Mulheres no Cangaço

Quem era Maria, sem ser a Bonita, sem ser a personagem do imaginário popular?

Maria Bonita era/é um produto da indústria do entretenimento. Maria de Déa era uma mulher comum, nos anos 1920, que não seguiu o destino esperado por sua família e a sociedade do interior da Bahia. Ainda casada, se apaixonou por Virgulino Pereira, o Lampião, e foi viver com ele pelo sertão nordestino. Foi a primeira e única mulher que escolheu viver entre os cangaceiros. Todas as outras não tiveram a opção de escolha.

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“Não existe isso no Brasil”

Em plena segunda-feira, após quatro horas de chá de espera, chamaram meu nome e entrei no consultório do cardiologista. Já estava meio tensa e curiosa para saber como andava o meu coração, que não é tão velho de guerra assim, mas já está um pouco cansado.

– Está tudo bem, dona Jeniffer. Não vejo nada demais aqui. Vamos cuidar da alimentação, tomar sol, tentar relaxar mais. Vou passar algumas vitaminas.
– Ah, que bom!
– E, como vai a crítica cultural? O que é mesmo que está pesquisando?

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Quero te contar das coisas que aprendi nos discos e o que eu vivi

Já faz tempo que estou com a música Como nossos Pais na cabeça. Eternizada na voz de Elis Regina, a canção composta por Belchior marcou uma geração e ainda faz sentido para muita gente. Eu amo demais.

Como nossos pais me faz pensar sobre muitas questões da vida, mas nos últimos dias ela tem me feito pensar sobre a minha versão produtora de conteúdo para internet. Pois é, loucura da minha cabeça fazer ligação entre uma música e o blog/canal. Ou não tão loucura assim.Continue lendo

Um diálogo com o prólogo de Úrsula

Meio da tarde. Calor de +30°. O vento que sai do ventilador é um sopro morno. Internet caiu pela milésima vez na semana. Resolvi recorrer aos livros para passar esse tempo de +30°.

Na lista infinita de livros para ler tem um que é prioridade por ser a leitura de novembro do clube do livro. A obra é “Úrsula”, da escritora maranhense Maria Firmina dos Reis.Continue lendo

Sobrevivendo ao caos

Você já deve ter visto em várias redes sociais algumas tirinhas em que uma pessoa pergunta para outra se ela está bem. A gente sempre costuma responder que está bem. Mas, ultimamente, estamos sendo obrigados a deixar as aparências de lado e dizer que não, não está tudo bem.

O Brasil está passando por uma crise política intensa e qualquer pessoa que se preocupe com o futuro democrático do país não está bem. Os verbos atuais são resistir e lutar.

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É tempo de ouvir outras histórias

Um dia minha Avó me contou uma história:

Um negro, escravo fugido, se apaixonou por uma cigana e a roubou do seu povo. Eles fugiram andando pelo sertão do interior da Bahia. Tiveram uma filha (minha bisavó). 

A partir desse momento fiquei sabendo de onde eu vinha, qual era a minha ancestralidade.Continue lendo

Vícios e virtudes

Eu tinha entre doze e treze anos de idade quando fiz a minha primeira eucaristia. Lembro como se fosse ontem o dia em que eu e meus amigos de catequese fomos confessar nossos pecados ao padre pela primeira vez. Faz parte do ritual cristão antes de receber o corpo e sangue de Jesus.

Eu lembro de ficar pensando sobre o que eu ia falar. Eu ficava tentando refletir sobre as atitudes de uma menina de doze anos que poderiam ser consideradas pecado. Não sabia direito o que era pecar. Meu Deus, o que eu tinha vivido com essa idade para ter pecado?

Acabei associando o pecado à desobediência. Me senti culpada por ter desobedecido minha mãe em algum momento e então ia confessar isso, pedir perdão para Deus e pagar por meu pecado. O pagamento foi rezar um Pai-Nosso e dez Ave Marias. Depois disso, eu nunca mais me confessei.

