O que é lugar de fala? | Djamila Ribeiro

Vocês decidiram e eu tive uma das melhores leituras do semestre, sem dúvidas. 💜

Vou usar o clichê, pequeno em tamanho, enorme em conteúdo.

Leitura interessante para nos fazer pensar sobre: descolonização do conhecimento e pensamento; interseccionalidade; os feminismos e a importância do feminismo negro; e o lugar de fala (lugar social) de cada um. Djamila Ribeiro (e as autoras que ela traz no livro), nos faz refletir sobre de que lugar (locus social) falamos?

Não são as nossas vivências pessoais mas o que podemos ou não viver de acordo com nosso lugar social, que é marcado por raça, gênero, classe social e orientação sexual. Inclua na sua lista “O que é lugar de fala?”.

E vamos ficar de olho na coleção “Feminismos Plurais”, da Editora Letramento, porque tem muita coisa boa!

 

Você decide #1

Hoje tem estreia do VOCÊ DECIDE.

A ideia é que você me ajude a escolher a próxima leitura e também o que devo ver em série, filme e documentários para depois conversarmos sobre.

 

LIVRO: O que é lugar de fala? (Djamila Ribeiro) OU Feminismo em comum (Marcia Tiburi)

FILME: Tão forte e tão perto OU Eu, Daniel Blake

DOCUMENTÁRIO: Humano, uma viagem pela vida OU What happened, Miss Simone?

SÉRIE: Pequenas grandes mentiras OU This is us

 

 

Favoritos de março/2018

Hoje tem os favoritos do mês para finalizar a retrospectiva do mês de março.

Veja no vídeo os favoritos nas categorias: livro, filme, série, documentário e conteúdo.

 

Links citados:

Os livros lidos em março/2018

A louca da casa

Filmes e documentários que vi em março

Maya Angelou, e ainda resisto 

Série Collateral

Jane Austen é feminista | Canal Conexão feminista

Canal da Carol Miranda 

Reportagem sobre a palavra “novinha”

Do acarajé à cajuína: os sabores que preservam a história do Brasil

As leituras de março

Primeiro vídeo da retrospectiva de março/2018. Hoje compartilho os livros lidos no mês.

Não consegui ler tudo que planejei para o projeto Leia Mulheres no mês de março, mas faz parte. Mudei algumas leituras, li mais um romance do Jorge Amado e um livro do filósofo italiano Giorgio Agamben.

 

 

Links citados:

Os homens explicam tudo para mim

A louca da casa

Cartas secretas jamais enviadas & Últimas mensagens recebidas

Projeto #AmandoJorge

 

A louca da casa (Rosa Montero)

Eu finalmente li o “A louca da casa”, da escritora e jornalista espanhola Rosa Montero. E hoje quero bater um papo com vocês sobre a minha experiência de leitura, o que ficou desse livro em mim, o que ele me fez pensar sobre a vida.

Ou seja, não é uma resenha, é um papo sobre “A louca da casa”.

Eu não fazia ideia do que era esse livro, mas sempre tive vontade de ler por causa do título “A louca da casa” e dessa capa que eu acho vibrante, impossível que não chame atenção em qualquer prateleira.

Lendo descobri que é um grande ensaio sobre a literatura, a narrativa, o ser romancista/escritor, mas também é sobre a louca da casa, que é como a Rosa chama a imaginação, o ponto de partida da maioria das narrativas e o que move muitos escritores. Além também de ser um livro sobre loucura, paixões amorosas e, é claro, a vida da Rosa Montero. Ele é autobiográfico, se nós leitores acreditarmos que a Rosa é uma narradora confiável.

O livro é dividido em 19 partes, sem títulos. Há muitas histórias sobre a vida de outros escritores, inclusive muitos clássicos, para exemplificar os temas abordados. E também episódios curiosos e engraçados da vida da autora, já que como ela mesma diz suas lembranças são organizadas em torno de namorados e livros.

Vou compartilhar com vocês alguns pontos que me chamaram atenção ao longo da leitura:

1) Todo ser humano é um narrador

Por acreditar que literatura é vida, Rosa também diz que todo ser humano é um potencial narrador e romancista.  “Nós nos mentimos, nos imaginamos, nos enganamos” durante toda a vida, e somos autores de um romance único que vamos escrevendo ao passar dos dias e que assumimos o papel de protagonista.  Concordo demais, e se levarmos essa possibilidade de cada ser humano ser um romancista, um grande narrador da própria vida para o nosso momento atual, em que vivemos conectados, podemos dizer que criamos narrativas diárias nas redes sociais, sobre quem somos e como vivemos.

