Todo Vícios

Stella é artista plástica e atriz bem-sucedida. João é publicitário e viciado em remédios por conta de problemas emocionais. Esses dois opostos se encontram e começam a tentar se relacionar. Ela sempre aparentemente tão resolvida na vida e ele com seus vícios. A gente sabe desde o início que a relação não tem futuro, mas então por que tentar?

Essa é a premissa do livro Todo Vícios, da escritora e atriz Maitê Proença, publicado em 2014 pela editora Record. O livro vai falar sobre o amor maduro, já que os personagens estão entre os 40 e 50 anos, em tempos modernos. Stella e João se conhecem através de amigos em comum e começam a se relacionar, principalmente, por mensagens de celular. Poucos encontros acontecem mas longas mensagens são trocadas. Se já é complicado se relacionar olho no olho, construir um relacionamento por mensagem pode ser ainda mais. A própria autora, em entrevista para o Estadão durante o período de lançamento, disse:

Se já era complicado quando os namorados se olhavam diretamente, agora, que são só as palavras trocadas por meio de um visor, é mais difícil se entender. No livro, Stella e Pedro têm a ilusão de que se conhecem, mas na verdade não: quando vão para a cama, descobrem que são estranhos. A internet é sedutora, mas não pela facilidade de fazer amigos e sim para desfazer amigos. Antes, era difícil terminar uma relação, hoje é simples: você deleta a pessoa.

O livro oscila em três narradores, às vezes temos Stella em primeira ou terceira pessoas, e em outras passagens, temos João. Isso tudo sempre intercalado com os torpedos trocados pelo casal. A narrativa fica fluída e é interessante observar as trocas de mensagens irônicas, felizes, apaixonadas, tristes e que nem sempre são recebidas da maneira esperada pelo destinatário.

O problema com o sistema de mensagens que havia elegido para nós – porque foi ele quem determinou como seriam nossos contatos, eu teria preferido chamadas com voz, teria escolhido enxergar a pessoa na minha frente com mãos, pernas, olhares – é que, uma vez enviadas, não têm retorno, e a expressão do rosto não vai junto para suavizar a crueza das palavras, nem o arrependimento vai colado ao gesto que se precipitou. (Stella, pag 71)

O relacionamento de Stella e João é destrutivo. Em vários momentos eu queria muito que eles se separassem ou largassem os celulares para tomar um café e resolver de uma vez por todas a situação. E principalmente eu torcia para que Stella seguisse com sua vida bem longe de João – apesar de descobrir que ela era neurótica e também tinha seus problemas emocionais. Eles tinham míseros momentos de alegria, o sexo não era bom, mas alguma coisa ainda continuava ligando um ao outro e lá estava mais um SMS no celular.

Apaixonara-se sem conhecer meus eventuais talentos. Não sabia o que eu pensava ou como funcionava, e estou longe de ser bonito. Passei a imaginar que ela se atraía por minha doença. Não pelas características que me compõem, mas pela desordem em que se encontravam. Eu não era um homem, mas um projeto, e ela precisava de mim como o missionário precisa do ateu. Para salvá-lo. ( João, pag 119)

O título do livro diz muito e com o passar da leitura é até possível entender o que prende os dois aquele romance fadado ao fracasso. Não espere uma história feliz mas observe nas entrelinhas as armadilhas existentes na urgência em ser feliz plenamente a qualquer custo.

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Comentários 8

  • Diego França

    28 de março de 2016

    Responder

    Oi Jen!
    Menina sabe que eu adoro a Maitê, né? Essa linda – não envelhece nunca! (rs.
    Quando assisti a entrevista que ela deu no Jô apresentando esse livro fiquei tão a fim de ler e não sei por que ainda não li. Gosto de histórias reais, que envolve romance real, atual e esse mundo tão estranhamente – ao mesmo tempo tão querido – tecnológico e superficial.

    Vou ler, me ajude! Me incentive, me lembre sempre (rs.).
    Bjão.
    Diego, Blog Vida & Letras
    http://www.blogvidaeletras.blogspot.com

    • Jeniffer Geraldine

      28 de março de 2016

      Responder

      Amore,
      Leia logo! Também tenho essa mania de me empolgar com um livro novo e depois deixá-lo de lado. Muita informação, né? Toda hora um lançamento chega.
      Mas esse livro da Maitê é bem bom mesmo. Peguei emprestado. Se fosse meu, te emprestaria.

      Beijos <3

  • Camila Faria

    30 de março de 2016

    Responder

    Achei bem interessante a premissa Jeniffer. Essa coisa complicada dos romances na era digital, fiquei bem curiosa para saber mais sobre o livro. Vou procurar! 🙂

    • Jeniffer Geraldine

      30 de março de 2016

      Responder

      É uma leitura bem boa. Espero que você goste! 😉

  • Stephanie Ferreira

    30 de março de 2016

    Responder

    Fiquei super curiosa com o proposta do livro, adoro a Maite e não sabia que ela tinha lançado um livro.
    Beijão

    • Jeniffer Geraldine

      31 de março de 2016

      Responder

      Ela tem outros livros publicados, Stephanie. Alguns de crônica.
      Beijos!

    • Jeniffer Geraldine

      31 de março de 2016

      Responder

      Oie, Vanessa! Fui ver seu blog e adorei. Fiquei feliz em saber que é de Salvador. 😀
      Obrigada pela visita e volte sempre.
      Beijos!

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