nunca está fazendo o que deveríamos fazer. Assim como estamos mais preocupados com riscar itens de uma lista de tarefas do que experienciar. Experienciar é realizar com consciência do fazer. É mais intenso e vívido. É a tal da arte do viver.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tente achar uma janela hoje e sente para ver a vida passar sem pressa.&nbsp;</p>
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		<title>Palavras se tornam ações</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Geraldine]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Sep 2023 11:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas e Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[viver bem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde 2019, eu escolho um lema para ser meu guia no ano. O&#160;lema do ano&#160;é uma mensagem que nos lembra sempre para onde queremos ir e de que forma queremos [&#8230;]</p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2023/09/cronica_jeniffergeraldine.png"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="819" height="1024" src="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2023/09/cronica_jeniffergeraldine-819x1024.png?resize=819%2C1024" alt="" class="wp-image-18869" srcset="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2023/09/cronica_jeniffergeraldine.png?resize=819%2C1024&amp;ssl=1 819w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2023/09/cronica_jeniffergeraldine.png?resize=240%2C300&amp;ssl=1 240w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2023/09/cronica_jeniffergeraldine.png?resize=768%2C960&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2023/09/cronica_jeniffergeraldine.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="auto, (max-width: 819px) 100vw, 819px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Desde 2019, eu escolho um lema para ser meu guia no ano. O&nbsp;<strong>lema do ano</strong>&nbsp;é uma mensagem que nos lembra sempre para onde queremos ir e de que forma queremos ir. É algo para escrever até mesmo de maneira física e colar o papel no espelho ou no computador, em um lugar visível para não perdermos de vista o nosso guia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para este ano escolhi usar uma adaptação de uma frase do filósofo estoico&nbsp;<strong>Sêneca</strong>. A frase&nbsp;<em>words become works</em>&nbsp;que em tradução livre fica “palavras se tornam obras” por aqui ficou&nbsp;<strong>palavras se tornam ações</strong>. Esse também foi o meu lema de 2021, ano em que precisava concluir dois grandes objetivos profissionais, um deles o mestrado, e precisei de muito incentivo para me manter no modo ação pois confesso que estava desanimada com o mundo de modo geral por conta da pandemia e tantas outras questões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para 2023, a frase tem o sentido de me impulsionar para&nbsp;<strong>ações de cuidado</strong>, principalmente de&nbsp;<strong>autocuidado</strong>. Acredito que é um pouco mais fácil nos manter em movimento quando há prazos externos a cumprir. A minha motivação em 2021 era finalizar dois objetivos profissionais com prazos que eu não podia negociar tanto. Além do compromisso comigo, havia o comprometimento com outras pessoas. E não cumprir acordos com o outro gera sentimentos de culpa, de incômodo e na etiqueta social é falta de educação. Dessa maneira, a gente se desdobra em mil, mas executa o cronograma. Passa por cima de outras necessidades, inclusive de ordem emocional, e vida que segue para fazer o que tem que ser feito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora o que quero materializar são as palavras, os projetos, que foram ficando no caminho por conta de acordos externos. Quero dar mais espaço para os acordos internos, ouvir o que meu corpo fala há anos, e que apenas escuto e ignoro. Mudar padrões de comportamento que me puxam para um modo de vida que não desejo realmente, como aquele modo de vida acelerado ou reativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As práticas de&nbsp;<strong>autocuidado</strong>&nbsp;hoje estão muito relacionadas com fazer limpeza de pele, passar um dia no<em>&nbsp;spa</em>, fazer uma massagem. Há espaço para isso, mas são apenas momentos. O autocuidado que busco é o diário. Tentar preencher meu cotidiano com ações que me mantenham mais próxima de uma vida tranquila e saudável. Tentar adotar práticas conscientes