2) A imaginação é a louca da casa

Meu Deus, sim! A casa é nosso corpo, nossa existência. E a louca desse lugar é a imaginação. Eu tenho uma imaginação muito fértil. Eu olho para pessoas, coisas, momentos, até fotografias, e invento narrativas. Às vezes é bem complicado conviver com tantas ideias na cabeça, que estou pensando seriamente em passar a escrevê-las.

Rosa também fala de como vamos limitando nossa imaginação à medida que vamos crescendo porque ficamos naquela ideia de que imaginar, dar asas a imaginação, é coisa de criança. Então de certa forma, ser romancista é deixar um pouco viva essa criança que fomos um dia e conviver bem com a louca da casa.

3) Compromisso da escrita

Há um compromisso ao escrever. Rosa diz que o escritor deve “permanecer sempre alerta contra o senso comum, contra o preconceito próprio, contra todas ideias herdadas e não questionadas que se infiltram insidiosamente em nossa cabeça”.

Olha que fantástico isso: “permanecer sempre alerta…contra todas ideias herdadas e não questionadas que se infiltram insidiosamente em nossa cabeça.”

Acredito que é um compromisso do escritor, mas é um compromisso de qualquer pessoa que deseja olhar para o seu tempo, seu lugar, de forma crítica. Trazendo para o hoje e também para a realidade de quem não é escritor, vivemos um momento de fake news. Por que as pessoas recebem uma notícia e não a questionam, não buscam outras fontes, não checam? Preguiça de pensar e de desejo de permanecer na zona de conforto com suas próprias ideologias e verdades.

Muitas das pequenas ou grandes revoluções começaram por conta de um questionamento. Escrever é um ato político, e ler também é.  Fiquei pensando bastante nessas questões quando Rosa falou sobre o compromisso da escrita.

4) O peso semântico do feminismo

Na parte 13 do livro, Rosa vai admitir que é anti-sexista por conta do peso semântico que o feminismo tem, mas respeita os movimentos feministas e também se considera uma feminista e usa essas palavras por reconhecer a importância histórica e atual dos movimentos.

Essa parte do livro é muito boa porque também ela vai comentar sobre duas perguntas que não aguenta mais responder: existe uma literatura de mulheres? Prefere ser jornalista ou escritora?

O peso semântico do feminismo é forte mesmo. Muitas pessoas só de ouvirem a palavra já abominam os movimentos e não gostam do feminismo porque atribuem um significado com base no senso comum: é a oposição ao machismo, é a mulher dominando o mundo. Sendo que não é. É uma luta por equidade. É uma luta como diz a Simone de Beauvoir para que a mulher seja não seja o outro, o que vive a margem, subalternizado, o segundo sexo. Além de ser uma luta que questiona a cultura machista que impõe também estereótipos sobre o ser homem.

5) As mulheres dos escritores

A parte 16 também me chamou atenção. A Rosa traz algumas mulheres que abdicaram da vida própria para viver em função dos seus maridos escritores e que ainda eram vistas como megeras e loucas. Ela chama inclusive as esposas dos escritores de uma “antiga instituição literária”, que felizmente está em processo de extinção. Ela fala muito de Fanny, esposa de Robert Louis Stevenson (autor de O médico e o monstro) e Sonia Tolstoi, esposa de Leon Tolstoi.

É só um exemplo de que durante muito tempo a mulher foi sempre vista como parte da vida de um homem e não alguém com vida própria. O homem tinha direito pela vida da mulher.

Aqui também acho interessante ler “O teto todo seu,” da Virginia Woolf, e “Os homens explicam tudo para mim”, da Rebecca Solnit.  

Conteúdo em vídeo:

 

Links citados:

Amazon:  A louca da casaOs homens explicam tudo para mim | Um teto todo seu

Os homens explicam tudo para mim

Documentário The mask you live in

Exposição O Sertão de João Machado

 

Espalhe “A louca da casa (Rosa Montero)” por aí! 😉

Clube do livro Alagoinhas chega à 5ª edição com romance de José Saramago

José Saramago é um dos grandes nomes da literatura portuguesa e um dos seus livros mais famosos é o “Ensaio sobre a cegueira”, obra que será leitura do Clube do Livro Alagoinhas no mês de abril.

