The Mask You Live In – Como estamos criando nossos meninos?

Como estamos criando nossos meninos? É essa pergunta que o documentário The Mask You Live In (A máscara em que você vive) pretende responder e nos fazer refletir.

Produzido pelo The Representation Project, movimento que tem como missão utilizar documentários e outras mídias para expor injustiças criadas por esteriótipos de gênero e assim conscientizar pessoas e prepará-las para mudanças, The Mask You Live In foi lançado em 2015 e traz depoimentos de meninos e homens, e entrevistas com sociólogos, psicólogos, educadores e psiquiatras, para debater sobre a cultura machista que existe na sociedade dos EUA.

Estamos vivendo um momento de explosão do movimento feminista mas não podemos falar em ser feminista, sem falar do machismo. Afinal, muito do que defendemos e lutamos no feminismo existe por causa da cultura machista. Uma das perguntas do documentário é: o que estamos ensinando aos nossos garotos sobre ser mulher?

Os meninos não podem ser vistos como fracos, não podem expor os sentimentos e quantas vezes já ouvimos alguém falar: “engula o choro. Deixe de ser mulherzinha. Seja homem!”. The Mask You Live faz um retrato do que é ser homem, de acordo com a cultura popular dos EUA, mas que pode muito bem representar o Brasil. Masculinidade é ter habilidade atlética, sucesso econômico (dinheiro, posses, altos cargos) e conquistas sexuais. Para ser homem, de verdade, você precisaria ser isso tudo. E esses esteriótipos são reforçados massivamente através do entretenimento (filmes, TV, música), publicidade e outros meios de comunicação. O documentário traz cenas de filmes, clipes de grandes nomes da música americana, e recortes de tabloides para exemplificar.

O pai aprendeu com o filho a falar sobre sentimentos, algo que durante a infância ele não teve o direito de fazer.

O pai aprendeu com o filho a falar sobre sentimentos, algo que durante a infância ele não teve o direito de fazer.

Conversar sobre o que sente pode ajudar contra depressão e casos de suicídio, algo muito comum entre garotos dos EUA.

Conversar sobre o que sente pode ajudar contra depressão e casos de suicídio, algo muito comum entre garotos dos EUA.

Mas quando forçamos os garotos a serem hiper-masculinizados, diminuímos as garotas, e reforçamos esteriótipos machistas que prejudicam toda a sociedade e ainda geram grandes chances de casos de bullying e violência de diversos tipos. E ainda os garotos perdem a chance de serem completos, de serem aquilo que realmente querem ser, e não o que a cultura impõe.

Meninos e meninas são muito mais humanos e muito mais iguais do que são diferentes.

O documentário ainda traz outras questões: uso de álcool e outras drogas, como fuga e busca de coragem para falar sobre sentimentos, conquistar garotas, e outros motivos; o papel do esporte e de treinadores na formação dos meninos (o esporte tem um papel muito forte na cultura dos EUA); a hiper-feminização – tudo para as meninas precisa ser rosa, delicado e até, em alguns casos, sensuais; a hiper-masculinização – programas e brinquedos violentos, os arquétipos de homens do entretenimento (calados, sérios, fechados) e os exemplos que são passados de masculinidade (polícia, forças armadas, esportes e os grandes astros do cinema, tv e música); cultura de estupro – criamos homens para rejeitarem as mulheres, desrespeitá-las, sempre apontá-las como sexo frágil e, nunca, jamais, serem iguais às meninas.

The Mask You Live In toca na ferida – todos esses meninos são filhos da nossa cultura machista, mas ao mesmo tempo coloca um curativo dizendo que podemos/devemos fazer diferente. E tudo pode começar se deixarmos nossas crianças serem completas e não apenas meninos e meninas.