Os nossos encontros e desencontros

Os nossos encontros e desencontros

Quantas vezes a gente se perde e se encontra na vida?

Não sei. E me parece inútil ter um número exato. Eu já me senti perdida várias vezes e sigo perdida, mas sigo tentando me encontrar. Hoje tenho algumas certezas que não tinha aos 15 anos e sei que nos 30 essas certezas podem não existir mais.

Li recentemente o primeiro livro publicado por Jorge Amado, O País do Carnaval, quando ele ainda tinha 18 anos. Eu lembro dos meus 18, já morava fora da casa dos meus pais e cursava a faculdade de Jornalismo com a certeza de que estava fazendo a escolha certa. Alguns poucos anos depois, algumas certezas mudaram, outras continuaram. Mudei de cidade de novo e minha vida mudou toda mais uma vez.

Mas voltando pro País do Carnaval… No livro, Jorge Amado busca, através dos seus personagens, um sentido para a existência. E cada um deles acreditava ter um meio para conquistar a felicidade plena. O problema era que eles eram céticos demais. A busca era tão grande e árdua que eles se tornaram infelizes. Mas pra mim o principal motivo da infelicidade era o medo de tentar. De quebrar as convenções sociais, de romper com ligações políticas, de amar sem medo do que a sociedade ia achar, de ir além do esperado. O próprio Jorge escreveu, lá em 1930, em uma tentativa de explicar o seu primeiro livro (sim, ele fez isso) que “o fracasso das tentativas não é prova da sua inutilidade”.

Li isso e agora levo pra toda vida.

E se pensarmos bem, esse é o maior clichê de todos. Você não vai saber até ir lá e tentar. E se não der certo, você tentou. Muita gente diz que isso é conversa de perdedor. Eu prefiro acreditar que é conversa de corajoso. Mudar de planos, mudar as certezas, botar a cara no sol, enfrentar de peito aberto a vida – tudo isso é para poucos.

Para mim perder é se acomodar com o que incomoda. O marasmo da vida é que inútil.

As nossas incertezas são válidas. Os nossos fracassos são válidos. Como eles nos perdemos, nos encontramos, seguimos vivendo. Felizes talvez.

 

Publicado porJeniffer Geraldine

escritora, jornalista, mestranda em crítica cultural


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