“O Cortiço” é tema da 7ª edição do Clube do Livro Alagoinhas

“O Cortiço”, do escritor Aluísio Azevedo, venceu a votação com tema “autores nordestinos”, realizada no grupo do Facebook, para ser a leitura do mês de junho do Clube do Livro Alagoinhas.  

O livro foi publicado em 1890 e é considerado a obra principal do Naturalismo brasileiro. Em 1978, ganhou uma adaptação para os cinemas com a atriz Betty Faria no papel de Rita Baiana.

O encontro acontece no dia 16 de junho, às 15h, no Centro de Cultura, e tem entrada gratuita.

Sinopse: Pobreza, corrupção, injustiça, traição. Todos esses elementos integram O Cortiço, principal obra do Naturalismo brasileiro. Aluísio Azevedo escreve um romance que denuncia as mazelas sociais enfrentadas pelos moradores de um cortiço e pelas pessoas ligadas a ele no Rio de Janeiro durante o século XIX. João Romão, Bertoleza, Pombinha, Rita Baia, Piedade, Jerônimo…ninguém escapa à análise impiedosa do narrador. Um romance que convida o leitor a analisar por meio da observação crítica do cotidiano das personagens a animalização do ser humano, questão que se mostra, mais do que nunca atual.

Sobre o Clube do Livro Alagoinhas: Projeto cultural de incentivo à leitura. Queremos reunir pessoas apaixonadas por leitura em um encontro mensal para conversar e compartilhar experiências. Como funciona? Leitura de um livro por mês. A votação é feita no Grupo do Facebook após uma pré-seleção de obras.

Clube do Livro Alagoinhas – 7ª edição

Data: 16 de junho de 2018

Local: Centro de Cultura

Horário: 15h

Nome do livro: O Cortiço

Autor: Aluísio Azevedo

Mediadores: Jeniffer Geraldine, Julianna Santos e Marcello Alves

Contato: oi@jeniffergeraldine.com

Apoio: Centro de Cultura de Alagoinhas

Entrada: Gratuita

Extraordinárias – Mulheres que revolucionaram o Brasil

“Extraordinárias — Mulheres que revolucionaram o Brasil”, de Aryane Cararo e Duda Porto, traz vários perfis de mulheres brasileiras e abrasileiradas que fizeram história no nosso país.

Assim que recebi o livro em parceria com a Companhia das Letras, me perguntei: será que tem alguma baiana? E tem sim!

No vídeo comento sobre 3 baianas extraordinárias. Confira!

 



As Perguntas – Antônio Xerxenesky

Descrição do áudio do vídeo:
Antônio Xerxenesky nasceu em Porto Alegre, em 1984. É escritor e tradutor. Um livro bem famoso dele é o F, que foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura. Conheci a literatura do Antônio através do livro As Perguntas, seu lançamento recente pela Companhia das Letras.
Em As perguntas, nós temos Alina, que é uma doutoranda em histórias das religiões e especialista em tradições ocultistas. Mas não vamos pensar que Alina é uma pessoa envolvia com o ocultismo porque ela não é, ao contrário ela é bem cética em relação a esses temas e sua pesquisa é quase uma negação a essas religiões.
Alina é uma pessoa muito racional, ela pesquisa algo que não acredita. Achei interessante e curioso isso. Se meter em algo desconhecido e ainda que não se acredita. Só que a vida de Alina não está muito fácil. Ela trabalha como editora de vídeos numa empresa, ou seja, não tem muito a ver com suas pesquisas, mas os boletos chegam e ela precisa de dinheiro pra pagar.
Um belo dia, Alina recebe ligação de uma delegacia, a delegada queria que ela fosse uma espécie de consultora em um caso que estava intrigando a policia, havia indícios de que uma seita estava acontecendo em São Paulo e deixando vítimas. Mas Alina não foi muito útil, não sabia de muita coisa, não soube como ajudar a delegada, estava nervosa e acabou não obtendo detalhes sobre o caso e nem ajudando a polícia como era esperada.
Mas aí o que aconteceu… Alina estava lá na sua vida monótona e resolve investigar por conta própria esses casos, essa tal seita, e então começa o babado do livro e na vida de Alina.
O livro começa em terceira pessoa. Um narrador que na minha cabeça sempre foi o próprio autor. É quase uma conversa, um monólogo talvez, sobre o terror, o terror no cinema, a pesquisa acadêmica de Alina. A narrativa traz uma espécie de contexto histórico do gênero horror.
No meio do livro, muda a perspectiva para primeira pessoa e Alina narra sua própria história. A leitura é rápida, eu fiz em uma noite porque fiquei contando os minutos para o possível embate de Alina com sua pesquisa. Fiquei curiosa com a possibilidade dela encarar e vivenciar o que ela pesquisava apenas na teoria e que ainda por cima desacreditava.
Vale a pena conhecer a literatura do Antônio e seu novo livro As perguntas.