que me ajudem a desacelerar mesmo que o mundo esteja acelerado demais. Aprender a atender às minhas&nbsp;<strong>necessidades</strong>, aqui entendidas a partir dos ensinamentos de&nbsp;<strong>Marshall Rosenberg</strong>, como “recursos exigidos pela vida para que esta possa se sustentar”. Mas não qualquer vida, a minha vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pensar em si e agir para si podem ser consideradas atitudes egoístas, mas eu lembro de uma das lições de&nbsp;<strong>Audre Lorde</strong>, “Cuidar de mim mesma não é autoindulgência, é uma autopreservação e isso é um ato de guerra política”. O sistema neoliberal nos impõe um modo de vida competitivo, nos auto exploramos, estamos correndo em uma maratona que não sabemos onde vai dar, e, às vezes, nem sabemos como foi e nem quando foi que nos inscrevemos nessa maratona. Ao tentar colocar em prática ações de autocuidado temos autonomia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No livro&nbsp;<strong>Um sopro de vida</strong>, da&nbsp;<strong>Clarice Lispector</strong>, há um fala da personagem Ângela que gosto bastante. Ela diz:</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-light-beige-background-color has-background"><tbody><tr><td>“tenho profundo prazer em rezar – e entrar em contato íntimo com a vida misteriosa de deus. não há nada no mundo que substitua a alegria de rezar. hoje varri o terraço das plantas. como é bom mexer nas coisas deste mundo: nas folhas secas, no pólen das coisas (a poeira é filha das coisas). meu cotidiano é muito enfeitado. estou sendo profundamente feliz.” (p. 36)</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A frase “meu cotidiano é muito enfeitado” me propõe a&nbsp;<strong>construção de um cotidiano afetivo</strong>&nbsp;como parte do cuidado de si. Incluir no nosso dia coisas, momentos, que nos tragam alegria. Um café da manhã degustado com calma. Aquela música para cantarolar junto. O perfume que vem das almofadas do sofá. As flores colhidas em um jardim próximo. Folhear os livros da estante. Arte e fotografias na parede. O momento de molhar e cuidar das plantas na varanda. E o que mais couber no cotidiano para fazer da vida um pouco mais. Descobri já faz um tempo que essas são algumas das minhas necessidades, alguns dos “recursos exigidos pela vida para que esta possa se sustentar”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para muita gente isso é romântico demais, totalmente fora da realidade, porque o cotidiano está cheio de demandas, acelerado, ofegante. Durante um período alimentei esse modo de vida também. E adoeci. Ou seja, não é para mim. E acompanhando algumas notícias, conversando com alguns conhecidos, escutando conversas por aí, percebo que esse não é o modo de vida desejado por muitas outras pessoas também.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então no início de 2023, eu me sentei com um caderno e escrevi as palavras que quero tornar ações. Elas estão agora na minha agenda do ano, a ferramenta que vai me ajudar a não esquecer das demandas importantes, e entre as demandas importantes está “eu saudável”. E ao virar a página tem uma frase adaptada do&nbsp;<strong>Caio Fernando Abreu</strong>: Tentar da maneira mais bonita que eu souber.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots"/>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">[Texto publicado em 13 de março de 2023 na minha antiga <em>newsletter</em>.]</p>
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		<title>reinventando os dias reinventados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Geraldine]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Mar 2021 19:52:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas e Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Manoel de Barros]]></category>
		<category><![CDATA[Vida]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">todo dia aqui neste local. com o look quase sempre igual. shortinho e camisete prezando o conforto e espantando o calor. com o word ou google docs aberto. um pouco de dissertação. um pouco de criação de conteúdo. a rotina reinventada várias vezes. já me apeguei demais a lista de tarefas. recriei a Dashboard do Notion. testei aplicativos. mudei a bio do Instagram. amando a dissertação num dia, enjoada dela no outro. como disseram nos últimos dias, “cansada de estar cansada”. mas ainda estou aqui. reinventando os dias reinventados.</p>



