Os salvadores de vida do livro O Milagre da Manhã

Nas últimas semanas, voltei a ler toda manhã. Eu estava sem ler desde meados de maio. Depois que retomei as rédeas da minha rotina e do meu sono, voltei a ter uma rotina matinal do jeitinho que eu gosto. E uma das atividades dessa rotina é ler durante 15/30 min. Como estava voltando a ler e ainda mais durante a manhã, escolhi um livro total no clima, O Milagre da Manhã, de Hal Elrod.

Comentei rapidamente no Instagram sobre a experiência de leitura de modo geral, seguindo a vibe da rede social. Mas aqui eu quero comentar sobre o que Hal chama de “Salvadores de Vida — Seis práticas que seguramente pouparão você de uma vida de potencial não atingido”. Os salvadores de vida são ferramentas de desenvolvimento pessoal: silêncio/ meditação, afirmações, visualizações, exercícios, leitura e escrever.

Eu sou do time que acredita que manhãs são para café e contemplação, como disse o delegado Jim Hopper (David Harbour), em Stranger Things. Gosto de começar as manhãs mais lentas, com silêncio, me observando, observando o tempo. Na verdade, nunca tive muito esse hábito. Mas depois de viver em uma cidade grande e agitada como Salvador (BA) e de precisar acordar super cedo, pegar ônibus lotado, enfrentar trânsito, sair de casa sem tomar café e tudo mais do modo de viver frenético capitalista, eu passei a valorizar a quietude e o passar do tempo mais lento. No fundo, e após algumas sessões de terapia, sei que esse sempre foi o meu jeitinho. Sou uma pessoa reservada, gosto do meu canto e do silêncio. Estava só vivendo fora da minha rota. Respiro aliviada e agradecida por ter passado.

Quando criei coragem e iniciei uma nova jornada na minha vida, lembro como se fosse ontem do vazio que senti, ao acordar pela primeira vez, sem pressa e com o dia inteiro para fazer o que eu gostaria de fazer, no tempo em que achasse melhor. Eu era dona do meu dia, por mais que isso significasse uma realidade de desemprego e a confusão mental causada pela incerteza do amanhã.

Foi bem nessa época, em 2016, que comecei a consumir conteúdo voltado para organização e produtividade, desenvolvimento pessoal como um todo, e iniciei a terapia. E esse combo me levou a repensar minha rotina e adotar algumas dessas práticas que Hal considera como salvadores de vida. E que eu estou aqui dizendo com todas as letras, a partir da minha experiência, que salvam mesmo!

Silêncio/ meditação

Eu amo o silêncio. Um silêncio que eu amo é o da manhã. Na verdade, eu gosto do som da manhã que eu só percebo porque busco o silêncio. Ouvir o barulho da cafeteira fazendo o café, o bater das portas do armário, o som do chuveiro, o movimento da rua começando a se agitar, o som dos pássaros que resistem na vida da cidade. A meditação para mim é muito desse silêncio profundo para ouvir. Mas também pratico a meditação guiada quando quero fazer daquele momento uma prática de oração.

Afirmações

Lembro que passei a utilizar as afirmações quando fiz um programa de coach, o Rock Your Life, em 2017, com Bia Lombardi e Emmanuela Maria. E eu acho que já deu para perceber que acredito no poder das palavras, afinal eu escrevo. As afirmações me acompanham desde então. Na época do processo seletivo do mestrado, eu repetia sempre que me sentia insegura que eu era capaz, que eu merecia aquela conquista. Mas também eu repetia como uma oração acompanhada de respiração profunda: eu entrego, eu confio, eu aceito e eu agradeço. Nessa época do processo seletivo também passei a repetir afirmações indicadas pela terapeuta.

Visualizações

Se tem uma coisa que minha cabeça gosta é de imaginar, visualizar, criar cenários. Confesso que para o bem para o mal. Eu gosto da prática da visualização porque me imagino em determinadas situações e observo como me sinto lá. Se me sinto bem ou mal. Feliz ou incomodada. É um exercício poderoso, até mesmo para guiar decisões.

Exercícios

Sempre fiz exercício físico, mas de forma inconstante. Já paguei plano de academia e não fui. Já iniciei Pilates e Ioga várias vezes. Mas nunca tinha um compromisso e nem via um motivo, um propósito, além de manter um corpo, de acordo com padrões exteriores . Até que, em 2018, o Muay Thai entrou na minha vida. A indicação da terapeuta era que eu praticasse uma atividade marcial para trabalhar a autoestima e a confiança, além de me ajudar a liberar tudo o que estava preso, ansiedade e medos. O tipo de ansiedade que me perseguia na época era a paralisante. Eu ficava tão ansiosa, internalizava tudo, e consequentemente parava. Então fui praticar Muay Thai. E deu super certo. Foram 8 meses intensos de prática. E eu acordava super feliz, muitas vezes, às 5h30, para praticar. Sério, nunca na galáxia, que eu ia pensar em fazer algo do tipo. Foi então que fiz as pazes com a atividade física. Eu vi os reais benefícios. Não estava li em busca de um corpo padrão. Eu estava ali para, acima de qualquer coisa, cuidar da minha saúde física e mental. Infelizmente, precisei me afastar da prática para cuidar da tendinite que tive nos dois joelhos. Mas o gosto pela atividade física permaneceu. Fiz meu tratamento direitinho. E resolvi que não voltaria para o Muay Thai. A prática fez sentido em um determinado momento da minha vida, me ajudou a adquirir o gosto pela atividade física, cumpriu o papel terapêutico, mas como você já deve ter percebido, eu sou uma pessoa mais tranquila. Hoje pratico feliz pilates e ioga. Gosto de andar e correr. Faço funcional duas/três vezes na semana com personal. Sigo movimentando o corpo, cuidando da mente, e colocando para fora a ansiedade e estresse.

Leitura

Ler é uma das minhas paixões. Este texto foi motivado pela leitura do livro do Hal. Eu pesquiso leitura no mestrado. Logo percebe-se o quanto eu acredito nessa prática. Ler amplia não apenas as ideias, mas motiva a ampliar as nossas práticas. O livro do Hal, por exemplo, criou uma comunidade dos adeptos ao milagre da manhã.

Escrever

A newsletter Notas da Vida 01 foi sobre escrever. Acredito que escrever é terapêutico. Quando você se propõe a tirar um tempo para escrever, você também tira um tempo para buscar se entender. Escrever, seja no papel ou no digital, é materializar os pensamentos. Esse ato de materialização faz com que as coisas, os problemas, os sentimentos, se tornem tangíveis e a gente consegue, aos poucos, buscar caminhos de resolução.

Quis compartilhar a minha experiência para que você se sinta motivado, não só a ler o livro O milagre da manhã, mas também a levar uma dessas ferramentas para o seu dia. Teste, veja o que encaixa na sua vida/rotina. Faça no seu tempo, do seu jeito. Bom milagre para você!

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Escrito por Jeniffer Geraldine
jornalista, criadora de conteúdo, mestranda em crítica cultural