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E como vai o tempo?

O que é o tempo? Tempo é silêncio ou tempo é barulho? É parte silêncio, parte barulho? É memória ou presente? Bons tempos ou tempos bons – qual o indicativo de tempo? Em tempos de isolamento social, como ocupar o tempo? Quanto tempo o tempo tem?  Leia mais

Sobre a escrita

Desde o ano passado que tenho feito as notas da vida e de estudos no formato digital. No início de 2019, surgiu a vontade de voltar a escrever com papel e caneta. Como estava confortável com o formato digital prático e acessível, continuei.

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Individualizar desejos

“Se você está falando de amigos ou familiares, pessoas que você admira ou despreza… Você tem que individualizar seus desejos dos deles de modo a honrar seu verdadeiro eu. Pode ser um processo emocionante e doloroso, mas quem quer ver ou ser uma orquídea negra que nunca se abre totalmente?”

Ouvi essa frase na Série “Ela quer tudo”, produzida e dirigida por Spike Lee, que tem como personagem principal Nola Darling (DeWanda Wise), uma artista negra do Brooklyn.

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Vixi, faltou luz!

Estava no meio de uma ligação, com o ventilador praticamente em cima de mim, quando de repente senti que aquele ventinho fresco havia parado de soprar no meu pescoço.

Quando me virei para checar o ventilador, ele não estava funcionando. Olhei para a impressora e ela havia desligado.

E, aí, a ficha caiu: vixi, faltou luz! Leia mais

Para quê se lê?

“Para quê se lê e para quê se escreve além da sala de aula?”

Eu li essa pergunta numa entrevista sobre práticas de letramento com a professora doutora em linguística e mestre em educação, Marildes Marinho. Logo depois tive acesso a produções que iam me fazer pensar sobre a questão em diferentes contextos históricos e socioculturais. Além de reforçar para mim a importância da leitura e da educação na vida de qualquer pessoa.

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quando trava, engasga

com a escrita travada tem meses.

pensando em escrever sobre a escrita travada pra ver se destrava.

Foi esse o tweet que publiquei hoje de manhã.

É essa a minha estratégia quando a escrita trava: escrever.

Afinal escrever não está ligado a inspiração divina. É técnica. É exercício. É persistência. Hoje também é ato político.

Talvez o divino esteja ligado a necessidade. Eu tenho a necessidade quase divina de escrever.

Um mente inquieta, apaixonada pela leitura e escrita, está o tempo todo lendo e escrevendo sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre si. Não adianta. A escritora espanhola Rosa Montero, em seu livro “A louca da casa”, disse que todo ser humano é um romancista e que o escritor está sempre escrevendo.

“poderíamos deduzir que os seres humanos são, acima de tudo, romancistas, autores de um romance único cuja escrita dura toda a existência e no qual assumimos o papel de protagonistas. É uma escrita, naturalmente, sem texto físico, mas que qualquer narrador profissional sabe que se escreve sobretudo na cabeça. É um runrum criativo que nos acompanha enquanto estamos dirigindo, ou levando o cachorro para passear, ou na cama tentando dormir. A gente escreve o tempo todo.”

Tenho muitas histórias na cabeça. Muitas delas escritas pelos demônios internos. Outras tantas são reflexões sobre a vida. Várias são conversas com os livros que li, os filmes e as séries que vejo, as músicas que escuto. Milhares são escritas pelo meu olhar, às vezes julgador, às vezes irônico, às vezes empático, sobre o mundo que observo.

A terapeuta me disse que meu corpo não acompanha minha mente. Ouvir isso foi tão real e esclarecedor que minha mente concordou mil vezes e meu corpo parou. É que minha mente é sagrada para mim. É o lugar que, como também disse Rosa Montero, “sabemos que dentro de nós somos muitos”. É uma bela bagunça que várias vezes prefiro guardar. É seguro. Longe dos olhares às vezes julgadores, às vezes irônico, às vezes empático, do mundo que me observa.

Mas quando o corpo trava, a mente engasga. Sufoca. Não há equilíbrio. Não tem como ser quem quero ser, aqueles muitos que guardo dentro de mim. A louca da casa é a imaginação, “essa louca por vezes fascinante e por vezes furiosa que mora no sótão”. O desafio é saber viver harmoniosamente com ela.

No meu caso o desafio é buscar formas de destravar, de não engasgar, de não paralisar.  De não deixar de escrever. A escrita é exercício, vou incluí-la no meu modo de vida fitness e fazer como exercício diário. Vou soltar os demônios internos, compartilhar as reflexões sobre a vida, e voltar a respirar aliviada após um longo engasgo sufocante.