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	<title>Arquivo para Benvirá - Jeniffer Geraldine | Vida &amp; Cultura</title>
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	<description>Crônicas, fotografias e reflexões sobre vida e cultura.</description>
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	<title>Arquivo para Benvirá - Jeniffer Geraldine | Vida &amp; Cultura</title>
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		<title>Suicidas &#8211; Raphael Montes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Geraldine]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Sep 2017 11:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[#SetembroPolicial]]></category>
		<category><![CDATA[Benvirá]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Suicidas é o primeiro romance do escritor carioca Raphael Montes. O livro foi finalista de muitos prêmios literários, em 2012 foi publicado pela Benvirá, selo da Editora Saraiva, e agora [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Suicidas</strong> é o primeiro romance do escritor carioca <strong>Raphael Montes</strong>. O livro foi finalista de muitos prêmios literários, em 2012 foi publicado pela <a href="http://www.benvira.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Benvirá</a>, selo da Editora Saraiva, e agora em 2017 ganhou uma reedição pela <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/index.php" target="_blank" rel="noopener">Companhia das Letras</a>.<span id="more-5817"></span></p>
<p>Foi estranho ler esse livro durante o <a href="http://www.setembroamarelo.org.br/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Setembro Amarelo</strong></a>, campanha de prevenção ao suicídio. E quando fui publicar uma foto no <a href="http://instagram.com/jeniffergeraldine" target="_blank" rel="noopener">Instagram </a>e utilizei a <em>hashtag</em> #suicidas recebi um alerta da plataforma sobre a questão que me fez remover a palavra-chave do meu <em>post</em>.</p>
<p>Na época que o Raphael lançou o livro não existia a campanha (ela só teve início no Brasil em 2014). Então esse livro, como muitos do <a href="http://jeniffergeraldine.com/tag/literatura-policial/" target="_blank" rel="noopener">gênero policial</a>, não é para qualquer leitor. Ele não é um alerta sobre as causas do suicídio. É um livro policial que tem como base para trama a roleta-russa, que de acordo com o dicionário é uma &#8220;operação que consiste em deixar uma só bala no tambor de um revólver, fazê-lo girar, apontar o cano da arma para si próprio ou para outrem, sem conhecer a posição exata da bala, e apertar o gatilho, isso por bravata e/ou desejo de experimentar emoções violentas&#8221;.</p>
<p><a href="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2017/09/14206_gg.jpg"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft wp-image-5823 size-medium" src="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2017/09/14206_gg-200x300.jpg?resize=200%2C300" alt="" width="200" height="300" srcset="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2017/09/14206_gg.jpg?resize=200%2C300&amp;ssl=1 200w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2017/09/14206_gg.jpg?w=434&amp;ssl=1 434w" sizes="(max-width: 200px) 100vw, 200px" /></a>Dito isso, posso falar sobre o livro. No porão de uma casa, nove jovens da elite carioca participam de uma roleta-russa. Todos morrem. E um ano depois da tragédia, a delegada Diana Guimarães reúne as mães dos jovens para tentar entender o que realmente aconteceu naquele dia e os possíveis motivos do suicídio coletivo.</p>
<p>A delegada, as mães e os leitores só vão poder ter a chance de saber um pouco do que aconteceu naquele dia por conta do diário do Alessandro Parentoni, jovem aspirante a escritor, que além de manter esse diário sobre sua vida também estava escrevendo um livro no momento em que acontecia a roleta-russa. Sim. Enquanto todo mundo estava entre a sorte e a morte, o Alê registrava cada ação e diálogo no que seria seu futuro livro de grande sucesso. Isso me incomodou bastante na narrativa. Fiquei imaginando o controle que esse rapaz deveria ter para escrever enquanto via seus amigos morrerem.</p>
<blockquote>
