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	<title>Arquivo para Martins Fontes - Jeniffer Geraldine | Vida &amp; Cultura</title>
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	<description>Crônicas, fotografias e reflexões sobre vida e cultura.</description>
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		<title>Parafusos &#8211; Ellen Forney</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Aug 2015 18:19:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[livros]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje gostaria de falar com vocês sobre <strong>Parafusos</strong>, HQ autobiográfica da norte-americana<strong> Ellen Forney</strong>, lançada em 2014 no Brasil pela <strong>editora Martins Fontes</strong>. Estava na lista de desejados há algum tempo e assim que chegou por aqui foi devidamente devorado. A leitura me proporcionou uma experiência muito legal. Quadrinho inteligente, informativo, artístico e extremamente real. Obviamente um baita trabalho.</p>
<p>A capa é bonitinha e até infantil, mas o subtítulo já nos mostra o que teremos pela frente, um relato sobre mania, depressão, arte e a luta pessoal de Ellen Forney para se manter “estável”. Parafusos é basicamente um diário que se inicia quando Ellen é diagnosticada com transtorno bipolar. Esperava uma leitura ao estilo de A redoma de vidro, de Sylvia Plath, mas o quadrinho não é deprimente e pelo contrário, se encaminha para o humor, percorrendo assim, um caminho completamente diferente.<span id="more-1522"></span></p>
<p>As memórias relatadas se iniciam por volta de 1998, às vésperas de Ellen completar trinta anos de idade, e se prolongam durante seu tratamento. Ao longo de sua história vemos sua luta contra a doença, sua dificuldade quanto aos medicamentos e seus devaneios acerca de sua produção artística.</p>
<p>É muito fácil rotular alguém e para que eu não cometa esse erro vou listar alguns aspectos da vida de Ellen para que você mesmo tenha uma ideia de quem ela é ou era no momento em que recebeu o diagnóstico da doença. Trinta anos, decidiu fazer uma única tatuagem na vida e resolveu que seria nas costas inteira, artista, filha de pais divorciados, mãe lésbica, se descobriu bissexual, cheia de amigos, adora festas, fuma maconha, triatleta, moderna e extremamente ativa.</p>

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<p>Quando Ellen recebe o diagnóstico de sua terapeuta Karen ela vive uma fase de euforia. Faz mil coisas ao mesmo tempo, tem muitos projetos, muitas festas para ir, acha tudo lindo e parece viver num mundo colorido. Por isso, se nega a acreditar, de início, no diagnóstico. Nada a perturba, mas decide mesmo assim, estudar um pouco o assunto. Sua primeira preocupação é sua arte, portanto, busca uma lista de artistas que provavelmente sofreram com distúrbios maníaco-depressivos ou distúrbios de depressão grave e o que ela acaba percebendo é que vários cometeram suicídio ou ao menos tentaram.</p>
<p>A administração dos medicamentos é algo que podemos acompanhar ao longo dos anos, já que muitas tentativas foram feitas e as reações foram as mais diversas. Em meio ao tratamento, a euforia e a “felicidade” acabam e Ellen se vê muito deprimida. Os medicamentos, especialmente o Lítio, causa uma série de efeitos colaterais, contribuindo assim, para seu temor frente a doença. Ganho de peso, espinhas, insônia, sonolência e a queda na produtividade no trabalho a acompanham durante o tratamento. Isso tudo somado ao medo de perder sua criatividade.</p>
<p>Temos cenas em que a vemos enrolada no cobertor, contrastando assim, com a Ellen do início.  Chora muito e sente muito medo. Seu grande alicerce é a família, que a seu modo a apoiam nestes duros momentos, seja financeiramente ou psicologicamente. Para que tenhamos uma ideia de quanto o transtorno bipolar a afeta, ela narra sua participação na San Diego Comic-Con. Quando percebeu que o livro tinha se esgotado no evento, ao invés de comemorar entrou em parafuso, pois não teria mais material para assinar. Num surto, saiu às ruas e acabou comprando seus livros pelas lojas para disponibiliza-lo no evento. Episódios assim, podem parecer simplórios, mas afetam sobremaneira a rotina do doente.</p>
