[artigo] LEIA MULHERES: LEITURA LITERÁRIA E RESSIGNIFICAÇÃO DA SUBJETIVIDADE FEMININA

Resumo: As subjetividades fabricadas pela cultura patriarcal e pelo capitalismo sobre o ser mulher refletem na construção que a mulher faz de si mesma. Essas subjetividades demarcam papéis sociais que devem ser exercidos pela mulher como mãe, esposa e dona de casa. Neste artigo proponho mostrar a contribuição das leituras literárias realizadas no Leia Mulheres – Salvador no processo de desconstrução dessas subjetividades fabricadas. Para tanto me basearei nos estudos de Lajolo e Zilberman (2011), Guattari e Rolnik (1986), Agamben (2009), Petit (2013) entre outros. Além de entrevistas com duas participantes do projeto. Nota-se que o Leia Mulheres pode ser um desmonte da leitura como dispositivo do poder capitalista patriarcal e também um início para a ressignificação do ser mulher. Continue lendo

Para quê se lê?

“Para quê se lê e para quê se escreve além da sala de aula?”

Eu li essa pergunta numa entrevista sobre práticas de letramento com a professora doutora em linguística e mestre em educação, Marildes Marinho. Logo depois tive acesso a produções que iam me fazer pensar sobre a questão em diferentes contextos históricos e socioculturais. Além de reforçar para mim a importância da leitura e da educação na vida de qualquer pessoa.

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Me Indica Aí #1 – livro e filme do nordeste

Resolvi tirar da gaveta de ideias mais uma seção de conteúdo para meus canais, principalmente o Youtube e o Podcast.

“Me indica aí” é um quadro com indicações curtinhas mas bem boas de livros, filmes, séries, música, revistas e o que rolar.

Lembrando que tudo que eu indicar aqui, eu já vi, ouvi, ou li. E que meu olhar, minha análise, minha leitura, está mais relacionado com a mensagem que cada produção tem para nos passar do que com os detalhes técnicos.

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Leitura é o meu movimento

No início de dezembro, o Clube do Livro Alagoinhas, projeto de incentivo à leitura em Alagoinhas e região, realizou o I Escambo de Livros durante a Semana de Arte e Cultura do Litoral Norte e Agreste Baiano. A proposta é bem simples: trocar um livro por outro. Mas o significado dessa troca é enorme. E não existe apenas um. Continue lendo

quando trava, engasga

com a escrita travada tem meses.

pensando em escrever sobre a escrita travada pra ver se destrava.

Foi esse o tweet que publiquei hoje de manhã.

É essa a minha estratégia quando a escrita trava: escrever.

Afinal escrever não está ligado a inspiração divina. É técnica. É exercício. É persistência. Hoje também é ato político.

Talvez o divino esteja ligado a necessidade. Eu tenho a necessidade quase divina de escrever.

Um mente inquieta, apaixonada pela leitura e escrita, está o tempo todo lendo e escrevendo sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre si. Não adianta. A escritora espanhola Rosa Montero, em seu livro “A louca da casa”, disse que todo ser humano é um romancista e que o escritor está sempre escrevendo.

“poderíamos deduzir que os seres humanos são, acima de tudo, romancistas, autores de um romance único cuja escrita dura toda a existência e no qual assumimos o papel de protagonistas. É uma escrita, naturalmente, sem texto físico, mas que qualquer narrador profissional sabe que se escreve sobretudo na cabeça. É um runrum criativo que nos acompanha enquanto estamos dirigindo, ou levando o cachorro para passear, ou na cama tentando dormir. A gente escreve o tempo todo.”

Tenho muitas histórias na cabeça. Muitas delas escritas pelos demônios internos. Outras tantas são reflexões sobre a vida. Várias são conversas com os livros que li, os filmes e as séries que vejo, as músicas que escuto. Milhares são escritas pelo meu olhar, às vezes julgador, às vezes irônico, às vezes empático, sobre o mundo que observo.

A terapeuta me disse que meu corpo não acompanha minha mente. Ouvir isso foi tão real e esclarecedor que minha mente concordou mil vezes e meu corpo parou. É que minha mente é sagrada para mim. É o lugar que, como também disse Rosa Montero, “sabemos que dentro de nós somos muitos”. É uma bela bagunça que várias vezes prefiro guardar. É seguro. Longe dos olhares às vezes julgadores, às vezes irônico, às vezes empático, do mundo que me observa.

Mas quando o corpo trava, a mente engasga. Sufoca. Não há equilíbrio. Não tem como ser quem quero ser, aqueles muitos que guardo dentro de mim. A louca da casa é a imaginação, “essa louca por vezes fascinante e por vezes furiosa que mora no sótão”. O desafio é saber viver harmoniosamente com ela.

No meu caso o desafio é buscar formas de destravar, de não engasgar, de não paralisar.  De não deixar de escrever. A escrita é exercício, vou incluí-la no meu modo de vida fitness e fazer como exercício diário. Vou soltar os demônios internos, compartilhar as reflexões sobre a vida, e voltar a respirar aliviada após um longo engasgo sufocante.