Minha estante era patriarcal demais

Quando fiz o planejamento literário do mês de novembro priorizei alguns livros recebidos em parceria com editoras. Separei cinco livros. Todos eles são lançamentos de 2017. Percebi um padrão, dos cinco apenas UM era de autoria feminina. Na verdade, esse padrão eu já havia percebido em 2015 quando conheci o projeto Leia Mulheres. Minha estante era patriarcal demais.Continue lendo

As doces amargas memórias de Pedro e Alice

Escolhi o livro As doces amargas memórias de Pedro e Alice para iniciar o projeto Letras da Bahia. Recebi a obra através de uma amiga, o próprio escritor, o ilheense Pawlo Cidade, me enviou. Pawlo também é educador, dramaturgo e gestor cultural.

O livro é sobre o relacionamento de um professor de química de 33 anos, Pedro, e sua aluna de 17 anos, Alice. Tudo começou com um embate em sala de aula. Alice é uma menina muito atrevida e inteligente e queria saber no que a química ia ajudá-la a ser uma administradora de empresas.
As doces amargas memórias de Pedro e Alice é escrito sobre duas perspectivas, a de Alice e a de Pedro. Só que às vezes no meio da perspectiva de Alice, aparece a de Pedro. O que deixa a utilização do método confusa. A escrita do Pawlo é boa, mas faltou uma revisão de texto mais atenta. O autor incluiu uma trilha sonora, ao indicar músicas no início de algumas passagens e em alguns momentos da narrativa, o que é um recurso interessante no livro.

Alice e Pedro se apaixonam à primeira vista. E começam a tentar uma aproximação sempre regada a piadas e confrontos meio bobos. Eu li o livro todo mas confesso que não gostei muito porque apesar de tentar passar uma mensagem de como o ciúme pode destruir uma relação, em alguns momentos o ciúme aparece romantizado.

A imagem de Alice é sempre de uma menina boba, explosiva, louca, ciumenta e até despirocada, adjetivo utilizado para descrever a personalidade da garota em conversa de Pedro com um amigo poeta. Mas acontece que estamos falando de uma adolescente que está iniciando a fase dos relacionamentos amorosos com um homem de 33 anos. Ela entrou nessa porque quis, isso é claro no livro. Só que pra ele faltou uma atitude sensata. Se estava em um relacionamento nada saudável com uma aluna, seria melhor para ambos seguir com suas vidas.

E eu senti um ar de um relacionamento que nunca ia dar certo porque não existia confiança e nem diálogo muito sincero. Quando algo de ruim acontecia, eles se encontravam, ela ouvia duas palavras melosas e pronto, voltava aos amores com o Pedro. Então pra mim ficou muito essa ideia de ciúme romantizado e de duas pessoas que estavam presas a um relacionamento nada saudável e sem diálogo. Acredito que tanto Alice quanto Pedro precisavam de ajuda e um pouco mais de autoestima na vida.
Se você percebe que entrou em um relacionamento cheio de desconfiança e ciúme, por que não conversar abertamente sobre isso? Não é só dizer que a pessoa é assim e pronto, é coisa de idade, é louca etc… É ter uma atitude mais de: vem cá, vamos conversar. Isso não faz bem pra mim e pra você. E vamos melhorar juntos, se ainda queremos essa relação.
Eu sou uma pessoa que acredita na intensidade. Vamos fazer acontecer, vamos aproveitar cada minuto, vamos viver o momento ao máximo, mas vamos fazer tudo sem machucar emocionalmente e nem fisicamente a si mesmo e a pessoa que esteja do seu lado. Foi isso que me frustrou na história. O ciúme é a terceira pessoa no relacionamento e nada é feito pelos personagens para que ele saia de cena logo.

Conto “O Cobrador” de Rubem Fonseca: a violência como resposta à desigualdade social

Rubem Fonseca é um dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea. Antes de se dedicar à literatura, Rubem foi policial e sua experiência na área estão presentes em suas obras.

Os livros de Fonseca trazem um texto cru e personagens marginais – prostitutas, assassinos, policiais. São narrativas densas que foram marcadas por tudo que o escritor viu e ouviu durante seus anos na polícia. O seu primeiro livro foi a coletânea de contos Os Prisioneiros publicada em 1963. Suas obras já o premiaram com o Jabuti e Camões, dois dos grandes prêmios literários de língua portuguesa.

Foto: Zeca Fonseca

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