<span id="more-16030"></span>



<p class="wp-block-paragraph">[e lendo Manoel de Barros:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Retrato do artista quando coisa</p>



<p class="wp-block-paragraph">A maior riqueza</p>



<p class="wp-block-paragraph">do homem</p>



<p class="wp-block-paragraph">é sua incompletude.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse ponto</p>



<p class="wp-block-paragraph">sou abastado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Palavras que me aceitam</p>



<p class="wp-block-paragraph">como sou</p>



<p class="wp-block-paragraph">— eu não aceito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não aguento ser apenas</p>



<p class="wp-block-paragraph">um sujeito que abre</p>



<p class="wp-block-paragraph">portas, que puxa</p>



<p class="wp-block-paragraph">válvulas, que olha o</p>



<p class="wp-block-paragraph">relógio, que compra pão</p>



<p class="wp-block-paragraph">às 6 da tarde, que vai</p>



<p class="wp-block-paragraph">lá fora, que aponta lápis,</p>



<p class="wp-block-paragraph">que vê a uva etc. etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Perdoai. Mas eu</p>



<p class="wp-block-paragraph">preciso ser Outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu penso</p>



<p class="wp-block-paragraph">renovar o homem</p>



<p class="wp-block-paragraph">usando borboletas.]</p>
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		<title>Isto E aquilo: escolhas diárias de cuidado de si</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Geraldine]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Jan 2021 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas e Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Bem-estar]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[leitura]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Desde 2019 busco formas de manter o hábito da leitura além das obrigações do mestrado. Em 2020, algo que se consolidou na minha rotina foi ler por 15 minutos toda manhã, durante o momento que chamei de <a href="https://www.instagram.com/tv/CGFTO_KDHI8/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">sol &amp; leitura</a>. Precisava tomar sol para ajudar a estimular a produção da vitamina D e queria voltar a ler qualquer coisa que não estivesse relacionada à pesquisa.</p>



<span id="more-15786"></span>



<p class="wp-block-paragraph">Aos poucos a rotina foi sendo estabelecida. Mas encontrei o desafio de vencer o pensamento de que precisava logo iniciar a rotina de trabalho, a rotina produtiva. No início achava demais tirar 15 minutos para ficar lendo e olhando o céu quase sempre azul. Era como se estivesse fazendo algo errado. Ficava remoendo o pensamento de que deveria estar lendo algum livro teórico feminista ou produzindo para a dissertação. Mas, gente, eram apenas 15min.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um mundo de ritmo frenético parece mesmo absurdo tirar 15min para ler ou apenas sentir o tempo passar. A gente dissocia muito lazer e descanso de produtividade. Sendo que, na verdade, somos muito mais produtivos quando estamos descansados e inspirados. Christine Carter, autora de <a href="https://amzn.to/2MxDJvl" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O ponto de Equilíbrio</a>, diz que atingimos o estado de equilíbrio quando conseguimos realizar mais com menos esforço. Vou chamar também este ponto de equilíbrio como ponto de produtividade. É o momento em que temos liberdade e força, e que o corpo e mente estão em harmonia. O contrário disso tudo é estarmos fora do eixo, cansados, apenas seguindo o fluxo externo de obrigações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No início de 2021, vou aumentar o tempo do momento de leitura matinal de 15 para 30 minutos. E também inclui na rotina o momento de leitura noturna para ficção. Durante a noite o desafio é vencer as piscinas infinitas das redes sociais. Quando não são os pensamentos limitantes que nos bloqueiam, são os brilhos das telas que nos enfeitiçam. É coisa! Mas também isso não quer dizer que viver é sempre uma guerra de escolhas, que precisamos estar sempre entre o isto OU aquilo. Podemos também optar por isto E aquilo. O desafio mesmo é saber dosar a quantidade de cada atividade, de cada isto e de cada aquilo, para seguir com boas escolhas diárias de cuidado de si.</p>
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		<title>Sol &#038; Leitura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Geraldine]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Sep 2020 18:40:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas e Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[leituras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Crônica Sol e Leitura</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<span id="more-15169"></span>



