[Diário de Leitura] Mentiras no Divã – Os sujeitos por trás dos profissionais

[…] Rick, de pé junto à porta, disse: – Então a implicação de Nietzsche para você é bem simples. Se esta organização real e sinceramente acredita que um terrível mal foi feito aos pacientes de Seth e se restou alguma integridade a esta organização, então existe um único curso aberto a você – isto é, se você quiser agir de maneira moral e legalmente responsável.

– E o que é? – Perguntou Weldon.

– Recall!

[…] Mas recall – disse Morris Fender –, por causa de interpretação errada?

– Não minimize uma questão séria, Morris – disse Marshal. – Existe alguma ferramenta analítica mais poderosa que a interpretação? E não estamos de acordo de que a formulação de Seth é, ao mesmo tempo, errada e perigosa?¹

De início quero pedir desculpas pela transcrição um pouco prolongada; mas esta se faz necessária para dar o tom à discussão que quero propor – fruto das reflexões que as mesmas provocaram em mim.

No decurso do capítulo sete, mais que um julgamento dos atos de um profissional da área de saúde mental, um emaranhado de questões éticas, concepções ideológicas e jogos de interesses são lançados à roda de discussões – o que provocou em mim as reflexões sobre o perfil, o caráter e a formação de algumas profissões, a saber: médicos, psicólogo/psicanalistas e professores.Continue lendo

Universo Game of Thrones – Livros

George R. R. Martin começou a escrever As crônicas de gelo e fogo em 1991 e somente em 1996 teve o  primeiro volume publicado. Era para ser uma trilogia, mas  já tem cinco livros lançados, mais dois em produção, além de três contos e novelas – isso tudo usando um computador de 1980. Em 2009, os quatro primeiros volumes da série estiveram na lista dos mais vendidos do New York Times. Após o lançamento do seriado, em 2011, a venda de livros aumentou, assim como o número de fãs e a produção de tudo que podemos imaginar sobre Westero e seus habitantes.

No Brasil, a editora que possui o direito de publicação e tradução das Crônicas de Gelo e Fogo é a LeYa. O primeiro volume foi publicado em setembro de 2010 e em 2011 foi apontado pelo  jornal O Estado de São Paulo como o quarto livro mais vendido no país.Continue lendo

Meus Desacontecimentos – Eliane Brum

Eu sou uma pessoa de poucas palavras ditas, gosto das escritas. Isso me faz ser uma boa ouvinte e eu gosto de ouvir/ler o que as pessoas têm a dizer, principalmente sobre os acontecimentos das suas vidas. Em especial aqueles que me deixam mais ainda sem palavras. Aquele papo que ao final eu vou soltar algo do tipo: nossa, nem sei o que dizer! Eu li o novo livro da jornalista Eliane Brum, “Meus desacontecimentos – a história da minha vida com palavras” (Editora Leya, 144 páginas), e foi exatamente esse o meu pensamento ao terminá-lo.

Às vezes me perguntam o que aconteceria comigo se não existisse a palavra escrita. Eu respondo: teria me assassinado, consciente ou não de que estava me matando. É uma resposta dramática, e eu sou dramática. O que tento dizer é que, se não pudesse rasgar o papel com a caneta, ainda que numa tela digital, eu possivelmente rasgaria o meu corpo. E, em algum momento, o rasgaria demais. – pag 17

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[Livro & Filme] O menino no espelho

O que você quer ser quando crescer?

Acredito que na infância, a gente escute essa pergunta muitas vezes e é quase uma obrigação ter uma resposta antes dos 16 anos. Engraçado é que só descobri o que queria ser com quase 18 anos. Não queria saber de ser adulto antes disso, queria saber era de ser criança.

Talvez venha daí o meu amor por livros infantis, Manoel de Barros, Alice no País das Maravilhas, Peter Pan e a curiosidade imensa de conhecer a história do menino no espelho.

E foi como se Fernando Sabino pegasse na minha mão e falasse: – vem cá, deixa eu te contar todas as aventuras que vivi quando criança.

O menino no espelho, livro publicado em 1982 (Editora Record) por Fernando Sabino (1923-2004), reúne histórias sobre a infância do escritor. As aventuras de um garoto mineiro que se deixava levar pela imaginação e vontade de viver os encantos da infância. São lembranças algumas vividas, outras apenas imaginadas.Continue lendo

Estrutura do livro: Folha de guarda

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Lembro que uma vez passeando pela timeline do Twitter, a Juliana Gomes compartilhou o tumblr We heart endpapers e comentou algo mais ou menos assim: parece que esse pessoal também gosta de folha de guarda. Fiquei curiosa porque não me recordo de ver esse termo em nenhum lugar e por ser um link de tumblr, microblog que reina inspiração e coisa bacana, cliquei e entendi do que se tratava.

