quando trava, engasga

com a escrita travada tem meses.

pensando em escrever sobre a escrita travada pra ver se destrava.

Foi esse o tweet que publiquei hoje de manhã.

É essa a minha estratégia quando a escrita trava: escrever.

Afinal escrever não está ligado a inspiração divina. É técnica. É exercício. É persistência. Hoje também é ato político.

Talvez o divino esteja ligado a necessidade. Eu tenho a necessidade quase divina de escrever.

Um mente inquieta, apaixonada pela leitura e escrita, está o tempo todo lendo e escrevendo sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre si. Não adianta. A escritora espanhola Rosa Montero, em seu livro “A louca da casa”, disse que todo ser humano é um romancista e que o escritor está sempre escrevendo.

“poderíamos deduzir que os seres humanos são, acima de tudo, romancistas, autores de um romance único cuja escrita dura toda a existência e no qual assumimos o papel de protagonistas. É uma escrita, naturalmente, sem texto físico, mas que qualquer narrador profissional sabe que se escreve sobretudo na cabeça. É um runrum criativo que nos acompanha enquanto estamos dirigindo, ou levando o cachorro para passear, ou na cama tentando dormir. A gente escreve o tempo todo.”

Tenho muitas histórias na cabeça. Muitas delas escritas pelos demônios internos. Outras tantas são reflexões sobre a vida. Várias são conversas com os livros que li, os filmes e as séries que vejo, as músicas que escuto. Milhares são escritas pelo meu olhar, às vezes julgador, às vezes irônico, às vezes empático, sobre o mundo que observo.

A terapeuta me disse que meu corpo não acompanha minha mente. Ouvir isso foi tão real e esclarecedor que minha mente concordou mil vezes e meu corpo parou. É que minha mente é sagrada para mim. É o lugar que, como também disse Rosa Montero, “sabemos que dentro de nós somos muitos”. É uma bela bagunça que várias vezes prefiro guardar. É seguro. Longe dos olhares às vezes julgadores, às vezes irônico, às vezes empático, do mundo que me observa.

Mas quando o corpo trava, a mente engasga. Sufoca. Não há equilíbrio. Não tem como ser quem quero ser, aqueles muitos que guardo dentro de mim. A louca da casa é a imaginação, “essa louca por vezes fascinante e por vezes furiosa que mora no sótão”. O desafio é saber viver harmoniosamente com ela.

No meu caso o desafio é buscar formas de destravar, de não engasgar, de não paralisar.  De não deixar de escrever. A escrita é exercício, vou incluí-la no meu modo de vida fitness e fazer como exercício diário. Vou soltar os demônios internos, compartilhar as reflexões sobre a vida, e voltar a respirar aliviada após um longo engasgo sufocante.

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6 comentários em “quando trava, engasga

  1. Tem uma frase do “Lemony Snicket” que estou usando muito esse ano pra ver se as coisas destravam, a frase é: “se você está com medo, vá e faça e deixe para ter medo depois”. Você está mais que certa de atacar essa trava de escrita justamente escrevendo. Deixa essa trava pra depois.

    • amei! é por aí mesmo
      hoje tirei o dia pra destravar! agora vaaai!
      valeu, Luke <3

  2. A escrita é definitivamente um exercício. A gente tem essa visão romântica, do escritor sendo arrebatado por uma inspiração quase divina, mas a verdade é que os bons escritores (existem exceções, claro) exercitam E MUITO essa capacidade de escrever todos os dias. E que texto bonito Jeniffer! 🙂

    http://naomemandeflores.com

    • Eu estava me deixando levar pela preguiça e sei lá mais o quê… Decidi que vou encarar de frente tudo isso.
      Obrigada pelo carinho!
      Bjão

  3. Eu lembro de uma crônica do João Ubaldo em que ele se refere a “uma sensação acabrunhante e impotência e malogro” quando a sua escrita travava e ele não conseguia prosseguir um texto – fosse romance, crônica ou qualquer outro gênero. Como ele não tinha método nenhum, João simplesmente era honesto consigo mesmo – ou seja, era um escritor, mas não infalível e nem sempre disposto. Isso ajudava a reduzir expectativas ( com os editores era outra história hahaha) e de certa forma “destravava” sua escrita. Acho que é por aí, Jeniffer: não deixe de escrever (não vai), mas também não se cobre em demasia. 🙂

    • Muito bom! Aqui não há cobrança. Tanto não há que tem meses que estava sem escrever. Mas há necessidade. Tem horas que não dá pra ficar sem escrever.
      Hahaha
      Bjão