<p class="wp-block-paragraph">Tenho tentado acordar cedo para tomar sol. E algo que está funcionando nos últimos dias é deixar a leitura para o momento do sol da manhã.<br>E cedo não quer dizer 5h da manhã. Geralmente acordo às 7h.<br>Então depois do café, pego a cadeira de praia de Vó, e sento com a leitura da vez e o caderno de anotações.<br>Disputo lugar com as lagartixas, mas acho que a gente está se entendendo.<br>Fico perto das plantas de Mainha, respiro ar livre, e tenho como trilha sonora a rotina começando na vizinhança.<br>A mãe que chama a filha para tomar banho, os pedreiros trabalhando em alguma obra, os carros passando freneticamente pela rua e no meio disso tudo os pássaros que cantam.<br>É inverno.<br>As nuvens dançam com o sol.<br>Às vezes paro para apreciar.<br>Coexisto enquanto leio. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Crônica enviada em Notas da vida #05 –&nbsp;<a href="https://mailchi.mp/60fbb9898855/notas-da-vida-04" target="_blank" rel="noreferrer noopener">acesse a newsletter completa aqui</a></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&gt;&gt;&nbsp;<a href="https://bit.ly/newsnotasdavidajg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Assine para receber as próximas Notas da Vida</a></p>
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		<title>Leituras da quarentena #1</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Geraldine]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2020 22:56:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas e Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[cultura e sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[Leia Brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[Leia Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando o mês de abril chegou, eu já tinha aproximadamente 15 dias cumprindo o distanciamento social. Naquele tempo, que parece tão longe, mas foi praticamente ontem, eu nem chamava esse [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando o mês de abril chegou, eu já tinha aproximadamente 15 dias cumprindo o distanciamento social. Naquele tempo, que parece tão longe, mas foi praticamente ontem, eu nem chamava esse estado de distanciamento social, mas sim de quarentena. E, na verdade, ainda chamo de quarentena, como bem uso no título da crônica.<span id="more-14788"></span></p>
<p>Passados os 15 dias iniciais de angústia, tédio, e-books baixados, cursos gratuitos, dormindo às 3h da manhã acordando quase às 11h, decidi que abril ia ser um mês diferente e para tanto declarei que minha maior companhia seria a leitura. Longe de tudo e quase todos, ia encontrar o acolhimento, a resposta, o respiro, nos livros &#8211; ficção ou não ficção, pouco importava.</p>
<p>Comecei então conhecendo a vida de Evelyn Hugo, personagem do livro <a href="https://amzn.to/2AAeoeg" target="_blank" rel="noopener noreferrer">“Os sete maridos de Evelyn Hugo”</a>, de Taylor Jenkins Reid. Evelyn era uma mulher famosa e rica que se casou sete vezes. Mas todos os casamentos foram arranjos de sobrevivência ou negócios da fama. A personagem descobriu jovem que o seu corpo era visto como objeto e passou a usá-lo como artifício para conseguir o que queria na vida. E dessa forma viveu rodeada de diversas formas de opressão de gênero. A autora no início do livro faz uma dedicatória para a filha e levanta a bandeira antipatriarcal. Evelyn é uma personagem que nos desperta todos os tipos de sentimento, às vezes vamos odiá-la, em outras vamos compreendê-la, mas no final nós vamos saber quem devemos realmente odiar: o mundo. Um mundo preconceituoso que fez com que Evelyn vivesse uma vida com um roteiro milimetricamente pensando em busca de sobrevivência.</p>
<p>Enquanto lia sobre Evelyn Hugo durante à tarde ou noite, pela manhã lia <a href="https://amzn.to/3bKJGfr" target="_blank" rel="noopener noreferrer">“Minimalismo digital &#8211; Para uma vida profunda em um mundo superficial”</a>, de Cal Newport. E em tempos de excesso de informação e <em>lives</em>, o livro chegou para acalmar minhas manhãs e reavaliar o uso das redes sociais digitais e do consumo de informação. Inclusive foi a leitura de “Minimalismo digital” que me fez ter mais tempo para leitura durante o mês de abril. Além de me mostrar que a tecnologia não é neutra, como muitas vezes eu concordei e usei a frase, Cal Newport me fez traçar objetivos para cada rede social.</p>
<p>Passei o mês lendo um pouco desse livro toda manhã e aplicando cada dia as lições do minimalismo digital que, de acordo com o autor, é uma filosofia de vida em que o menos é mais no mundo digital.</p>
<p>Enquanto isso, a Companhia das Letras lançou e disponibilizou gratuitamente o livro <a href="https://amzn.to/3bKkQfw" target="_blank" rel="noopener noreferrer">“O amanhã não está à venda”</a>, de Ailton Krenak. E um dos questionamentos centrais, pensando no contexto da pandemia, é: a humanidade será capaz de criar um novo normal? Abandonar seus condomínios e carros de luxo e a vida na cidade grande? Será que vamos aprender a viver com menos?</p>
<p>A reflexão do Krenak parte de um homem que vive em comunidade e que sua quarentena não é abastecida apenas com <em>lives</em> e <em>download</em> de e-books, mas com cuidar da terra e cuidar dos seus. O autor mesmo diz que para combatermos o vírus, precisamos primeiro de cuidado e depois de coragem.</p>
