O Amante (Marguerite Duras)

Motivada pelo Projeto Ferrante Indica, organizado pela Aline Aimee, li O Amante, da escritora Marguerite Duras. A edição que tenho do livro faz parte da coleção Mulheres Modernistas, da Cosac Naify. Por isso já dá para ter noção de quanto tempo tenho O Amante na estante sem ser lido. Não encontrava uma motivação para realizar a leitura mas ela chegou através da curiosidade de ler um livro indicado por uma das minhas autoras contemporâneas favoritas, Elena Ferrante.

O Amante foi lançado pela primeira vez em 1984, quando a autora já tinha 70 anos de idade, e é um romance autobiográfico que, misturando tempos e vozes narrativas, conta a história de amor entre uma jovem francesa e um homem mais velho rico e chinês.

É preciso ter uma certa atenção na leitura por conta da mudança de tempo e voz narrativa. Me parece que Duras escreveu ao mesmo tempo em que a memória brincava na sua mente. No presente lembramos de um passado e de um outro passado mais antigo. Rememoramos acontecimentos em busca de explicações para as atitudes de ontem e de hoje, as nossas atitudes e as de pessoas próximas.

Apesar de ter o romance como o fio condutor da história, O Amante vai além e nos leva a pensar sobre relacionamento mãe e filha, casamento, família, e outras questões morais e sociais.

O romance é rico, instigante, e uma excelente leitura. Mas saber a história por trás dele deixa tudo ainda mais fascinante. Na edição há o posfácio escrito por Leyla Perrone-Moisés que nos ajuda a contextualizar vida e obra de Duras.

É no posfácio que encontro uma ligação interessante entre Duras e Ferrante. Ao comentar sobre os biógrafos de Duras, Leyla menciona Laure Adler e diz que a biógrafa “observou que a escritora construiu seu próprio mito, e que, sobre muitos fatos, é impossível saber a verdade.”

Me encantou a leitura de um romance autobiográfico sobre uma jovem francesa que se relaciona com um homem rico chinês por amor, prazer e dinheiro. Mas me encanta ainda mais saber que por se tratar de uma obra autobiográfica não temos motivos para duvidar dos acontecimentos retratados. Aconteceu conforme a lembrança e o que foi escrito a partir dela. E como disse Leyla, “todas as falhas da memória são preenchidas por certezas fictícias”.

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Escrito por Jeniffer Geraldine
Baiana, escritora, jornalista e professora. Apaixonada por livros, fotografia, séries, filmes, pôr do sol, olhar pela janela, música e viajar.