O detetive de Edgar Allan Poe

Sou fã do gênero policial e desde quando comecei a ver a série “Sherlock Holmes”, decidi ir a fundo no gênero. Assisto muito seriado, mas não tinha o hábito de ler livros do estilo.  Acabei criando uma meta: vou ler mais literatura policial!

Por onde começar? Bem, pelo início, por Edgar Allan Poe considerado o criador do gênero ficção policial.

Poe nasceu em Boston em 1809. Ficou órfão ainda jovem, foi adotado informalmente por Francis Allan e John Allan. Se alistou nas forças armadas, teve problemas com bebidas, casou com sua prima de 13 anos,Virginia Clemm.  Foi escritor, poeta e crítico literário.

Em 1841, Poe escreveu o conto “Os assassinatos na Rua Morgue”, em que conhecemos o primeiro detetive da ficção, C. Auguste Dupin. Além desse conto, Dupin aparece em apenas mais 2: “Mistério de Marie Rogêt” e “A carta roubada”.

Os contos são bastantes ricos – não esqueço das linhas sobre xadrez e dama em “Os assassinatos na rua Morgue” ou sobre a análise do possível afogamento de Marie em “Mistério de Marie Rogêt”. O que chama atenção é a inteligência, a forma como Dupin enxerga cada detalhe para solucionar um caso. Os dois últimos contos são bem parados, mas o suspense e a pergunta “como ele chegou a essa conclusão?” inquietam e fazem a leitura fluir. No conto “Os assassinatos na rua Morgue” nos deparamos com o improvável e foi o que mais gostei de ler.

Os assassinatos na rua Morgue (1841 – Coleção Leitura da editora Paz e Terra)

É narrado por um homem que ao viver em Paris conhece Dupin, nutre uma amizade pelo jovem cavalheiro inteligente e ambos decidem que após aquele encontro vão passar o restante da estadia na cidade juntos.

Nesse conto, Dupin vai desvendar o mistério dos assassinatos da Madame L’Espanaye e sua filha Mademoiselle Camille L’Espanaye, o caso chama atenção dos dois amigos após a leitura da manchete em um jornal. Dupin duvida dos métodos utilizados pela polícia francesa para investigar qualquer crime e com seu próprio método de investigação –  baseado na dedução, na habilidade de observar profundamente os fatos e de pensar como os envolvidos no mistério –   desvenda o caso que tanto atormentava a polícia e a sociedade da época.

edgar-allan-poe2-foto-jeniffer santos

Não devemos julgar pelos meios – disse Dupin – mediante uma investigação tão superficial. – pag 30

A verdade nem sempre está no fundo de um poço. Na verdade, em relação ao que mais importa se conhecer, acredito que ela é superficial. A profundidade está nos vales onde a procuramos, e não nos topos das montanhas onde ela é encontrada. – pag 31

(…) Em investigações como esta que estamos fazendo, não se deve perguntar ‘o que aconteceu’, mas sim ‘o que aconteceu desta vez que nunca aconteceu antes’. Na verdade, a facilidade com a qual eu chegarei, ou já cheguei, à solução deste mistério está na razão direta de sua aparente insolubilidade aos olhos da polícia. – pag 35

Mistério de Marie Rogêt (1842 –  Coleção 64 páginas da L&PM Pocket versão digital)

Dupin investiga um antigo caso, o assassinato da bela jovem Marie Rogêt, cujo corpo foi encontrado em um rio,  apenas utilizando informações de jornais locais que noticiaram o fato na época. Mais uma vez o crime que intrigava a polícia e a sociedade parisiense é solucionado de uma forma peculiar pelo detetive.

Um dos erros mais comuns das investigações é limitar o inquérito ao imediato, desconsiderando totalmente os eventos colaterais ou circunstanciais.

A Carta Roubada (1844 – Coleção Leitura da editora Paz e Terra)

O mistério da vez é o roubo de uma carta de grande importância para a realeza. O delegado Monsenhor G sabe quem foi o autor do roubo, mas após várias buscas não conseguiu encontrar a carta e pede ajuda a Dupin.

O detetive impressiona não só ao amigo narrador e o delegado como ao leitor, pois quando o Monsenhor G fala que pagaria para quem o ajudasse a solucionar o caso, o detetive diz para o policial assinar e entregar o cheque porque já estava com a carta em mãos. Todos ficam curiosos e ele começa a relatar como recuperou a carta das mãos do Ministro D.

Na sabedoria, nada mais odioso que julgar-se sábio –  Sêneca – pag 63

Se você gosta de literatura policial, vale a pena conhecer as obras de quem deu início ao gênero!

 

>> Visite o site do Edgar Allan Poe Museum : Poe’s life, legacy, and Works

Você pode gostar também de

Comentários 2

  • [SNT #5] Super Detetives - Subindo no Telhado

    6 de julho de 2015

    Responder

    […] policial. Em 1841, Poe escreveu o conto “Os assassinatos na Rua Morgue”, em que conhecemos o primeiro detetive da ficção, C. Auguste Dupin. Além desse conto, Dupin aparece em apenas mais 2: “Mistério de Marie Rogêt” e “A carta […]

  • Os maiores detetives do mundo - Subindo no Telhado

    7 de julho de 2015

    Responder

    […] o leitor faz uma viagem na linha do tempo do universo policial começando pelo primeiro detetive, Auguste Dupin, criação de Edgar Alan Poe, em 1841, até chegar no detetive sueco Joona Linna criado em 2009 por […]

Deixe uma resposta