<p>Seguindo a temática, li <a href="https://amzn.to/2ThuTCB" target="_blank" rel="noopener noreferrer">“A cruel pedagogia do vírus”</a>, de Boaventura de Sousa Santos. É uma leitura com uma linguagem mais acadêmica, porém super esclarecedora. Boaventura traz a ideia de que sempre vivemos em quarentena. Mulheres, deficientes, população em situação de rua, trabalhadores informais, trabalhadores de rua, moradores da periferia, os idosos, vivem em constante quarentena do capitalismo. O vírus nos ensina que nosso modo de viver atual é contrário da liberdade. E que vivemos cada vez mais reféns do capitalismo neoliberal em uma sociedade ainda extremamente colonial e patriarcal. E que é preciso urgente criar um novo normal, já que o nosso normal sempre foi um estado de exceção, muitas vezes antidemocrático.</p>
<p>Depois de muitas reflexões sobre o modo de viver da nossa sociedade, busquei refúgio no <a href="https://amzn.to/2zOisqW" target="_blank" rel="noopener noreferrer">“As coisas que você só vê quando desacelera &#8211; Como manter a calma em um mundo frenético”</a>, do mestre zen-budista sul-coreano Haemin Sunim. Foi a leitura da manhã, depois de “Minimalismo digital”.</p>
<p>Isolamento social, distanciamento social ou quarentena, o fato é que estamos privados de liberdade e com a difícil tarefa de, além de enfrentar um novo vírus, enfrentar os nossos medos, os nossos vazios, a imprevisibilidade do amanhã &#8211; normal, anormal, novo normal. Haemin não traz a vacina contra nada disso, mas nos faz perceber que a vida com mais equilíbrio, escolhas mais solidárias com a gente mesmo e com os outros, nos faz ter menos medo do amanhã que virá.</p>
<p><strong>Conteúdo em vídeo:</strong></p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/r2yNs5C65Gs" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><strong>&#8220;Leituras da quarentena #1&#8221; é o episódio 6 do JGCast. Confira nas plataformas abaixo:</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://podcasts.apple.com/br/podcast/podcast-jeniffer-geraldine/id1444754810?l=en" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-14702 size-medium" src="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/apple_podcast-300x100.png?resize=300%2C100" alt="" width="300" height="100" srcset="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/apple_podcast.png?resize=300%2C100&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/apple_podcast.png?resize=768%2C255&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/apple_podcast.png?w=835&amp;ssl=1 835w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a> <a href="https://anchor.fm/jeniffer-geraldine/episodes/Leituras-da-quarentena-1-ee8a7s" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-14701 size-medium" src="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/anchor_podcast-300x100.png?resize=300%2C100" alt="" width="300" height="100" srcset="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/anchor_podcast.png?resize=300%2C100&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/anchor_podcast.png?resize=768%2C255&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/anchor_podcast.png?w=835&amp;ssl=1 835w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a> <a href="http://feeds.feedburner.com/podcastjeniffergeraldine" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-14703 size-medium" src="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/feed_podcastpng-co%CC%81pia-300x100.png?resize=300%2C100" alt="" width="300" height="100" srcset="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/feed_podcastpng-co%CC%81pia.png?resize=300%2C100&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/feed_podcastpng-co%CC%81pia.png?resize=768%2C255&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/feed_podcastpng-co%CC%81pia.png?w=835&amp;ssl=1 835w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a> <a href="https://open.spotify.com/show/3Pcjc0TaYWEa9mwtjXBgnW?si=hLshLPGFQ9y2HWkZvIr1fw" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-14704" src="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/spotify_podcast-co%CC%81pia-300x100.png?resize=300%2C100" alt="" width="300" height="100" srcset="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/spotify_podcast-co%CC%81pia.png?resize=300%2C100&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/spotify_podcast-co%CC%81pia.png?resize=768%2C255&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/spotify_podcast-co%CC%81pia.png?w=835&amp;ssl=1 835w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Notas de abril &#124; 2020</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Geraldine]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 May 2020 11:30:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Abril foi o mês que completei 30 dias de isolamento social &#8211; mais especificamente no dia 18 de abril de 2020. Confesso que tive um leve surto no dia que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-pm-slice="1 1 []" data-en-clipboard="true">Abril foi o mês que completei 30 dias de isolamento social &#8211; mais especificamente no dia 18 de abril de 2020. Confesso que tive um leve surto no dia que descobri esse marco. Bateu angústia, tristeza, enxaqueca, medo, uma confusão geral. Em parte, sei que foi devido a TPM, mas também sei que a TPM foi maximizada por causa do estado de isolamento. Mas também foi o mês que consegui voltar a dormir cedo e acordar cedo, ou seja a rotina aqui deu uma boa ajustada. Graças a Deus e o processo de reorganização que fiz quando senti que tudo estava bagunçado demais. Quero hoje destacar alguns pontos interessantes do meu mês com o notas de abril.</div>