<p>Temos para ilustrar isso tudo, uma arte simples em preto e branco, mas com desenhos e esquemas, se me permitem o trocadilho infame, bem malucos. Ellen anexa desenhos que fez durante as crises depressivas aos quadrinhos, tornando a obra ainda mais impactante. A história tinha todos os ingredientes para nos deprimir, mas é em sua maioria, bem divertida. Nem preciso dizer que recomendo né?</p>
<p>Até a próxima!</p>
<p><a href="https://i0.wp.com/subindonotelhado.com.br/wp-content/uploads/2015/06/carrinho-de-compras.png"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="  wp-image-875 alignleft" src="https://i0.wp.com/subindonotelhado.com.br/wp-content/uploads/2015/06/carrinho-de-compras.png?resize=37%2C37" alt="carrinho-de-compras" width="37" height="37" srcset="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2015/06/carrinho-de-compras.png?w=128&amp;ssl=1 128w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2015/06/carrinho-de-compras.png?resize=80%2C80&amp;ssl=1 80w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2015/06/carrinho-de-compras.png?resize=50%2C50&amp;ssl=1 50w" sizes="auto, (max-width: 37px) 100vw, 37px" /></a><a href="http://oferta.vc/fBHK" target="_blank">Americanas</a> / <a href="http://oferta.vc/fBJe" target="_blank">Submarino</a> / <a href="http://oferta.vc/fBJV" target="_blank">Livraria Cultura</a> / <a href="http://oferta.vc/fBKi" target="_blank">Saraiva</a></p>
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		<title>Azul é a cor mais quente &#8211; Julie Maroh</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Convidado JG]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2015 12:50:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Olá, amigos. O amor está no ar aqui no Subindo no Telhado e nada melhor do que apresentar um pouquinho da bela história de amor entre as jovens Clémentine e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, amigos. O amor está no ar aqui no Subindo no Telhado e nada melhor do que apresentar um pouquinho da bela história de amor entre as jovens <strong>Clémentine e Emma</strong>, nesta excelente <strong>HQ</strong> que é <strong>Azul é a cor mais quente </strong>(Martins Fontes, 2013), da francesa <strong>Julie Maroh</strong>. Tomei conhecimento da obra em 2013 após a adaptação para o cinema, <em>Blue is the warmest color, </em>ganhar o Palma de Ouro, no Festival de Cannes,  e optei por ler o quadrinho primeiro. E que leitura fantástica realizei em janeiro deste ano. Após uma releitura para escrever esta resenha percebo que todos os elogios à história são merecidíssimos. A obra é excelente, desde o roteiro até a arte, e é uma das melhores hqs que li este ano. Não leu ainda? Bora tentar te convencer então &#8230; rs!<span id="more-994"></span></p>
<p>A trama é centrada no relacionamento das jovens Clémentine e Emma, mas a maneira que a história nos é contada é o mais interessante. A primeira página nos convence de cara e é formada por quatro imagens nas quais vemos Emma sozinha em um ônibus e as seguintes frases abaixo das cenas: “<em>Meu amor, quando você estiver lendo estas palavras eu já terei abandonado este mundo”</em>. Dito assim, soa piegas, mas no contexto e com as imagens é perfeito. A seguir percebemos que estas frases fazem parte de um diário deixado por Clémentine e que este diário nos permitirá conhecer a história a partir de sua perspectiva.</p>
<p>Clémentine é uma jovem de 16 anos que como qualquer adolescente vive um momento de dúvidas, incertezas e descobertas. E são estas descobertas, principalmente no que diz respeito à sua sexualidade, que são “exploradas” no decorrer da história. Clémentine parece um tanto deslocada e incomodada quando as amigas comentam sobre os meninos. Esta “pressão” faz com que ela tente se envolver com Thomas, um garoto que cursa o terceiro colegial da escola em que estuda, mas a experiência torna-se frustrante, fazendo com que ela se sinta ainda mais confusa e angustiada.</p>
<p>A mudança ocorre em sua vida quando ela cruza na rua com uma jovem de cabelos azuis que mais tarde vem a saber que se trata de Emma, despertando nela, uma gama de sensações conflituosas. E a história se desenrola a partir daí.</p>
