Pollyanna e o Jogo do Contente

Sempre ouvi falar de uma tal “síndrome de Pollyanna” mas não sabia do que se tratava até me indicarem a leitura do clássico infantojuvenil Pollyanna, da escritora Eleanor H. Porter.

A história da menina Pollyanna foi publicada pela primeira vez através de capítulos em um jornal de Boston, no ano de 1912. Apenas em 1913, virou livro e tornou-se um sucesso editorial marcando a infância de muita gente. E em 1915, Eleanor escreveu a continuação Pollyanna Moça.

Aos onze anos, após a morte do seu pai, um pastor viúvo, Pollyanna é enviada para morar na casa de tia Paulina Harrington, irmã de sua mãe e única parente viva, em Beldingsville (Vermont, Estados Unidos). Acontece que a Tia era uma mulher fria, amarga, solitária e só aceita a menina em casa porque acredita ser esse o seu dever. Com isso, Pollyanna não é tão bem recebida.

A menina, que é um encanto de criança, sonhava com um belo quarto, cheio de quadros e tapetes, mas é colocada para dormir em um local próximo ao sótão, com paredes frias, sem cor, sem quadros e cortinas, sem tapetes. Qualquer criança ficaria triste, aliás qualquer pessoa. Quando nossas expectativas são quebradas, ficamos desapontados. Mas Pollyanna não. A menina consegue tirar algo de bom de qualquer situação ruim da sua vida por causa do Jogo do Contente que aprendeu com seu pai.

A ideia do jogo é simples, mas difícil de colocar em prática: sempre que alguma situação complicada ou ruim acontecer, pense positivo, tente tirar algo de bom, que pode ser para seu próprio bem ou para o de outras pessoas. É complicado ser tão positivo assim, né? Mas Pollyanna conseguia e acabou contaminando muita gente de Beldingsville com sua graça e otimismo.

A leitura é um encanto. Mas pode ter um tom piegas e irreal demais, e é por isso que muita gente fala da “síndrome de Pollyanna”, porque algumas pessoas acreditam que é impossível ver sempre o lado bom das coisas e que quem consegue fazer isso é um alienado. Mas a autora também coloca o Jogo do Contente em teste. Até que ponto a menina consegue colocá-lo em prática? Será possível levá-lo adiante por toda vida e acima de todas as suas adversidades?

Bem antes de ler Pollyanna, eu já tinha aprendido com o poeta brasileiro Manoel de Barros que é preciso transver o mundo. Muitas vezes vai ser difícil ser otimista, pensar no bem e até mesmo fazer o bem sem esperar algo em troca, mas é um exercício que precisamos fazer para perseverar, para nos manter em equilíbrio quando tudo parecer errado e injusto.

Pollyanna atravessa gerações. Hoje a inocência e otimismo da menina talvez incomode muita gente, mas é justamente por isso que ainda é uma leitura necessária.

— É diferente, tia Paulina. Quero dizer: respirar e viver. Quando a gente dorme, respira mas não vive. “Viver” é fazer o que nos agrada, como brincar no jardim, ler para mim mesma, subir ao alto da colina, falar com Tomás e Nancy, ouvir novidades de casas e vizinhos e das ruas por onde passei. Respirar somente não é viver.

A editora Autêntica relançou Pollyanna e Pollyanna Moça

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Pollyanna na Amazon e na Saraiva l Pollyanna Moça na Amazon e na Saraiva

Pollyanna em filme

O mais famoso é o filme produzido pela Disney, em 1960. Direção e roteiro de David Swift e trilha sonora de Paul Smith. Veja o trailer no YouTube!

4 Comentários

  1. Nunca li esse livro, mas já me falaram dessa Pollyanna. É bom contar as suas bençãos, mas também é bom não se acomodar…

  2. Adorei o post Jeniffer achei seus comentários muito pertinentes. Acho que não podemos ser cegos aos problemas mas também não sofrer demais por qualquer coisa. Tdo é uma questão de meio termo e o livro pode servir para dar uma cutucada no nosso espírito quando a gente tá precisando. beijos

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