<p><span id="more-14767"></span></p>
<h4>KINDLE &#8211; companheiro de leituras</h4>
<div>Em abril, eu li sete livros. Falarei dos livros em outro momento porque agora vou falar sobre o meu companheiro de leituras, o Kindle. Dos sete livros que li, 6 foram no leitor digital. O <a href="https://amzn.to/2ypBuDD" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Kindle</a> me fez companhia desde o café da manhã até a hora de dormir. Acho prático, leve, não incomoda meus olhos, e tenho qualquer livro disponível com poucos cliques. Não estou aqui querendo te dizer para comprar o Kindle. Só estou dizendo que percebi que meu fluxo de leitura flui muito melhor com o leitor digital. Com um detalhe: se for leitura de ficção ou de desenvolvimento pessoal (algumas temáticas). As leituras teóricas ainda prefiro fazer com livros físicos.</div>
<h4>MINIMALISMO DIGITAL &#8211; a exclusão do Twitter</h4>
<div>Fiz a leitura de <a href="https://amzn.to/3foYsf0" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&#8220;Minimalismo digital&#8221;</a>, do Call Newport, durante o mês e fui tentando colocar em prática alguns aprendizados. Não foi nada drástico, nem estou deixando de fazer coisas que gosto, mas eram situações que queria deletar da minha vida e ainda não havia encontrado coragem. Então ler &#8220;Minimalismo Digital&#8221; foi o empurrão. Após a leitura, dei um grande primeiro passo rumo ao minimalismo digital, ou rumo a utilizar as redes sociais com mais propósito &#8211; exclui o <i>Twitter</i>. Eu entrei na rede social on-line <i>Twitter </i>quando tudo era mato. Eu lembro que meu primeiro emprego, em 2010, consegui através do <i>Twitter</i>. Mas já faz um tempo que o mato foi devastado e hoje o <i>Twitter</i> é um lugar extremamente populoso e onde todo mundo tem opinião sobre tudo.  Devido a pandemia, parece que mais gente chegou por lá e alguns debates se acirraram. Eu já estava bastante incomodada com o fluxo de informação. E percebi que utilizava a ferramenta como uma das minhas principais fontes de informação. Mas acontece que parecia que eu vivia num <i>looping</i> eterno. O <i>Twitter </i>todo dia cancela alguém ou uma notícia é replicada diversas vezes. Eu percebi que não estava me informando, estava apenas consumindo a mesma informação diversas vezes. E eram informações que não me agregavam em absolutamente nada e que me causavam ansiedade e desconforto. Eu ainda usava o <i>Twitter</i> como um diário pessoal. Mas muita gente usa o <i>Twitter </i>como um vomitador de ódio gratuito e um palco para seu ego e as suas verdades. Entendo que cada um usa a rede como bem entender. E que também há discussões pertinentes que começam lá. Mas eu também entendi que não é mais o meu modo de consumir informação &#8211; e isso é mais importante para mim no momento. Meu consumo de informações agora é através da assinatura de news e através do <a href="https://feedly.com/i/my" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Feedly</a> &#8211; um agregador de conteúdo. Meu <i>Twitter</i> virou um grupo no <i>Whatsapp</i> com alguns amigos da resenha. E meu diário pessoal é no papel. Estou bem feliz com a mudança. Não senti falta do<i> Twitter</i>. E muito em breve meu perfil de mais de 10 anos será excluído oficialmente pela plataforma. Cogitei fazer outro, mas percebi que não faz mais sentido para mim. E vida que segue.</div>
<h4>ORIENTAÇÕES ONLINE &#8211; os encontros do grupo de pesquisa e a orientação do mestrado por Skype</h4>
<div>Em abril também retornamos com as atividades do mestrado. Toda segunda, de manhã, nos encontramos virtualmente. E para mim isso é muito importante porque mantém viva a relação com os colegas, orientadora e com a pesquisa. O fato é que a pesquisa não para e ainda bem que tenho ela neste momento para criar uma rotina e ocupar a mente. E os encontros, além de serem bons para discussões de textos teóricos e sobre o Brasil atual, é um momento de desabafo sobre o processo de produção durante a pandemia que é bem complexo. Não podemos ir para campo e as entrevistas também são online.  É uma nova maneira de se fazer pesquisa. E é preciso aprender com esses tempos de alguma forma.</div>
<h4>O FIM DO BIG BROTHER BRASIL 20</h4>
<div>Sim, eu vi toda a 20ª edição do BBB. Desde o início achei ousada a ideia de Boninho de colocar na casa anônimos e famosos. Foi treta atrás de treta e muito fogo no parquinho. Eu e algumas amigas formamos um grupo de <i>Whatsapp</i> para compartilhar notícias e debater sobre BBB. Foram dias intensos e eu até assistia pelo <i>paperview</i>. Para mim foi uma edição histórica sim e que vai marcar a história da televisão brasileira &#8211; enquanto estávamos confinados em nossas casas, assistíamos pessoas confinadas em busca de mais de um milhão de reais. Há quem chame o BBB de laboratório social. Eu até acho uma denominação interessante, mas fico receosa afinal não devemos esquecer quem produz e quem conduz o BBB. Durante o programa diversas pautas sociais, culturais e políticas foram levantadas. Percebi um engajamento enorme de diversas pessoas em não deixarem essas pautas se esvaziarem, no sentido de ficarem na superfície. Não sei se valeu a pena. Talvez? Fica o questionamento. Afinal são diversos núcleos de discussão, diversas redes. Na rede do meu primo quem ganhava era a Rafa Kaliman, a religiosa, engajada em causas sociais e fã de sertanejo. Na rede do meu outro primo quem ganhava era o Babu, ator, paizão, fã de futebol. Na minha rede quem ganhava (e ganhou) foi a Thelminha, mulher preta, médica, de garra e coragem, a representatividade. O BBB pode e deve pautar discussões contemporâneas importantes, mas em tempos de conexões digitais as discussões são pulverizadas e cada um escolhe a sua verdade.</div>
