[Diário de leitura] “Mentiras no Divã” – L’chaim!

– Conte-me sobre isso, Justin. – Péssima técnica! Percebeu instantaneamente. Colocou de volta os óculos e anotou no seu bloco: “Erro – pedir informações – contratransferência?”¹

Cada vez mais ouvimos falar das doenças ou distúrbios psicoemocionais. Algumas delas, é bem verdade, são dignas de uma investigação, acompanhamento e tratamento por profissionais especialistas na área. Outras se constituem no que costumo chamar de mazelas da alma.

Stress e depressão tornam-se adjetivos corriqueiros nos status quo do individuo contemporâneo. Ao passo em que há uma desvalorização dos sentidos das palavras, há uma mercantilização das pseudo curas. Poderíamos dizer que vivemos a era da banalização do sentir.Continue lendo

Carta amarela nunca enviada

“Quantos quase cabem num segundo?”.

Eu não sei por que estou escrevendo essa carta. Sei que nunca a enviarei para você. Talvez esteja escrevendo para ter coragem. Mas sei que não, isso não adiantará. Ou talvez esteja escrevendo para aceitar que você não sairá daí e que eu não sairei daqui e que seremos uma frase de uma música solta no universo em uma noite de sábado…  “Nada a ver ficar assim sonhando separado se no fundo a gente quer o dia a dia lado a lado. Eu não vou deixar você com esse medo de se aproximar. Pra ter um fim toda história um dia tem que começar… Então me diz por quê? Por que que um raio cai? Por que o sol se vai?” (Dia a dia, Lado a lado – Jeneci e Tulipa Ruiz)

Se nos musicassem, acho que hoje seríamos essa música de Tulipa Ruiz e Marcelo Jeneci. Seríamos raios que não caem duas vezes no mesmo lugar. Seríamos Lua e Sol. Marte e Júpiter. Uma vez na vida nos encontraríamos nessas voltas que o universo dá. Seríamos eclipse. Seríamos tempestade de meteoros. Seríamos se fossemos. Seríamos…Continue lendo

Frases do livro Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios

Frases do livro Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios

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O segredo, dizia Chang, o china da loja, não é descobrir o que as pessoas escondem, e sim entender o que elas mostram.

Marçal Aquino

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Travessuras da menina má – Mario Vargas Llosa

Em Travessuras da menina má, Mario Vargas Llosa nos apresenta Ricardo Somocurcio, um peruano que tem como sonho de vida morar em Paris. Apenas isso. O que já nos mostra um pouco da personalidade dele, um cara simples e modesto. Na infância, Ricardo conhece e se apaixona por uma chilenita difícil de conquistar, Lily. São várias as tentativas de Ricardito em conquista-la, todas em vão. Mas a sua vida muda completamente a partir desse encontro.

Durante a leitura, conhecemos a Paris revolucionária dos anos 60; a Londres das drogas, da cultura hippie e do amor livre dos anos 70; a Tóquio dos grandes mafiosos dos anos 80; e a Madri em transição política dos anos 90. Enquanto, também, acompanhamos o reencontro, em cada um desses locais, entre Ricardito e sua chilenita que em cada local assume uma identidade.

A Menina Má é ambiciosa e aventureira. Gosta do luxo e para conseguir viver na riqueza se joga no mundo com vontade. Não se conforma com pouco e muito menos com a vida modesta de tradutor da UNESCO que Ricardito, o bom moço, leva em Paris. Ela queria o mundo enquanto ele queria apenas ela. Sua felicidade estaria completa em apenas viver ao lado da mulher que sempre desejou.Continue lendo

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios – Marçal Aquino

Faz um bom tempo que tenho vontade de ler esse livro do Marçal Aquino. Considero o título – Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios – pura poesia. Impactante, forte! Me fez pensar inúmeras vezes do que se tratava, de quem seria os lindos lábios, de quem seria esse grande amor. Porque um título desse só pode falar de um grande amor.

O fotógrafo Cauby narra a história em primeira pessoa. Logo no início não sabemos ao certo o que ocorreu com ele, apenas que sofreu algum trauma grande em sua vida. Marçal Aquino nos leva até o Pará e nos conta sobre o amor vivido e sofrido pelo fotógrafo Cauby.Continue lendo

A probabilidade estatística do amor à primeira vista – Jennifer E. Smith

Depois de ler Eleanor & Park resolvi ler mais um livro YA. O escolhido foi “A probabilidade estatística do amor à primeira vista”, da escritora americana Jennifer E. Smith, lançado no Brasil pela Galera Record. O motivo da escolha é bem óbvio (risos), o título. Já faz um tempo que vi, achei bem interessante e logo imaginei que viria por aí uma história bem fofa e leve – a capa também ajuda a passar essa impressão.

