Oie! Hoje compartilho minhas notas de janeiro: fragmentos dos cadernos, fotografias e descobertas culturais.
1. Imersão literária: Eliana Alves Cruz

Já faz um tempo que vejo bons comentários sobre a literatura de Eliana Alves Cruz. E como não sou imune ao marketing editorial e ao algoritmo, acabei pegando Meridiana (Companhia das Letras, 2025) para ler.
Após finalizar a leitura, só pensei que Meridiana é um livro “muito Brasil”. Nosso Brasil é um país da classe trabalhadora. A grande maioria da população vive do/para trabalho, principalmente, para sobreviver. Temos muitos trabalhadores informais, precarizados, que continuam nessa situação porque precisam ter algum dinheiro no final da semana ou no final do mês para comer. Também somos o país em que a mudança de melhoria de vida acontece por meio da educação – ingressar em um curso técnico, fazer graduação, passar em um concurso público muda/ mudou o status social de muita gente. Meridiana é um retrato justamente de uma família que ascende socialmente porque Ernesto, homem negro que nasceu e cresceu na favela, o pai de Meridiana, passa em um concurso e se torna funcionário público.
A partir desse contexto, pensamos em questões sociais e econômicas, levando em consideração a interseccionalidade. Apesar de uma família pobre passar a ser o que chamamos de classe média e ir morar em um condomínio, isso não apaga outras marcações sociais como raça, gênero e sexualidade. Eliana criou seis personagens – Ernesto, Aurora, Zuleica, César, Augusto e Meridiana – para nos lembrar que mesmo tentando silenciar o passado, a sociedade brasileira ainda impõe valores do passado no contemporâneo. Por isso é emblemática a frase de Meridiana para Nandi: “[…] a única maneira que tenho de responder quem você é… é te contar de onde você veio” (p. 168).
Não importa aonde você chegou, a sociedade vai querer saber de quem você é filho, de onde você saiu, qual o seu sobrenome, principalmente, se você for uma pessoa negra, parda, indígena. A leitura de Meridiana me recordou o livro De onde eles vêm, do Jeferson Tenório, que ao tratar sobre cotas raciais em universidades públicas, também denuncia a falta de políticas de permanência dos estudantes nesses espaços que não foram pensados para pessoas como eles.
Em Meridiana, Eliana não fala sobre políticas de permanência, mas retrata episódios cotidianos de resistência, um cotidiano político, que Meridiana, Zuleica e tantas outras pessoas negras precisam criar para viver/usufruir dos ganhos da ascensão econômica.

Gostei tanto da leitura de Meridiana que comecei a ler, logo em seguida, Solitária (Companhia das Letras, 2022). O tema principal é o descaso com as trabalhadoras domésticas. É um livro muito forte! E podemos discutir sobre segregação socioespacial – o “quartinho de empregada”, “o elevador de serviço”, “a porta de serviço”; educação como forma de (auto)conhecimento crítico; invisibilidade de algumas classes de trabalhadores e de pessoas negras; trabalho em situação análoga à escravidão.
“Hoje fico com pena do sacrifício que era se tornar invisível. Além dos espaços apertados que ocupávamos, o silêncio era um companheiro. Uma boa serviçal é silenciosa, e a criança que é filha dessa mulher também deve ser. Ela não podia rir como uma criança, não pode pular ou fazer travessuras como uma criança. Ela não é uma criança. É um incômodo, alguém apenas tolerado” (p. 97).
Quis continuar a imersão literária Eliana Alves Cruz, mas algumas outras leituras precisavam de atenção. Só que sigo aqui paquerando Nada digo de ti, que em ti não veja (Pallas Editora, 2020) e Água de Barrela (Editora Malê, 2020).
2. Assistir séries antigas é uma das minhas formas de descansar
O primeiro tema do meu novo podcast, Te enviei um áudio, foi o descanso. Enquanto amadurecia o texto para compartilhar com o mundo, pensei no que era descanso para mim. No processo descobri que uma das minhas formas de descansar é assistir séries antigas. Sabe quando você se deita, dá play e esquece do mundo? É sobre isso!
Em janeiro, duas séries me acompanharam nessa jornada do descanso: Dark e The Vampire Diaries, ambas disponíveis na Netflix. Eu recomendo para quem curte ficção científica, suspense e fantasia. Nada melhor do que esquecer dos boletos com viagens do tempo e vampiros bonitões!
3. Série: All Her Fault (PrimeVideo)
“Você consegue fazer qualquer coisa”.
“Você é incrível”.
As frases acima foram ditas para duas mulheres-mães por seus respectivos maridos. Mulheres Mães Incríveis e cansadas de serem incríveis. All Her Fault foi uma das séries mais comentadas de janeiro. E, sem dúvidas, valeu o hype. É um suspense dramático que levanta discussões importantes para atualidade: sobrecarga do trabalho materno; a dificuldade de conciliar carreira e maternidade, principalmente sem rede de apoio; a culpa por ser mãe e ter uma profissão; masculinidade tóxica. Vale o play!
5. Registros do cotidiano






Livros na Amazon:
Nada digo de ti, que em ti não veja
Esta publicação também foi publicada na minha Newsletter Notas da Vida.

Fiquei muito interessada nesses livros que você leu. E to doida pra ver All Her Fault também.
Mas tenho tentado cada vez mais inserir obras (cinema, literatura, música) que não sejam americanas no meu repertório porque sinto que a gente se distancia muito daquilo que se assemelha a nossa realidade quando só consome o que está nesse padrão europeu / norte americano.
Gostei muito de como você descreveu o que fez parte do seu mês!
Um abraço ♡
Entendo demais sua tentativa! E super apoio! Por aqui tenho tentado ver mais filmes brasileiros. E sou fã de literatura brasileira contemporânea. Obrigada pela visita!
Um abraço!
Oi Jeniffer! Eu também curto demais assistir séries antigas, minhas favoritas são “Caçadora de Relíquias”, que hoje assisto no Pluto.TV e “Todo Mundo Odeia o Chris”. Seus registros do cotidiano também foram bem bonitos, curti demais a cachoeira e o por do sol em Salvador!
Nossa, Todo mundo odeia o Chris é mt boa! Adoro!
Obrigada pela visita, Willian!
Oi, Jeniffer!
Nossa, eu não conhecia o trabalho da Eliana Alves Cruz, mas fiquei interessadíssima pelo que você contou das histórias dela, principalmente Meridiana… Acho que vou procurar depois, viu, a curiosidade tá batendo por aqui!
Que LINDA sua foto da cachoeira de Oiti! Nossa, arrasou demais!
Leiaa! Vale d+ a leitura!
<3
Quero muito ler Meridiana, mas acho que vou esperar ver se o clube do livro escolhe ele haha
Você mencionou a série Dark, como eu amo essa série, tô com vontade de assistir tudo de novo!
https://nyrtais.blogspot.com/
Aahhh se for para ler em clube vale esperar mesmo. 😉
Dark entrou para minha lista de séries para rever de tempos em tempos! <3