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Paixão pela possibilidade

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Eu sigo alguns perfis nas redes sociais que incluo nas categorias motivação e inspiração. Geralmente são perfis voltados para espiritualidade e, claro, livros. Entre os perfis literários inspiradores tem o “Desculpe a poeira”, Instagram de um sebo que fica em São Paulo. Nunca fui lá, mas tenho muita vontade de ir e conhecer por conta da curadoria de citações que eles fazem diariamente nas redes sociais. Não sei dizer quem é o olhar por trás da curadoria, mas esse olhar é quase sempre certeiro, amigável, reconfortante, crítico e instigante.

Essa semana eles publicaram um trecho que está no livro “O princípio esperança”, de Ernst Bloch:
“Se eu pudesse desejar algo para mim, não desejaria riqueza nem poder, mas a paixão da possibilidade; desejaria apenas um olho, que eternamente jovem, ardesse de desejo de ver a possibilidade.”

Quando terminei de ler e li umas quatro vezes. Todas as vezes terminei a leitura com aquele: “aaah, que maravilha! É isso mesmo! Que delícia!” E um sorriso bobo no rosto. Uma esperança ingênua no coração.

A citação de um livro que nunca li, de um autor que não conhecia, de um perfil de um sebo que jamais visitei, chegou para mim como uma mensagem para lembrar de vencer a ansiedade. De vencer o medo do amanhã. De vencer o medo do desconhecido. De se apaixonar pelo caminho percorrido até um objetivo. De se apaixonar pelo processo. E de se apaixonar pelas possibilidades da vida.

É bem difícil, eu sei, eu bem sei. Isso está sendo dito por uma pessoa consciente da sua ansiedade. Que convive há um mês com um tremor na pálpebra direita causado por estresse e ansiedade e que não há floral que cure. Mas essa mensagem chegou para me lembrar de que há infinitas possibilidades na vida. E que eu preciso me apaixonar por elas, mesmo sem saber quais são.

Eu fui para praia no último feriadão. Acabei esquecendo de levar livros. E foi ótimo. Aproveitei para apreciar o mar e ler o mundo a minha volta (mania de leitora escritora). Na beira do mar, tinha duas crianças, um menino e uma menina, que brincavam de boneca. Em um momento, eles pegaram uma bandeja e juntos entraram no mar para enchê-la de água. Mas a bandeja era rasa, então na volta não restava água suficiente para dar banho nas bonecas.

Eles fizeram o percurso de ir até o mar encher a bandeja d’água umas cinco vezes. Cinco vezes. Sorrindo. Algumas vezes colocando um a culpa no outro. Tentando mudar a estratégia de encher a bandeja, de segurá-la, de voltar com mais calma. Mas o mar é imprevisível. Eles levavam tombos. E riam. Eles se divertiam.

Eu observava a cena, junto com meus amigos, rindo também. Que divertido era observar a perseverança dos destemidos.

Quando eles finalmente conseguiram encher a bandeja d’água, o banho nas bonecas durou uns dois minutos porque eles já estavam empolgados com outra aventura, com outra possibilidade.
Desejei a perseverança daqueles pequenos destemidos e desejei também aquela alegria ingênua dentro do mar para conseguir encher a bandeja d’água. E pensei, às vezes é disso que a gente precisa para viver: perseverança, coragem, alegria.

Não sabemos o que vai acontecer amanhã. Não sabemos o final do caminho que estamos percorrendo para alcançar um objetivo. Mas a gente pode continuar lutando pelo que acredita, com vontade, alegria, aproveitando e aprendendo com o processo. E devemos preservar a paixão pelas infinitas possibilidades de caminho, de existência, que a vida nos proporciona.

Aquele friozinho bom que surge na barriga, não de medo, mas de alegria, empolgação, paixão, por algo que não sabemos exatamente o que é, mas que bom que pode ser algo.

(e isso vale para projetos pessoais, profissionais, amores, para vida como todo, né?!)

Conteúdo em vídeo:

Foto: Ponta de Areia (Bahia) em 18/12/2018

Publicado em Crônicas Podcast Jeniffer Geraldine Vida

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