Oie! Hoje compartilho minhas notas de março: fragmentos dos cadernos, fotografias e descobertas culturais.
1. LIVRO: Os urubus não esquecem (Pedro Cesarino; Todavia, 2025)

O Clube do Livro Alagoinhas lançou um novo projeto neste ano, o Uma Volta Literária nas Regiões do Brasil, com o objetivo de explorar a diversidade literária brasileira através da leitura de obras representativas de cada região do país, promovendo descobertas culturais e ampliando horizontes literários do clube. Começamos com a região norte e eu escolhi o livro Os urubus não esquecem, de Pedro Cesarino, publicado em 2025, pela Editora Todavia. Cesarino é professor e antropólogo brasileiro e tem um trabalho voltado aos povos indígenas, principalmente os povos Marubo, que ficam na região da Amazônia.
No livro, Os urubus não esquecem, tudo começa quando o filho de Maya desaparece. Ela sai a procura do rapaz na fictícia cidade do Jambeiro, principalmente, porque haviam sido encontrados restos mortais de outros jovens indígenas na região. Durante o romance, encontramos 5 perspectivas sobre a situação: Maya, Filho de Maya, Noma (pajé), Glauber (filho do prefeito) e Picanha.
Todo o conflito é resolvido com a ajuda da personagem Noma, uma pajé intersexo, que também representa a força da cosmopercepção indígena, a valorização da corporeidade, oralidade, convivência com todos os seres e mundos. Noma tem a habilidade do xamanismo e atua como uma ponte entre mundos humanos, não-humanos e ancestrais.
Em Os urubus não esquecem, Cesarino utiliza a sua base teórica e etnográfica para criar um romance com características de thriller e, assim, denunciar temas como desmatamento, narcotráfico, madeireiros ilegais e violência contra povos indígenas.
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2.FILME: O último azul (Gabriel Mascaro, 2025; Netflix)


Em março, dei play na distopia brasileira, O último azul, que teve um forte apelo marketeiro por ter o Rodrigo Santoro. Mas quem é Rodrigo Santoro perto da exuberância da Amazônia e a ousadia de criar uma distopia para abordar dois temas importantes: etarismo e autoritarismo.
| “Gente velha não é mercadoria”. |
Com 75 anos, os idosos são enviados para uma colônia com aquela ideia de que não são mais úteis ao sistema e vão se tornar um trabalho extra para os jovens. Tudo é tão bem arquitetado que os filhos passam a tutelar os pais e ganham um auxílio financeiro para isso. E a gente sabe que quando tem dinheiro na jogada a coisa fica mais difícil de dizer não.
A personagem principal é Teresa (Denise Weinberg) que prefere não ir para colônia porque ainda tem muita coisa para viver, fazer, realizar, como voar de avião. Por conta desse sonho, ela vai embarcar em uma aventura que envolve encontros clandestinos, fugas, delírios místicos e a descoberta da liberdade após os 70 anos. Recomendo o play!
3.LIVRO: Um hino à vida – A vergonha precisa mudar de lado (Gisèle Pelicot)

No dia 21 de março de 2026, finalizei o livro Um hino à vida – A vergonha precisa mudar de lado, de Gisèle Pelicot com Judith Perrignon (trad. Julia Rosa Simões; Companhia das Letras*, 2026).
Um livro corajoso sobre um caso de violência sexual e abuso conjugal que marcou a França e todo o mundo. Uma obra sobre a história de vida que ampliou a discussão sobre a cultura do estupro.
Em vários momentos precisei pausar, respirar, me afastar da leitura. Mas me arrepiei e me emocionei quando Gisèle decidiu abrir o julgamento para o grande público porque “a vergonha precisa mudar de lado”. Também me emocionei quando ela comentou que virou símbolo de luta e resistência para o feminismo, mesmo sem ser uma mulher jovem. Ela é de outra geração e foi ensinada a valorizar o casamento e a família. E encontrou nesse ensinamento um rumo para vida quando se sentiu perdida na juventude.
| “[…] A vergonha precisava mudar de lado […]. Todos precisavam ver os 51 estupradores. Eles é que deveriam se curvar. Não eu”. |
*Ebook recebido pelo Clube do Livro Alagoinhas em parceria com grupo Companhia das Letras.
4. LIVRO: Deixa pra lá (Mel Robbins)

No final de março, terminei a leitura de Deixa pra lá, da Mel Robbins, publicado pela BestSeller, em 2025, com tradução da Alessandra Bonrruquer e Ivanir Callado.
A autora tem a proposta de uma teoria para nos guiar no processo difícil de querer controlar o que não é do nosso controle, principalmente, pessoas e o comportamento delas.
O livro é bem abrangente passando por várias dimensões da vida, o que o torna um pouco repetitivo. Mas é excelente para nos encorajar a deixar as pessoas serem quem são e aceitar que elas só mudam se quiserem e quando quiserem. É melhor escolher nossa paz, inspirar por exemplo – fazendo nossas coisinhas – e assumir o controle do que podemos: nossa vida, nossas ações e reações.
A teoria tem dois passos: 1) Deixa pra lá; 2) Deixa comigo.
Não é passividade. O segundo passo nos coloca justamente em movimento, mas no movimento de fazer o que podemos na nossa própria vida. Também tem uma forte relação com liberdade – “[…] libertá-lo do fardo de tentar controlar outras pessoas” (p. 25).
Recomendo a leitura, de forma bem tranquila. Um capítulo por vez, nos intervalos, nos respiros, ou como fiz, uma leitura anti-scrolling. Por sinal, a teoria da Mel e várias recomendações do livro estão espalhadas em publicações nas redes sociais.
| “Quando parar de pensar obsessivamente no que elas pensam, dizem ou fazem, você finalmente terá a energia necessária para focar na sua própria vida. Deixará de reagir e começará a viver” (p. 25). |
5.Registros do cotidiano






Bom abril para nós! 🌻
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