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Orlando – Virgínia Woolf

Virginia Woolf nasceu em Londres em 1882. Além de romances, escreveu ensaios, contos e resenhas para jornais. Em 1928 publicou Orlando, seu sexto romance, com o subtítulo “uma biografia” e dedicatória à escritora Victoria Sackville-West, Vita, sua grande amiga e com quem Virginia teve um envolvimento amoroso.

Se for para falar do livro de forma superficial diremos apenas: Orlando conta a história de um homem que um dia acordou como mulher. Mas óbvio que não é só isso.

Orlando tem características de um romance histórico e a narrativa é como se Vírginia estivesse escrevendo naquele momento a biografia de Orlando. Encontramos questionamentos e considerações feitos pela escritora – como uma conversa com o leitor -, isso nos faz entender melhor o personagem principal e a sociedade retratada.

…mas, embora a visão dessa obra lhe desse extremo prazer, nunca ousara mostrá-la nem mesmo para sua mãe, pois saiba que escrever, e principalmente publicar, era, para um nobre, uma desgraça imperdoável. – pag 57

A narrativa começa com Orlando aos 16 anos, no final do século XVI, e termina em outubro de 1928.  De fato, Orlando no meio da sua longa vida, acorda como mulher, mas até lá muita coisa acontece e Virginia Woolf surpreende por abordar, naquele tempo, questões como sexualidade e androginia.

Para nós é suficiente constatar o simples fato: Orlando foi homem até os trinta anos; nessas ocasião tornou-se mulher e assim permaneceu daí por diante. – pag 100

 

É interessante acompanhar a transformação de Orlando, suas descobertas e aventuras, a transição do pensamento –  e da atitude – do masculino para o feminino, o seu amadurecimento. E principalmente a aceitação da possibilidade de viver a androginia.

Parece que ela não tinha dificuldade em sustentar o duplo papel, pois mudava de sexo mais frequentemente do que podem imaginar aqueles que usaram apenas uma espécie de roupa; e não pode haver dúvida de que com este artifício colhia uma dupla colheita, os prazeres da vida eram aumentados, suas experiências multiplicadas. Trocava a probidade dos calções pela sedução das saias, e usufruía igualmente o amor de ambos os sexos. – pag 156

A aparência de homem ou mulher, fica aqui a cargo das roupas utilizadas. “E frequentemente são apenas as roupas que mantêm a aparência masculina ou feminina, enquanto interiormente o sexo é aquele oposto ao que está à vista” (p. 134). Pois, nem de nome Orlando mudou. Achei estranho o fato de não mudar o nome, mas pensando bem isso é o mínimo e só me fez pensar que a sociedade ainda é presa aos gêneros. Deve-se nascer e morrer homem ou mulher. E os poucos que se atrevem a fazer diferente sofrem para sobreviver aos olhos estranhos que os rodeiam.

Realmente, Virginia escreveu uma obra-prima à frente do seu tempo e do nosso.

 

Publicado em Literatura

2 comentários

  1. Helena Machado Helena Machado

    Uau, que livro deve ser! Confesso que nunca li nenhuma obra de Virginia Woolf, mas me comprometi a ler na minha meta de leitura do ano que vem. Estou a caça de um livro desta autora por onde começar a leitura, e a sua resenha me ajudou bastante, parece ser realmente um livro polêmico.

    Beijinhos, Hel.

    http://leiturasegatices.blogspot.com.br/

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