Primeiro, folha de guarda é uma parte do livro; Segundo, como eu não sei disso?; Terceiro, vamos resolver esse problema.Continue lendo

Biblioteca de Literaturas de Língua Portuguesa

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Biblioteca digital e gratuita com textos integrais de obras do Brasil e de Portugal desenvolvida pelo NUPILL– Núcleo de Pesquisa em Informática, Literatura e Linguística e o LAPESD – Laboratório de Pesquisa em Sistemas Distribuídos da Universidade Federal de Santa Catarina. Possui obras digitalizadas, assim como dados biobibliográficos dos autores brasileiros e portugueses. “Nosso acervo é uma rica fonte de pesquisa sobre história literária, sendo possível realizar pesquisas a respeito dos autores, das obras publicadas, datas de publicação, editoras, gênero das obras, entre outras”.

Para ter acesso não precisa fazer cadastro, mas se o fizer poderá criar anotações nas obras lidas e também ler as de outros usuários.

>> Acesse: Biblioteca de Literaturas de Língua Portuguesa

[Diário de leitura] “Mentiras no Divã” – L’chaim!

– Conte-me sobre isso, Justin. – Péssima técnica! Percebeu instantaneamente. Colocou de volta os óculos e anotou no seu bloco: “Erro – pedir informações – contratransferência?”¹

Cada vez mais ouvimos falar das doenças ou distúrbios psicoemocionais. Algumas delas, é bem verdade, são dignas de uma investigação, acompanhamento e tratamento por profissionais especialistas na área. Outras se constituem no que costumo chamar de mazelas da alma.

Stress e depressão tornam-se adjetivos corriqueiros nos status quo do individuo contemporâneo. Ao passo em que há uma desvalorização dos sentidos das palavras, há uma mercantilização das pseudo curas. Poderíamos dizer que vivemos a era da banalização do sentir.Continue lendo

Travessuras da menina má – Mario Vargas Llosa

Em Travessuras da menina má, Mario Vargas Llosa nos apresenta Ricardo Somocurcio, um peruano que tem como sonho de vida morar em Paris. Apenas isso. O que já nos mostra um pouco da personalidade dele, um cara simples e modesto. Na infância, Ricardo conhece e se apaixona por uma chilenita difícil de conquistar, Lily. São várias as tentativas de Ricardito em conquista-la, todas em vão. Mas a sua vida muda completamente a partir desse encontro.

Durante a leitura, conhecemos a Paris revolucionária dos anos 60; a Londres das drogas, da cultura hippie e do amor livre dos anos 70; a Tóquio dos grandes mafiosos dos anos 80; e a Madri em transição política dos anos 90. Enquanto, também, acompanhamos o reencontro, em cada um desses locais, entre Ricardito e sua chilenita que em cada local assume uma identidade.

A Menina Má é ambiciosa e aventureira. Gosta do luxo e para conseguir viver na riqueza se joga no mundo com vontade. Não se conforma com pouco e muito menos com a vida modesta de tradutor da UNESCO que Ricardito, o bom moço, leva em Paris. Ela queria o mundo enquanto ele queria apenas ela. Sua felicidade estaria completa em apenas viver ao lado da mulher que sempre desejou.Continue lendo

Laços de família – Clarice Lispector

Recentemente tive uma grande ressaca literária. As tentativas de iniciar leituras foram muitas e sem sucesso. Mas não queria passar o mês sem ler nada e comecei a buscar soluções para diminuir ou acabar de vez com a ressaca. Dentre as soluções, pensei em reencontrar uma velha amiga, Clarice Lispector. A última vez que li algo da escritora foi em 2011, o Clarice na cabeceira (crônicas).

O livro escolhido para nortear esse encontro foi Laços de Família, que reúne 13 contos publicados pela primeira vez em 1960 e que deu para Clarice o prêmio Jabuti de literatura em 1961.

Em Laços de Família, Clarice expõe de forma íntima o dia a dia das suas personagens. Qualquer pessoa veria a rotina de uma dona de casa como algo simples e banal, Clarice enxerga isso como algo profundo e complexo. Em cada conto, Lispector trata também dos laços que unem ou aprisionam as personagens aos seus familiares.

A escritora, sem dúvidas, nos faz pensar que nem tudo é sempre tão simples e raso. Há pequenos detalhes na rotina diária que pode trazer mudanças na vida, basta apenas, de vez em quando, ter um pouco mais de atenção ou se deixar levar pelo que pode fugir à regra. A realidade é sempre maior do que aquilo que se vê. E assim, Clarice me fez lembrar o trecho do poema “As lições de R. Q” do Manoel de Barros: “… é preciso transver o mundo”.Continue lendo