Minha estante era patriarcal demais

Quando fiz o planejamento literário do mês de novembro priorizei alguns livros recebidos em parceria com editoras. Separei cinco livros. Todos eles são lançamentos de 2017. Percebi um padrão, dos cinco apenas UM era de autoria feminina. Na verdade, esse padrão eu já havia percebido em 2015 quando conheci o projeto Leia Mulheres. Minha estante era patriarcal demais.Continue lendo

à moda antiga

Ando meio nostálgica. Bateu uma saudade de blogar à moda antiga. Talvez seja por conta dos dias que estou passando na casa dos meus pais, no meu quarto antigo, que sempre me leva para o tempo dos antigos diários virtuais e fotologs. Alguém aí já superou a morte do Orkut? Às vezes eu sinto saudade da disputa pelo topo do depoimento. Era bem mais saudável do que a disputa pelos likes nas redes sociais.Continue lendo

dias de sol – Sítio do Conde

No último feriadão (5 de novembro), viajei com parte da família para o Sítio do Conde, uma praia do litoral norte da Bahia – fica a 160 km ao norte do aeroporto de Salvador.

Tenho boas lembranças e muitas histórias para contar das férias da infância/adolescência que passei no Sítio do Conde e região mas isso fica pra outro post. Hoje quero compartilhar algumas fotos que fiz dos dias de sol que passei por lá. 😉Continue lendo

As doces amargas memórias de Pedro e Alice

Escolhi o livro As doces amargas memórias de Pedro e Alice para iniciar o projeto Letras da Bahia. Recebi a obra através de uma amiga, o próprio escritor, o ilheense Pawlo Cidade, me enviou. Pawlo também é educador, dramaturgo e gestor cultural.

O livro é sobre o relacionamento de um professor de química de 33 anos, Pedro, e sua aluna de 17 anos, Alice. Tudo começou com um embate em sala de aula. Alice é uma menina muito atrevida e inteligente e queria saber no que a química ia ajudá-la a ser uma administradora de empresas.
As doces amargas memórias de Pedro e Alice é escrito sobre duas perspectivas, a de Alice e a de Pedro. Só que às vezes no meio da perspectiva de Alice, aparece a de Pedro. O que deixa a utilização do método confusa. A escrita do Pawlo é boa, mas faltou uma revisão de texto mais atenta. O autor incluiu uma trilha sonora, ao indicar músicas no início de algumas passagens e em alguns momentos da narrativa, o que é um recurso interessante no livro.

Alice e Pedro se apaixonam à primeira vista. E começam a tentar uma aproximação sempre regada a piadas e confrontos meio bobos. Eu li o livro todo mas confesso que não gostei muito porque apesar de tentar passar uma mensagem de como o ciúme pode destruir uma relação, em alguns momentos o ciúme aparece romantizado.

A imagem de Alice é sempre de uma menina boba, explosiva, louca, ciumenta e até despirocada, adjetivo utilizado para descrever a personalidade da garota em conversa de Pedro com um amigo poeta. Mas acontece que estamos falando de uma adolescente que está iniciando a fase dos relacionamentos amorosos com um homem de 33 anos. Ela entrou nessa porque quis, isso é claro no livro. Só que pra ele faltou uma atitude sensata. Se estava em um relacionamento nada saudável com uma aluna, seria melhor para ambos seguir com suas vidas.

E eu senti um ar de um relacionamento que nunca ia dar certo porque não existia confiança e nem diálogo muito sincero. Quando algo de ruim acontecia, eles se encontravam, ela ouvia duas palavras melosas e pronto, voltava aos amores com o Pedro. Então pra mim ficou muito essa ideia de ciúme romantizado e de duas pessoas que estavam presas a um relacionamento nada saudável e sem diálogo. Acredito que tanto Alice quanto Pedro precisavam de ajuda e um pouco mais de autoestima na vida.
Se você percebe que entrou em um relacionamento cheio de desconfiança e ciúme, por que não conversar abertamente sobre isso? Não é só dizer que a pessoa é assim e pronto, é coisa de idade, é louca etc… É ter uma atitude mais de: vem cá, vamos conversar. Isso não faz bem pra mim e pra você. E vamos melhorar juntos, se ainda queremos essa relação.
Eu sou uma pessoa que acredita na intensidade. Vamos fazer acontecer, vamos aproveitar cada minuto, vamos viver o momento ao máximo, mas vamos fazer tudo sem machucar emocionalmente e nem fisicamente a si mesmo e a pessoa que esteja do seu lado. Foi isso que me frustrou na história. O ciúme é a terceira pessoa no relacionamento e nada é feito pelos personagens para que ele saia de cena logo.

“Se for menino não vai usar rosa não”

O ano era 2017. E a frase que ouvi de um futuro pai foi “se for menino não vai usar rosa não”.

A gente até perdoa quando olha pro contexto social e familiar da pessoa e lembra que vivemos em um país muito machista. Mas ao mesmo tempo eu fico pensando: até quando vamos achar que usar determinada cor vai influenciar na orientação sexual de alguém? Até quando vamos dizer que rosa é coisa de menina e azul é coisa de menino?Continue lendo

Suburra – a luta pelo poder em Roma

Suburra – Sangue em Roma, a primeira série italiana da Netflix, é inspirada em um livro de mesmo nome, dos autores Giancarlo De Cataldo e Carlo Bonini. Além de ser um prólogo do filme Suburra, de 2015. Sua trama se desenvolve a partir de uma disputa imobiliária. Um gângster conhecido como Samurai quer transformar Ostia, uma cidade litorânea perto da Itália, na nova Las Vegas.Continue lendo