O livro venceu a votação no grupo do Facebook que teve como tema literatura portuguesa. “Ensaio sobre a cegueira” foi publicado pela primeira vez em 1995 e ganhou uma adaptação para o cinema, em 2008, com direção do brasileiro Fernando Meirelles.

O encontro acontece no dia 21 de abril, às 15h, no Centro de Cultura, e tem entrada gratuita.

Sinopse: Uma terrível “treva branca” vai deixando cegos, um a um, os habitantes de uma cidade. Com essa fantasia aterradora, Saramago nos obriga fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu.

Sobre o Clube do Livro Alagoinhas: Projeto cultural de incentivo à leitura. Queremos reunir pessoas apaixonadas por leitura em um encontro mensal para conversar e compartilhar experiências. Como funciona? Leitura de um livro por mês. A votação é feita no Grupo do Facebook após uma pré-seleção de obras.

 

Clube do Livro Alagoinhas – 5ª edição

Data: 21 de abril de 2018

Local: Centro de Cultura

Horário: 15h

Nome do livro: Ensaio sobre a cegueira

Autor: José Saramago

Mediadores: Jeniffer Geraldine, Julianna Santos e Marcello Alves

Contato: oi@jeniffergeraldine.com

Apoio: Centro de Cultura de Alagoinhas

Entrada: Gratuita

Cartas secretas jamais enviadas & Últimas mensagens recebidas

Durante parte da adolescência, eu tinha o hábito de trocar cartas com amigas. E tinha também o hábito de escrever em diário, o que muitas vezes, lembro bem, resultava em cartas que escrevia para mim ou para outras pessoas. As que eram destinadas para mim se perderam e muitas das que eram destinadas para outras pessoas jamais foram enviadas e também se perderam.

Emily Trunko, uma jovem de Ohio, também tinha a mania de escrever cartas para amigos e outras pessoas que fizeram parte da vida dela em algum momento, e resolveu começar um Tumblr para publicar essas cartas, o “Dear My Blank”, em 2015. Esse espaço na internet acabou se tornando uma comunidade de apoio quando várias pessoas, assim como eu e Emily, haviam escritos cartas que nunca foram enviadas.

O projeto ganhou destaque na mídia, se transformou em livro em 2016, e chegou ao Brasil pela Editora Seguinte, do Grupo Companhia das Letras.

O Tumblr que deu origem ao livro ainda está na ativa e na época que o livro foi lançado já tinha mais de 35 mil seguidores. Emily mantém o anonimato do destinatário e do remetente e qualquer pessoa pode submeter uma carta através da plataforma.

As pessoas encontraram ali apoio, um espaço para desabafar, ser ouvido, se comunicar, colocar para fora sentimentos, frustrações, se despedir de alguém, se declarar para alguém. O “Cartas secretas jamais enviadas” é dividido em Querido eu, Querido mundo, Amor, Amigos, Família, Coração partido, Traição e Perda.

Seguindo o mesmo modelo do “Cartas secretas jamais enviadas” e do projeto online “Dear My Blank”, a Emily criou o “The Last Message Received” que também deu origem a um livro o “Últimas mensagens recebidas”, dessa vez as pessoas foram estimuladas por Emily a enviar as últimas mensagens que receberam de alguém que era importante na vida delas.

Apesar de ser um livro bonito, com ilustrações da Ale Kalko (o Cartas secretas também é ilustrado pela Ale), há mensagens bem pesadas e chocantes. O que impressiona é que com poucas palavras uma pessoa pode acabar com o sonho de alguém, destruir ainda mais a autoestima de uma ex-namorada, reforçar esteriótipos, violentar.

Nessa compilação também há algumas mensagens de suicidas, tanto que nas páginas finais dos dois livros encontramos contato de instituições como o Centro de Valorização da vida e da ABRATA.

As últimas mensagens recebidas vêm acompanhadas também de um rodapé para contextualiza-las, e a gente fica meio chocado com o que lê.

Resolvi compartilhar esses dois livros no blog porque são projetos que fazem refletir sobre a importância da comunicação, do diálogo, de conversar e ouvir o outro, de perceber o outro. De tirar um tempo na correria do dia a dia para dar atenção aos nossos amigos, amores, família.

Conteúdo em vídeo (tem imagens dos livros por dentro):