Serena – Ian McEwan

Quando li a sinopse de Serena, do Ian McEwan, me empolguei com o fato da personagem principal ser uma espiã. Gosto muito de histórias com detetives, espiões, suspense e se isso tudo vier com um pouco de romance é fato que terá minha atenção.

Esse foi o primeiro livro que li  do Ian McEwan. Me surpreendi com o final, mas confesso que demorei de engatar a leitura. Não espere muito suspense sobre algum caso sensacional de espionagem tipo James Bond ou grandes mistérios tipo Agatha Christie. A proposta é outra e muito interessante.Continue lendo

Fim – Fernanda Torres

Acredito que a primeira referência que me vem na mente em relação à Fernanda Torres é a série “Os Normais”. Sempre a considerei uma grande artista e quando soube da sua estreia na literatura, não duvidei da capacidade e fiquei bastante curiosa. Fernanda é carioca, atriz, roteirista e agora, oficialmente, escritora.

Fim, romance de estreia de Fernanda e publicado pela Companhia das Letras, conta os últimos dias de vida de cinco amigos cariocas: Álvaro (o solitário), Sílvio (o fanfarrão), Ribeiro (o garotão), Neto (o careta) e Ciro (o Don Juan). Cada carioca tem seu capítulo e assim acompanhamos  as lembranças, frustrações, encontros, alegrias e loucuras de suas vidas até o derradeiro suspiro. Há narração em primeira e terceira pessoa.Continue lendo

Das paredes, meu amor, os escravos nos contemplam – Marcelo Ferroni

Marcelo Ferroni é escritor e editor da Alfaguara, selo de literatura da editora Objetiva. Em 2010, ganhou o prêmio São Paulo de Literatura como autor estreante, com o seu primeiro livro Metódo prático da guerrilha.

Das paredes, meu amor, os escravos nos contemplam, lançado em 2014 pela Companhia das Letras, é um romance policial do tipo “crime de quarto fechado” – quando algum personagem é morto dentro de um cômodo trancado por dentro.Continue lendo

A festa da insignificância – Milan Kundera

O tcheco, naturalizado francês, Milan Kundera, é conhecido principalmente por seu livro A insustentável leveza do ser (1983). Após mais de dez anos sem publicar um novo título, o autor lançou  A festa da insignificância (Companhia das Letras, 2014) em que conhecemos quatro amigos parisienses: Alain, Ramon, Charles e Calibã.

O livro é divido em sete partes e cada uma possui pequenos contos que aos poucos vão nos apresentando os amigos que possuem uma vida sem grandes acontecimentos. São pessoas comuns que podem passar despercebidas. São insignificantes para boa parte do mundo. Vamos conhecer, principalmente, os seus questionamentos e opiniões sobre vários temas, por exemplo o porquê de hoje as mulheres colocarem a barriga de fora e isso ser sex e erótico. Além disso, Kundera intercala o tempo e espaço, entre a Paris atual e a União Soviética do tempo de Stalin.Continue lendo

Frases do livro Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios

Frases do livro Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios

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O segredo, dizia Chang, o china da loja, não é descobrir o que as pessoas escondem, e sim entender o que elas mostram.

Marçal Aquino

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Travessuras da menina má – Mario Vargas Llosa

Em Travessuras da menina má, Mario Vargas Llosa nos apresenta Ricardo Somocurcio, um peruano que tem como sonho de vida morar em Paris. Apenas isso. O que já nos mostra um pouco da personalidade dele, um cara simples e modesto. Na infância, Ricardo conhece e se apaixona por uma chilenita difícil de conquistar, Lily. São várias as tentativas de Ricardito em conquista-la, todas em vão. Mas a sua vida muda completamente a partir desse encontro.

Durante a leitura, conhecemos a Paris revolucionária dos anos 60; a Londres das drogas, da cultura hippie e do amor livre dos anos 70; a Tóquio dos grandes mafiosos dos anos 80; e a Madri em transição política dos anos 90. Enquanto, também, acompanhamos o reencontro, em cada um desses locais, entre Ricardito e sua chilenita que em cada local assume uma identidade.

A Menina Má é ambiciosa e aventureira. Gosta do luxo e para conseguir viver na riqueza se joga no mundo com vontade. Não se conforma com pouco e muito menos com a vida modesta de tradutor da UNESCO que Ricardito, o bom moço, leva em Paris. Ela queria o mundo enquanto ele queria apenas ela. Sua felicidade estaria completa em apenas viver ao lado da mulher que sempre desejou.Continue lendo

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios – Marçal Aquino

Faz um bom tempo que tenho vontade de ler esse livro do Marçal Aquino. Considero o título – Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios – pura poesia. Impactante, forte! Me fez pensar inúmeras vezes do que se tratava, de quem seria os lindos lábios, de quem seria esse grande amor. Porque um título desse só pode falar de um grande amor.

O fotógrafo Cauby narra a história em primeira pessoa. Logo no início não sabemos ao certo o que ocorreu com ele, apenas que sofreu algum trauma grande em sua vida. Marçal Aquino nos leva até o Pará e nos conta sobre o amor vivido e sofrido pelo fotógrafo Cauby.Continue lendo

A Cabeça do Santo – Socorro Acioli

Socorro Acioli, jornalista e doutora em estudos de literatura, começou a escrever as primeiras ideais para o livro “A Cabeça do Santo” (Companhia das Letras, 2014) na oficina de criação e roteiro “Como contar um conto”, ministrada por Gabriel García Márquez na Escuela de Cine y TV de San Antonio de Los Baños, em Cuba, no ano de 2006.

Em “A cabeça do santo”, vamos acompanhar a saga de Samuel pelo sertão do Ceará com o objetivo de cumprir o último pedido que sua mãe, Mariinha, fez antes de morrer e encontrar a avó e o pai que nunca conheceu. Após uma longa viagem a pé, sofrendo com as surpresas do sertão nordestino, Samuel chega em Candeia – uma cidadezinha cheia de desesperança, desfelicidade e desgraça. E lá encontra uma gruta para dormir, mas quando acorda ele se depara com uma confusão de vozes femininas na sua cabeça.

A gruta, na verdade, era a cabeça oca de uma estátua de santo Antônio. E as vozes, preces que as mulheres faziam para o santo.

“O fato é que as orações das mulheres reverberavam dentro da cabeça do santo e, por algum motivo, Samuel conseguia ouvir. No dia seguinte ele comeu goiaba, folhas, bebeu água da chuva e percebeu que as orações aconteciam de manhã e à tarde. Nem sempre todas as vozes, nem sempre as mesmas palavras, mantinham-se apenas o pedido: elas amavam e queriam casar.” (p. 34)

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