<p><strong>Conteúdo em vídeo:</strong><br />
<iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/iuqTM5Hr5us" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><strong>&#8220;Notas de abril | 2020&#8221; é  o episódio 4 do JgCast. Confira!</strong></p>
<div style="text-align: center;"></div>
<div><a href="https://anchor.fm/jeniffer-geraldine/episodes/4-Notas-de-abril--2020-edimc3" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-14701 aligncenter" src="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/anchor_podcast-300x100.png?resize=300%2C100" alt="" width="300" height="100" srcset="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/anchor_podcast.png?resize=300%2C100&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/anchor_podcast.png?resize=768%2C255&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/anchor_podcast.png?w=835&amp;ssl=1 835w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a> <a href="https://podcasts.apple.com/br/podcast/4-notas-de-abril-2020/id1444754810?i=1000473520048&amp;l=en" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-14702 aligncenter" src="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/apple_podcast-300x100.png?resize=300%2C100" alt="" width="300" height="100" srcset="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/apple_podcast.png?resize=300%2C100&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/apple_podcast.png?resize=768%2C255&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/apple_podcast.png?w=835&amp;ssl=1 835w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a> <a href="http://feedproxy.google.com/~r/PodcastJenifferGeraldine/~3/X-yMlqI_2DU/4-Notas-de-abril--2020-edimc3" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-14703 aligncenter" src="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/feed_podcastpng-co%CC%81pia-300x100.png?resize=300%2C100" alt="" width="300" height="100" srcset="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/feed_podcastpng-co%CC%81pia.png?resize=300%2C100&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/feed_podcastpng-co%CC%81pia.png?resize=768%2C255&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/feed_podcastpng-co%CC%81pia.png?w=835&amp;ssl=1 835w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a> <a href="https://open.spotify.com/episode/2XoCLgdfqFYfrv5ehfw728" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-14704 aligncenter" src="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/spotify_podcast-co%CC%81pia-300x100.png?resize=300%2C100" alt="" width="300" height="100" srcset="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/spotify_podcast-co%CC%81pia.png?resize=300%2C100&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/spotify_podcast-co%CC%81pia.png?resize=768%2C255&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/spotify_podcast-co%CC%81pia.png?w=835&amp;ssl=1 835w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a></div>
<div style="text-align: left;">E como foi o abril por aí?</div>
<div style="text-align: left;">Bom maio!</div>
<div style="text-align: left;">Obrigada por acompanhar! Até a próxima.</div>
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		<title>Sobre quando uma leitura te chama &#124; Torto Arado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Geraldine]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2020 11:00:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Leia Brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Já faz um tempo que um livro me chama bem de longe. Bem de longe porque ele nem sequer ocupava um lugar na minha estante. Me gritava através do seu [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/torto_arado_blog_jeniffergeraldine-1-scaled.jpg"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/torto_arado_blog_jeniffergeraldine-1-768x1024.jpg?resize=768%2C1024" alt="" class="wp-image-14709" srcset="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/torto_arado_blog_jeniffergeraldine-1-scaled.jpg?resize=768%2C1024&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/torto_arado_blog_jeniffergeraldine-1-scaled.jpg?resize=225%2C300&amp;ssl=1 225w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/torto_arado_blog_jeniffergeraldine-1-scaled.jpg?resize=1152%2C1536&amp;ssl=1 1152w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/torto_arado_blog_jeniffergeraldine-1-scaled.jpg?resize=1536%2C2048&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2020/04/torto_arado_blog_jeniffergeraldine-1-scaled.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Já faz um tempo que um livro me chama bem de longe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bem de longe porque ele nem sequer ocupava um lugar na minha estante.</p>



