O Professor – Cristovão Tezza

Ao longo desses meus 27 anos, já finalizei e comecei diversos ciclos na vida. E acredito que faz parte do processo analisar o que foi bom e ruim, o que deu certo ou não. Essa análise ajuda a seguir em frente com os ombros mais leves. Óbvio que procuro não ficar louca com tanta reflexão e muitas vezes é algo feito de maneira involuntária – começo a conversar com meus botões e os pensamentos/questionamentos surgem. Talvez seja coisa de canceriana/taurina, ou de jornalista, ou algo que herdei da minha mãe. Não sei, mas foi esse hábito que me fez simpatizar com Heliseu, personagem do livro O Professor, do escritor brasileiro Cristovão Tezza.

No livro, publicado em 2014 pela Editora Record, Heliseu vai ser homenageado – prêmio que é fruto de uma vida inteira dedicada à filologia romântica – e precisa preparar um discurso de agradecimento. Enquanto pensa no que vai falar, o Professor relembra pessoas e momentos importantes da sua vida e faz o que podemos chamar de “acerto de contas”.

Cristovão usa a técnica do fluxo de consciência para nos apresentar um personagem que sempre viveu conforme os ensinamentos machistas do pai e isso refletiu em seu casamento com Mônica e, principalmente, no relacionamento com seu único filho, Eduardo.

Apesar de não ter me apaixonado tanto por Heliseu e de achar o uso do fluxo de consciência um pouco exagerado, a história de O Professor é muito bem escrita e isso faz com que a leitura continue agradável. Sem falar que alguns acontecimentos movimentam a vida do personagem, o relacionamento com a francesa e aluna do doutorado Therèze e a morte de Mônica, e assim a gente acaba acompanhando com mais interesse esse acerto de contas.

Os pensamentos são soltos, não seguem uma ordem cronológica, o que exige um pouco mais de atenção do leitor. São apenas 237 páginas de uma conversa intima entre Heliseu e Heliseu, que nos faz pensar sobre escolhas e a busca incessante para o sentido da vida.

Acho que todas as pessoas do mundo deveriam receber esta medalha, independentemente do que fizeram na vida, sejamos generosos, deveriam receber medalha só pela oportunidade de, numa rápida cerimônia de acerto de contas, um pré-juízo final, rever a vida em poucas palavras, aquela essência que sempre nos falta, o tiquinho de nada que, se a gente chegasse lá, tudo resolvia com tranquilidade. Enfim, as coisas devem necessariamente ter um sentido, ou não existiriam, você não acha? Deus não joga dados, certo? Ou joga? Eheh. Eu adoro esses pequenos sofismas de cafezinho. (pag 71)

 

O professor

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Comentários 4

  • Natália Calzado

    18 de agosto de 2015

    Responder

    Não conheço muito do autor, mas o pouco contato que tive eu gostei bastante.
    Não me apeguei a nenhum personagem dele, mas eu acabo me identificando com alguns medos e sentimentos deles ao longo do livro.
    Pelo o que eu procurei na internet sobre o autor, o professor é o livro mais maduro do Tezza e tem agradado bastante os leitores. Ta na minha lista de livros que quero ler.
    Beijos

    • Jeniffer Santos

      18 de agosto de 2015

      Responder

      Foi o meu primeiro contato com a ficção do Tezza. Também li que esse é o livro mais maduro. Mas minha vontade mesmo sempre foi ler O Filho Eterno (foi esse que vc leu dele?). Só que O Professor acabou chegando primeiro. 😉
      Obrigada pela visita!
      Bjs

      • Natália Calzado

        18 de agosto de 2015

        Responder

        Também tenho vontade de ler esse livro, mas ainda não peguei ele.
        Eu tenho O fotografo e Um erro emocional. O fotografo eu nem li muita coisa pq não me prendeu. Um erro emocional eu gostei bastante.

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