Saga de uma mestranda #2 – Ser aluna especial

Saga de uma mestranda #2 – Ser aluna especial

Quando resolvi me dedicar à carreira acadêmica, pedi dicas para as pessoas que tinham optado pelo mesmo caminho. E uma dica foi unânime: seja aluna especial.

As pessoas me diziam que era a melhor maneira de conhecer o programa de pós-graduação, os professores, os temas debatidos e os projetos em andamento.

E é!

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Foi sendo aluna especial de três cursos, que eu tive a oportunidade de conhecê-los e ao final optar por aquele que estava mais alinhado ao que eu queria.

Ser aluna especial é não só ter a obrigação de participar das aulas, como também fazer todas as atividades relacionadas à matéria, como seminários e produção de artigo final. É um semestre inteiro de aprendizados e contato com pessoas que podem ser seus futuros colegas e professores. Além de ser um momento para alinhar expectativas e começar a amadurecer a ideia para o pré-projeto. E existe a possibilidade de que a disciplina cursada conte como crédito após aprovação como aluno regular.

Existe uma seleção específica para aluno especial. No meu caso, foi preciso além de entregar alguns documentos e ter o currículo lattes atualizado, escrever uma carta justificando meu interesse em ingressar no programa e cursar a disciplina escolhida. Um detalhe importante: você não precisa ter um projeto definido para fazer a seleção como aluno especial.

No curso de mestrado que eu estou atualmente, cursei duas disciplinas como aluna especial. Na primeira, eu já sabia que queria continuar ali, mas optei por fazer mais uma no outro semestre porque não me sentia preparada para tentar a seleção regular.

Eu não me sentia preparada porque me considerava ainda em processo de amadurecimento e cura de um quadro de ansiedade e tristeza. Naquele momento, eu percebi que não seria bom para mim me jogar numa seleção difícil e me expor mais aos gatilhos de ansiedade. Eu preferi me cuidar mais um pouco e em seguida ir com tudo para seleção regular.

Saber o tempo certo e aceitar o seu tempo.

Essa decisão só você pode tomar.

Ouvi de algumas pessoas: por que você não tenta logo? Você vai passar de primeira. Faça logo porque o tempo está passando.

Eu ignorei toda a pressão externa porque eu estava aprendendo a lidar com a minha pressão interna, e ainda estou. As cobranças que criamos para nós mesmos às vezes são bem cruéis. E se somarmos com as cobranças dos outros, vamos passar a vida inteira somatizando dívidas emocionais.

Respeite meu corpo e minha mente. Ignorei as expectativas alheias, tentei controlar ao máximo as minhas e só depois fiz a seleção para regular.

O meu tempo como aluna especial foi importante demais. Conheci os professores, observei entre eles qual seria o mais provável para me orientar. Tive contato com temas e autores que jamais havia lido na minha vida, mas tinha curiosidade em conhecer, como Foucault. E assim fui amadurecendo a minha intenção de pesquisa.

Mas nem tudo foram flores.

Minha formação é Comunicação, e como já falei, voltada mais para prática do que para teoria. Quando eu cheguei na sala e encontrei debates fundamentados em filosofia, sociologia, estudos culturais, marxismo, teorias feministas, biopolítica, minha cabeça fez: e agora, mulher?

Me senti um peixe fora d’água em alguns momentos. Mas ao contrário das outras experiências, eu sabia que se tentasse ir me batendo pelas beiradas, eu ia chegar até o mar e nadar, ofegante no início, mas aliviada em determinado ponto. Porque eu queria estar ali, de verdade. Quando a gente quer muito algo, a gente precisa tentar e se arriscar.

Eu fiz o que deveria fazer. Pesquisei e sentei a bunda na cadeira para estudar. Não só os temas, mas também as melhores maneiras de fazer uma leitura de texto técnico, como fazer bons fichamentos, resenhas e resumos. Eu soube reconhecer os meus pontos fracos e fui em busca de ressignificá-los. Ao invés de parar no primeiro obstáculo, eu dei um passo atrás para poder enxergá-lo melhor e ver como poderia vencê-lo.

Nossa, esse final ficou parecendo aqueles livros de autoajuda. Mas de certa maneira foi o isso que fiz, eu me ajudei, fui paciente e gentil. Peguei na minha mão e disse: vamos lá, Jeniffer. Não é isso que você quer? Então nós vamos conseguir!

A saga continuou e continua…

Até o próximo capítulo! 😉 

Conteúdo em vídeo:

Saga de uma mestranda é uma série especial de conteúdo sobre minha experiência como estudante de pós-graduação em nível de mestrado.

Confira também: Saga de uma mestranda #1

O que mais você quer saber dessa saga ? Eu já tenho alguns temas para posts mas deixe sua dúvida ou curiosidade nos comentários.

 

 

Publicado porJeniffer Geraldine

Jornalista. Uma leitora apaixonada por arte, cultura e a vida.

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