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	<title>Arquivo para HarperCollins - Jeniffer Geraldine | Vida &amp; Cultura</title>
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	<description>Crônicas, fotografias e reflexões sobre vida e cultura.</description>
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		<title>A louca da casa (Rosa Montero)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Geraldine]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Mar 2018 22:48:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eu finalmente li o &#8220;A louca da casa&#8221;, da escritora e jornalista espanhola Rosa Montero. E hoje quero compartilhar a minha experiência de leitura, o que ficou desse livro em [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Eu finalmente li o &#8220;A louca da casa&#8221;, da escritora e jornalista espanhola Rosa Montero. E hoje quero compartilhar a minha experiência de leitura, o que ficou desse livro em mim, o que ele me fez pensar sobre a vida.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Eu não fazia ideia do que era esse livro, mas sempre tive vontade de ler por causa do título “A louca da casa” e dessa capa que eu acho vibrante, impossível que não chame atenção em qualquer prateleira.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Lendo descobri que é um grande ensaio sobre a literatura, a narrativa, o ser romancista/escritor, mas também é sobre a louca da casa, que é como a Rosa chama a imaginação, o ponto de partida da maioria das narrativas e o que move muitos escritores. Além também de ser um livro sobre loucura, paixões amorosas e, é claro, a vida da Rosa Montero. Ele é autobiográfico, se nós leitores acreditarmos que a Rosa é uma narradora confiável.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">O livro é dividido em 19 partes, sem títulos. Há muitas histórias sobre a vida de outros escritores, inclusive muitos clássicos, para exemplificar os temas abordados. E também episódios curiosos e engraçados da vida da autora, já que como ela mesma diz suas lembranças são organizadas em torno de namorados e livros.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Vou compartilhar alguns pontos que me chamaram atenção ao longo da leitura:</span></p>



<h4 class="wp-block-heading"><b>1) Todo ser humano é um narrador</b></h4>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Por acreditar que literatura é vida, Rosa também diz que todo ser humano é um potencial narrador e romancista. &nbsp;“Nós nos mentimos, nos imaginamos, nos enganamos” durante toda a vida, e somos autores de um romance único que vamos escrevendo ao passar dos dias e que assumimos o papel de protagonista. &nbsp;Concordo demais, e se levarmos essa possibilidade de cada ser humano ser um romancista, um grande narrador da própria vida para o nosso momento atual, em que vivemos conectados, podemos dizer que criamos narrativas diárias nas redes sociais, sobre quem somos e como vivemos.</span></p>



<h4 class="wp-block-heading"><b>2) A imaginação é a louca da casa</b></h4>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Meu Deus, sim! A casa é nosso corpo, nossa existência. E a louca desse lugar é a imaginação. Eu tenho uma imaginação muito fértil. Eu olho para pessoas, coisas, momentos, até fotografias, e invento narrativas. Às vezes é bem complicado conviver com tantas ideias na cabeça, que estou pensando seriamente em passar a escrevê-las. </span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Rosa também fala de como vamos limitando nossa imaginação à medida que vamos crescendo porque ficamos naquela ideia de que imaginar, dar asas a imaginação, é coisa de criança. Então de certa forma, ser romancista é deixar um pouco viva essa criança que fomos um dia e conviver bem com a louca da casa.</span></p>



<h4 class="wp-block-heading"><b>3) Compromisso da escrita</b></h4>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Há um compromisso ao escrever. Rosa diz que o escritor deve “permanecer sempre alerta contra o senso comum, contra o preconceito próprio, contra todas ideias herdadas e não questionadas que se infiltram insidiosamente em nossa cabeça”.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Olha que fantástico isso: “permanecer sempre alerta&#8230;contra todas ideias herdadas e não questionadas que se infiltram insidiosamente em nossa cabeça.”</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Acredito que é um compromisso do escritor, mas é também um compromisso de qualquer pessoa que deseja olhar para o seu tempo, seu lugar, de forma crítica. Trazendo para o hoje, vivemos um momento de <em>fake news</em>. Por que as pessoas recebem uma notícia e não a questiona, não buscam em outras fontes, não checam? Preguiça de pensar e o desejo de permanecer na zona de conforto com suas próprias ideologias e verdades. </span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Muitas das pequenas ou grandes revoluções começaram por conta de um questionamento. Escrever é um ato político, e ler também é. &nbsp;Fiquei pensando bastante nessas questões quando Rosa falou sobre o compromisso da escrita. </span></p>



<h4 class="wp-block-heading"><b>4) O peso semântico do feminismo</b></h4>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Na parte 13 do livro, Rosa vai admitir que é anti-sexista por conta do peso semântico que o feminismo tem, mas respeita os movimentos feministas e também se considera uma feminista e usa essas palavras por reconhecer a importância histórica e atual dos movimentos.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Essa parte do livro é muito boa porque ela vai comentar sobre duas perguntas que não aguenta mais responder: Existe uma literatura de mulheres? Prefere ser jornalista ou escritora?</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">O peso semântico do feminismo é forte mesmo. Muitas pessoas só de ouvirem a palavra já abominam os movimentos e não gostam do feminismo porque atribuem um significado com base no senso comum: é a oposição ao machismo, é a mulher dominando o mundo. Sendo que não é. É uma luta por equidade. É uma luta como diz a Simone de Beauvoir para que a mulher seja não seja o outro, o que vive a margem, subalternizado, o segundo sexo. Além de ser uma luta que questiona a cultura machista que impõe também estereótipos sobre o ser homem. </span></p>



<h4 class="wp-block-heading"><b>5) As mulheres dos escritores</b></h4>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">A parte 16 também me chamou atenção. A Rosa traz algumas mulheres que abdicaram da vida própria para viver em função dos seus maridos escritores e que ainda eram vistas como megeras e loucas. Ela chama inclusive as esposas dos escritores de uma &#8220;antiga instituição literária&#8221;, que felizmente está em processo de extinção. Ela fala muito de Fanny, esposa de Robert Louis Stevenson (autor de O médico e o monstro) e Sonia Tolstoi, esposa de Leon Tolstoi.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">É só um exemplo de que durante muito tempo a mulher foi sempre vista como parte da vida de um homem e não alguém com vida própria. O homem tinha direito pela vida da mulher.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Aqui também acho interessante ler <a href="https://amzn.to/3NnGWbk" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&#8220;Um teto todo seu&#8221;</a>, da Virginia Woolf, e &#8220;<a href="https://amzn.to/3Q4bqkm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Os homens explicam tudo para mim</a>&#8220;, da Rebecca Solnit.  </span></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">Amazon:  <a href="https://amzn.to/2G9gFz0" target="_blank" rel="noopener">A louca da casa</a> </p>



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