Vícios solitários

Experimente organizar um dia inteiro para você. Não estou falando apenas de momentos de beleza e cuidados com o corpo, mas um momento de intimidade e sossego. Ir para cozinha e fazer algo especial pensando apenas no seu gosto, com bastante pimenta ou tempero. Escolher um vinho que não combina com a comida, mas é o preferido. Ouvir aquele CD brega que seus amigos não curtem, porém é um dos favoritos e te traz boas lembranças.

Um tempo seu. Longe dos olhares e gostos alheios, da confusão do mundo. É a sua confusão, o seu momento. Dance na sala ao som do seu CD brega, faça aquela dancinha antiga de quando era criança, imite a Beyoncé e o Justin Timberlake. Escolha um filme sem precisar se preocupar com a hora da sessão e os compromissos dos outros. Leia um livro que está esquecido na estante. Medite. Reze. Durma jogado no sofá da sala. Ou faça um passeio sozinho.

É uma forma de descanso do mundo, dos outros, da correria do dia, e do peso que, às vezes, existe de ter que ser aquilo que não é. Não é fugir, não é solidão. É acolhimento e principalmente, um tempo para se conhecer melhor e aprender a viver com si mesmo, com os medos, as alegrias. Uma forma de autoconhecimento. Se você se conhece, se entende e se respeita, fica um pouco mais fácil compreender o outro e o mundo.

Não há mal nenhum em passar um tempo sozinho, ou melhor, um tempo em sua própria companhia. Como escreveu o colombiano Andrés Caicedo, “Acolha os vícios solitários.”.

Você pode gostar também de

Comentários 2

  • Cello Reed

    1 de junho de 2015

    Responder

    Vícios solitários, creio que são os únicos que tenho…
    E, só pra constar, faço tudo isso e muito mais (risos) 😉
    Mas falando “sério”, acredito que essa atitude/comportamento/prática [estar consigo mesmo] é o que tem faltado em nossas sociedades, principalmente as ocidentais (e capitalistas). Um pouco mais de “estar consigo mesmo” faria um bem enorme não somente para as próprias pessoas – que desfrutam desse privilégio de estar consigo mesmo – como para as que estão à sua volta e, consequentemente, para a sociedade de modo geral.
    Amo estar a sós comigo mesmo, sozinho ou não.

Deixe uma resposta