<p>As nuances de um relacionamento são muito bem retratadas nas expressões das personagens. As decepções, a paixão, o encantamento, o ciúme, a traição, o sexo e o amor estão presentes. Mais do que trazer à tona o sentimento entre as duas, a obra nos instiga a questionar diversas afirmações preconceituosas acerca da homossexualidade. Vemos por exemplo, o quanto a escola, um ambiente teoricamente inclusivo, excluí com uma crueldade despropositada.</p>
<p>Contemplamos ainda, o quão conflituoso é para um adolescente do século XXI, conviver no ambiente familiar com um pai que enxerga o homossexual como uma aberração e com pessoas que julgam o tempo todo. As cenas que mostram Clémentine se imaginando queimada numa fogueira como na Idade Média ilustram bem este pensamento.</p>
<p>Uma cena que me marcou muito passou batida na primeira leitura. Nela, vemos Emma muito triste e abatida devido à problemas do relacionamento, enquanto na TV surge o resultado das eleições presidenciais na França, decretando a vitória de Nicolas Sarkozy, que veio a governar o país entre 2007 e 2012. Sarkozy sempre atacou qualquer possibilidade de união entre os homossexuais e em 2012, em um discurso visando a reeleição, afirmou: “<em>Para mim uma família é composta por um pai e uma mãe, não dois pais ou duas mães”</em>. Retrata bem o tipo de conflito vivido por Clémentine e Emma.</p>
<p>Também gostei muito da arte e da colorização, com todas as cenas referentes às memórias em preto e branco. Seguem algumas imagens para vocês julgarem por si mesmos. Enfim, obra recomendadíssima e que merece ser lida.</p>
<p><a href="https://i0.wp.com/subindonotelhado.com.br/wp-content/uploads/2015/06/azul-e-a-cor-mais-quente-hq-foto-alan-nardi.jpg"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-999" src="https://i0.wp.com/subindonotelhado.com.br/wp-content/uploads/2015/06/azul-e-a-cor-mais-quente-hq-foto-alan-nardi-1024x486.jpg?resize=700%2C332" alt="azul-e-a-cor-mais-quente-hq-foto alan nardi" width="700" height="332" srcset="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2015/06/azul-e-a-cor-mais-quente-hq-foto-alan-nardi.jpg?resize=1024%2C486&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2015/06/azul-e-a-cor-mais-quente-hq-foto-alan-nardi.jpg?resize=300%2C142&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2015/06/azul-e-a-cor-mais-quente-hq-foto-alan-nardi.jpg?resize=700%2C332&amp;ssl=1 700w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2015/06/azul-e-a-cor-mais-quente-hq-foto-alan-nardi.jpg?resize=260%2C123&amp;ssl=1 260w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2015/06/azul-e-a-cor-mais-quente-hq-foto-alan-nardi.jpg?resize=105%2C50&amp;ssl=1 105w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2015/06/azul-e-a-cor-mais-quente-hq-foto-alan-nardi.jpg?w=2000&amp;ssl=1 2000w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2015/06/azul-e-a-cor-mais-quente-hq-foto-alan-nardi.jpg?w=3000&amp;ssl=1 3000w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></a></p>
<p>Até a próxima!</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://i0.wp.com/subindonotelhado.com.br/wp-content/uploads/2015/06/carrinho-de-compras.png"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="  wp-image-875 alignleft" src="https://i0.wp.com/subindonotelhado.com.br/wp-content/uploads/2015/06/carrinho-de-compras.png?resize=43%2C43" alt="carrinho-de-compras" width="43" height="43" srcset="https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2015/06/carrinho-de-compras.png?w=128&amp;ssl=1 128w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2015/06/carrinho-de-compras.png?resize=80%2C80&amp;ssl=1 80w, https://i0.wp.com/jeniffergeraldine.com/wp-content/uploads/2015/06/carrinho-de-compras.png?resize=50%2C50&amp;ssl=1 50w" sizes="auto, (max-width: 43px) 100vw, 43px" /></a><a href="http://oferta.vc/8161" target="_blank">Livraria Cultura</a>/ <a href="http://oferta.vc/8167" target="_blank">Livraria Saraiva</a>/ <a href="http://oferta.vc/816c" target="_blank">Livraria Martins Fontes</a></p>
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