Esse episódio da temporada cristã da minha vida reapareceu enquanto lia o “Sete confissões capitais e outros pecados”, de Adriana Sydor. O livro é um confessionário aberto. É onde a autora vai falar sobre seus pecados consciente de que os comete, como toda boa humana. Mais importante ainda sem o peso da culpa. Até um pouco feliz por se permitir vivê-los, alguns mais intensamente do que outros. Um verdadeiro “conhece-te a ti mesmo”.

Em tempos de redes sociais digitais, em que nossa vida passa por filtros, os de imagem e os de conteúdo, pensar sobre nossos pecados, nossos vícios, talvez esteja, como disse a própria Adriana, um pouco fora de moda.

Me descobri extremamente pecadora (ok, me reafirmei como pecadora), fui cúmplice da autora em vários pecados. Ao ler sobre sua relação com a inveja, me lembrei de quantas vezes ouvi e falei: tenho inveja branca de você. Além de ser um comentário extremamente racista, é totalmente sem noção dizer isso.

Se invejamos a vida de alguém é porque há algo de errado em nossa vida, ou como Sydor confessa: a inveja explica o próprio fracasso. Esse é um dos capítulos mais interessantes do livro. A autora faz uma reflexão sobre o pecado e como conviver pacificamente com ele: “Saber o que eu invejava, prêmio de consolação, foi, pelo menos, um reconhecimento do que precisava melhorar”.

Hoje se talvez fosse fazer uma confissão, o padre ia ter que reservar uma manhã inteira do domingo para mim. Mas eu não sinto vontade de me confessar na igreja com o padre. O Deus em que acredito hoje não castiga. Acredito que eu não vou precisar rezar um Pai Nosso e dez Ave Marias para pagar pelos meus pecados. Eu só preciso assumir, principalmente para mim mesma, como Adriana fez, de que “sou, como todo mundo é, uma mistura delicada entre vícios e virtudes”.

 

  • conheça a autora e acompanhe seu trabalho através do Instagram e Blog
  • o livro foi publicado pela Travessa dos Editores e o recebi através do agente literário Stéphane Chao. obrigada! 😉

NA CABECEIRA #8

Formato Vídeo

 

No vídeo compartilho as leituras em andamento e meus planos literários para agosto. 😉

“Mar Morto” é tema da 9ª edição do Clube do Livro Alagoinhas

Com o objetivo de homenagear Jorge Amado, que nasceu no dia 10 de agosto de 1912, a leitura do mês do Clube do Livro Alagoinhas é “Mar Morto”. A obra é o quinto romance publicado pelo autor e foi a principal inspiração para a canção “É doce morrer no mar”, de Dorival Caymmi.

O encontro acontece no dia 25 de agosto, às 15h, no Centro de Cultura, e tem entrada gratuita.

Sinopse: Na beira do cais de Salvador, entrelaçam-se várias histórias de pescadores, marinheiros, prostitutas e malandros. No centro desse mundo que parece parado no tempo, isolado da história, comandado pelo mito de Iemanjá, desenvolve-se a trajetória de Guma, jovem mestre de saveiro.

Sobre o Clube do Livro Alagoinhas: Projeto cultural de incentivo à leitura. Queremos reunir pessoas apaixonadas por leitura em um encontro mensal para conversar e compartilhar experiências. Como funciona? Leitura de um livro por mês. A votação é feita nos encontros após uma pré-seleção de obras.

Clube do Livro Alagoinhas – 9ª edição

Data: 25 de agosto de 2018

Local: Centro de Cultura

Horário: 15h

Livro: Mar Morto

Autor: Jorge Amado

Mediadores: Jeniffer Geraldine, Julianna Santos e Marcello Alves

Contato: oi@jeniffergeraldine.com

Apoio: Centro de Cultura de Alagoinhas

Entrada: Gratuita