<span id="more-14707"></span>



<p class="wp-block-paragraph">Me gritava através do seu título que me intrigava e me levava a pensar nos possíveis porquês. Também me gritava através da capa que me trazia uma familiaridade desconhecida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um pouco teimosa que sou, passei alguns livros na frente. Ou pelo menos tentei, em vão. Nenhuma leitura fluía. Até que resolvi me deixar ouvir o chamado de <em>Torto Arado</em>, do baiano Itamar Vieira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Me deixei levar pela história das irmãs Belonísia e Bibiana que se passa pelos ares da Chapada Diamantina, lugar que tanto amo. Adormeci, inúmeras vezes, lendo o livro. E adormecer lendo um livro é um dos pontos altos do relacionamento com a leitura. Você lê até que as letras embaralhem e os seus olhos pisquem lentamente. Você volta, tenta continuar, tudo fica meio fosco até que enfim você adormece ao lado do autor e de suas personagens. No seu sonho todos aparecem de alguma maneira para lembrar que &#8220;se a gente não se movimenta, não tem vida&#8221;. E quando acorda lá estão todos esperando o continuar da leitura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No movimento do passar das páginas encontro histórias de sobreviventes, um povo colocado na posição de subalternidade no processo de construção de uma sociedade desigual. O movimento também é luta. É vento. É a seca; a chuva. É o tempo passando sem dó e com pouca piedade. É o balanço da plantação e das roupas e corpos na festa do Jarê. Movimento que vem da ancestralidade trazendo força e acalento para tempos difíceis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre idas e vindas, entre as desventuras da vida das suas personagens, <em>Torto Arado&nbsp;</em>me recorda um Brasil, entre tantos Brasis, que segue lutando com as armas que possui contra o memoricídio e a necropolítica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&gt;&gt; <a href="https://amzn.to/2X6LRGm" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Torto Arado</em> na Amazon</a></p>
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