Em “A probabilidade…” vamos conhecer Hadley, uma adolescente de 17 anos, que precisa ir para Londres ao casamento do pai com uma mulher que ela nem conhece direito mas já não suporta. O fato é que Hadley ainda não se acostumou com a ideia de que o pai tem uma nova vida longe dela e de sua mãe.

Na manhã que precisa pegar o voo tudo parece diferente e lento para Hadley e com isso, ela acaba se atrasando e perdendo o avião. Mas como dizem, há males que vem para o bem. Por conta desse atraso, ela conhece o britânico Oliver, um rapaz “alto e elegante, com os cabelos desarrumados, olhos verdes”, que vai sentar próximo a ela no voo. A viagem é longa e eles têm um bom tempo para conversar.Continue lendo

Laços de família – Clarice Lispector

Recentemente tive uma grande ressaca literária. As tentativas de iniciar leituras foram muitas e sem sucesso. Mas não queria passar o mês sem ler nada e comecei a buscar soluções para diminuir ou acabar de vez com a ressaca. Dentre as soluções, pensei em reencontrar uma velha amiga, Clarice Lispector. A última vez que li algo da escritora foi em 2011, o Clarice na cabeceira (crônicas).

O livro escolhido para nortear esse encontro foi Laços de Família, que reúne 13 contos publicados pela primeira vez em 1960 e que deu para Clarice o prêmio Jabuti de literatura em 1961.

Em Laços de Família, Clarice expõe de forma íntima o dia a dia das suas personagens. Qualquer pessoa veria a rotina de uma dona de casa como algo simples e banal, Clarice enxerga isso como algo profundo e complexo. Em cada conto, Lispector trata também dos laços que unem ou aprisionam as personagens aos seus familiares.

A escritora, sem dúvidas, nos faz pensar que nem tudo é sempre tão simples e raso. Há pequenos detalhes na rotina diária que pode trazer mudanças na vida, basta apenas, de vez em quando, ter um pouco mais de atenção ou se deixar levar pelo que pode fugir à regra. A realidade é sempre maior do que aquilo que se vê. E assim, Clarice me fez lembrar o trecho do poema “As lições de R. Q” do Manoel de Barros: “… é preciso transver o mundo”.Continue lendo

7 comédias românticas imperdíveis na Netflix

Filmes de comédia romântica tiveram seu auge nos anos 90, com Meg Ryan e Julia Roberts ahazando com o coração das pessoas, com seus filmes leves, super românticos e totalmente irreais (vamos combinar).

Todo filme de CR segue sempre o mesmo roteiro: garota conhece garoto, mas não podem ou não querem ficar juntos, depois resolvem ficar juntos de qualquer jeito. Algo dá errado, eles se separam, “do nada” descobrem que tudo não passou de um mal entendido e vivem felizes para sempre, amém!

Mesmo sabendo dessa fórmula e tendo assistido mil vezes, esses filmes continuam aquecendo os nossos corações. E hoje, com a Netflix, reviver essas comédias ficou bem mais fácil. Menos por um ponto, com aquele catálogo gigante, O QUE ASSISTIR?? Bom, para você não perder horas dando scroll na lista de filmes, resolvi separar 7 comédias românticas que considero essenciais e que estão disponíveis lá no catálogo (faltou várias da minha lista inicial, tem que ver isso aí Netflix!).Continue lendo

A nossa intimidade. Tão rara. Tão rarefeita…

Sabe o que eu mais gostava na gente? A nossa intimidade tão rara. Tão rarefeita… Tão cheia de sinceridades. Nunca escondemos nada um do outro. Eu sabia dos seus temores. Você sabia dos meus fantasmas. Eu sabia dos seus projetos que o levavam para longe de mim. Você sabia dos meus planos que te tiravam da minha rota.

Será que foi isso, a falta de mistério, que nos afastou? Você sabe né? O mistério está intrínseco nas relações amorosas. Quanto mais você esconde, mais dono do poder você é. Mas nós não precisávamos esconder nada um do outro. Mesmo sem verbalizar, sabíamos o que estávamos pensando. Mesmo nos dias em silêncio que ficávamos sem nos falar, sabíamos o delito ou deleite que queríamos cometer…

Eu sei. Nós sabíamos onde isso tudo nos levaria. Aqui? Assim, você aí e eu aqui? Não sei se tínhamos tanta certeza. Talvez ainda tivéssemos uma ponta de esperança. Mas por quê? Por que era raro não precisar se esconder atrás de uma máscara social. Não era preciso demonstrar estar sempre feliz. Não era preciso enganar. Não era preciso parecer melhor do que se era. Éramos eu e você com defeitos, traumas, medos, receios… E um coração que batia igual.Continue lendo