<div class="noteText">Nem mesmo eu sei se estou certo. Não sei se vale a pena estar aqui, vivendo esta loucura, narrando cada instante, obcecado, vendo seres humanos definharem diante da morte, rendendo-se ao instinto. Tudo isso para quê? Para ser lido num país onde metade da população é analfabeta. Para realizar um sonho que desde cedo me disseram ser utópico, irreal, coisa de louco. Pois eu sou louco.</div>
</blockquote>
<div></div>
<blockquote>
<div class="noteText">Cada um, dentro de si, tem um motivo para estar aqui. Eu não posso querer que eles me entendam&#8230; Também não me interessa sabê-los. Ninguém perguntou os meus&#8230; E eu ficaria puto por ter que explicá-los a quem quer que fosse. Estou aqui porque estou. Por algo interno que me motiva. Foda-se o resto. Não precisa fazer sentido.</div>
</blockquote>
<div></div>
<p>Os noves jovens são personagens bastante clichês. Como exemplos temos o Zak, amigo de infância do Alê, como o playboy malhado e riquinho e o Alê como o nerd que não tem sorte com as mulheres. Mas confesso que esqueci dos clichês porque a narrativa é bem envolvente e ágil. A leitura fluiu que nem percebi. Fiquei intrigada para saber os motivos que levaram aqueles jovens a estarem ali participando de um jogo de morte. Quis, assim como a delegada Diana e as mães, ler o próximo capítulo escrito pelo Alessandro. Fui sofrendo aos poucos. Fiquei chocada em alguns momentos. E comecei a achar tudo uma loucura.</p>
<p>O final surpreende pela ousadia do autor e reforça a ideia de que quando alguém nos conta uma história é sempre apenas uma versão dela.</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/M72le_BwXLk" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<ul>
<li>Adquira o livro na Amazon e colabore com o blog: <a href="http://amzn.to/2vWeIiL" target="_blank" rel="noopener">Suicidas</a></li>
<li><strong>Pista #SetembroPolicial:</strong> Lucas subiu o monte com Cris e Isa que não largavam do seu pé desde o encontro</li>
</ul>
<p style="text-align: center;"><strong>Espalhe &#8220;Suicidas &#8211; Raphael Montes&#8221; por aí! <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f609.png" alt="😉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></strong></p>
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		<title>O Ladrão de Crianças &#8211; Gerald Brom</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Geraldine]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 May 2015 23:53:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[Benvirá]]></category>
		<category><![CDATA[Gerald Brom]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Já comentei aqui sobre o poder que a literatura tem de nos possibilitar viver outras vidas, mas esse é apenas um dos poderes que essa arte possui. Um outro e [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://jeniffergeraldine.com/o-ladrao-de-criancas/">O Ladrão de Crianças &#8211; Gerald Brom</a> apareceu primeiro em <a href="https://jeniffergeraldine.com">Jeniffer Geraldine | Vida &amp; Cultura</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Já comentei aqui sobre o poder que a literatura tem de nos possibilitar viver outras vidas, mas esse é apenas um dos poderes que essa arte possui. Um outro e que julgo também muito importante é a liberdade. Fazer e consumir literatura são atos livres.</p>
<p>A partir do momento que um texto é dado como “acabado” pelo seu autor, ele começa a existir para o leitor e a partir dali, torna-se algo também do leitor. A leitura que ele fará da obra estará intrinsecamente ligada a sua subjetividade e por ser algo único abre-se, assim, um leque de possíveis releituras e isso, na minha opinião, enriquece a discussão, a literatura e a vida.</p>
<p>Há quem se arrisque e além de fazer uma releitura, faz de um clássico. É quase como tocar em algo sagrado, mas, como já comentei, considero algo inevitável e essencial. Um livro que venha a ser uma releitura é um novo olhar, uma nova obra e uma ode ao seu original.<span id="more-222"></span></p>
<p><strong>Gerald Brom</strong>, ilustrador americano de revistas de RPG, graphic novels de terror e quadrinhos, escreveu <strong>O ladrão de crianças</strong> (<a href="http://www.benvira.com.br/" target="_blank">Benvirá</a>, 2014), uma releitura fantástica obscura do clássico Peter Pan de James Barrie. O próprio Brom comenta o que o levou a escrever o livro:</p>
<blockquote><p>&#8220;… Os meninos nesta ilha variam, claro, em número, conforme são mortos, e por aí vai; e quando eles vão crescendo, o que vai contra as regras, Peter se livra deles; mas naquela época havia seis, contando os gêmeos como dois&#8221;.</p>
<p>Peter se livra deles? Hein? O que isso significa? Peter os mata, como se cuidasse de um rebanho? Ele os manda para algum lugar? Se é assim, para onde? Ou Peter apenas os faz passar por tantos perigos que a cota está sempre em constante substituição? – pag. 428</p></blockquote>
<p>Brom fez a partir disso vários questionamentos sobre a personalidade do Peter Pan e, principalmente, começou a desconstruir a imagem fofa e infantil e a construir o seu Peter com doses de loucura e fantasia sombria, ou, como ele mesmo definiu, um sociopata carismático.</p>
<p>O Ladrão de crianças se passa nos tempos atuais e tem dois cenários principais, Nova York – onde Peter resgata/sequestra crianças que estão passando por perigo ou foram abandonadas pela família – e Avalon, uma das ilhas do Outro Mundo e que está morrendo.</p>
<blockquote><p>Ao pôr do sol de um dia do início de outono, por entre as folhas caindo, o ladrão de crianças espreitava das sombras as crianças brincarem. Elas escalavam a tartaruga verde gigante, desciam pelo escorregador amarelo, riam gritavam, provocavam-se e corriam atrás umas das outras sem parar. Mas o ladrão de crianças não estava interessado nesses rostos felizes, não estava tentando roubar uma criança qualquer. Tinha um interesse particular. Buscava um rosto triste, solitário… ou uma criança perdida. E quanto mais velha fosse, melhor; de preferência uma criança de treze ou catorze anos, porque crianças mais velhas são mais fortes, mais resistentes e tendem a viver mais tempo. – pag. 13</p></blockquote>
<p>Em uma dessas procuras, Peter encontra Nick que estava passando por um momento difícil. Se envolveu com alguns traficantes no Brooklyn e quase foi morto, mas Peter apareceu para ajudá-lo. Nick era o alvo perfeito para ele, mas para levar uma criança até Avalon é necessário que ela vá de livre e espontânea vontade pois só assim eles vão conseguir passar juntos pela névoa que esconde e protege Avalon de Nova York. O convite de Peter parecia irresistível, ir para um lugar mágico e sem adultos, mas Nick era desconfiado por natureza e não aceitou de primeira, porém acabou indo sem deixar para trás os questionamentos e desconfianças.</p>
<blockquote><p>Nick fez uma careta. Crescer pode ser mesmo uma merda, pensou. E, sem dúvidas, coisas ruins acontecem a pessoas boas, e na maior parte das vezes o mundo não dá a mínima. – pag. 34</p>
<p>Tudo tem seu preço. Tudo. Algumas coisas apenas custam mais que outras.” – pag. 57</p></blockquote>
<p>O livro é divido em cinco partes: Parte I – Peter; Parte II – A árvore do Diabo; Parte III – Os comedores de carne; Parte IV – O capitão; Parte V – Ulfger. A leitura não é cansativa, apesar das partes descritivas do ambiente e das cenas de luta, acredito que foi na medida certa para fazer com que o leitor passasse também pelas sombras que rodeavam Avalon e toda narrativa. E é possível conhecer os personagens, cenários e criaturas através das ilustrações feitas pelo próprio Brom. Os desenhos são todos com aspecto gótico e dark, sempre nas cores preto, branco e cinza. E, no início do livro, há um mapa para que o leitor situe cada lugar por onde passa a aventura de Peter e os seus Diabos.</p>
<p>Assim como na versão original, Peter quer brincar e fazer novos amigos. A grande diferença é que a brincadeira ficou menos lúdica e mais perigosa. Este livro não é infantil. Brom conseguiu transformar uma aventura típica da sessão da tarde em uma história cheia de sombras, bruxas, elfos, fadas, ogros, lutas sangrentas, ódio, vingança e muita obsessão e loucura. E isso foi de um fascínio sem igual.</p>
<blockquote><p>Sempre a contradição, pensou Tanngnost. Num momento o assassino de sangue-frio, no próximo um menino sentimental; sempre o eterno otimista, apesar de uma vida de tragédias. Claro, é seu charme. É o que atrai as crianças para ele, faz que o amem, mesmo com tantas contradições. – pag. 224</p></blockquote>
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