Abril foi o mês que completei 30 dias de isolamento social – mais especificamente no dia 18 de abril de 2020. Confesso que tive um leve surto no dia que descobri esse marco. Bateu angústia, tristeza, enxaqueca, medo, uma confusão geral. Em parte, sei que foi devido a TPM, mas também sei que a TPM foi maximizada por causa do estado de isolamento. Mas também foi o mês que consegui voltar a dormir cedo e acordar cedo, ou seja a rotina aqui deu uma boa ajustada. Graças a Deus e o processo de reorganização que fiz quando senti que tudo estava bagunçado demais. Quero hoje destacar alguns pontos interessantes do meu mês com o notas de abril.

KINDLE – companheiro de leituras

Em abril, eu li sete livros. Falarei dos livros em outro momento porque agora vou falar sobre o meu companheiro de leituras, o Kindle. Dos sete livros que li, 6 foram no leitor digital. O Kindle me fez companhia desde o café da manhã até a hora de dormir. Acho prático, leve, não incomoda meus olhos, e tenho qualquer livro disponível com poucos cliques. Não estou aqui querendo te dizer para comprar o Kindle. Só estou dizendo que percebi que meu fluxo de leitura flui muito melhor com o leitor digital. Com um detalhe: se for leitura de ficção ou de desenvolvimento pessoal (algumas temáticas). As leituras teóricas ainda prefiro fazer com livros físicos.

MINIMALISMO DIGITAL – a exclusão do Twitter

Fiz a leitura de “Minimalismo digital”, do Call Newport, durante o mês e fui tentando colocar em prática alguns aprendizados. Não foi nada drástico, nem estou deixando de fazer coisas que gosto, mas eram situações que queria deletar da minha vida e ainda não havia encontrado coragem. Então ler “Minimalismo Digital” foi o empurrão. Após a leitura, dei um grande primeiro passo rumo ao minimalismo digital, ou rumo a utilizar as redes sociais com mais propósito – exclui o Twitter. Eu entrei na rede social on-line Twitter quando tudo era mato. Eu lembro que meu primeiro emprego, em 2010, consegui através do Twitter. Mas já faz um tempo que o mato foi devastado e hoje o Twitter é um lugar extremamente populoso e onde todo mundo tem opinião sobre tudo.  Devido a pandemia, parece que mais gente chegou por lá e alguns debates se acirraram. Eu já estava bastante incomodada com o fluxo de informação. E percebi que utilizava a ferramenta como uma das minhas principais fontes de informação. Mas acontece que parecia que eu vivia num looping eterno. O Twitter todo dia cancela alguém ou uma notícia é replicada diversas vezes. Eu percebi que não estava me informando, estava apenas consumindo a mesma informação diversas vezes. E eram informações que não me agregavam em absolutamente nada e que me causavam ansiedade e desconforto. Eu ainda usava o Twitter como um diário pessoal. Mas muita gente usa o Twitter como um vomitador de ódio gratuito e um palco para seu ego e as suas verdades. Entendo que cada um usa a rede como bem entender. E que também há discussões pertinentes que começam lá. Mas eu também entendi que não é mais o meu modo de consumir informação – e isso é mais importante para mim no momento. Meu consumo de informações agora é através da assinatura de news e através do Feedly – um agregador de conteúdo. Meu Twitter virou um grupo no Whatsapp com alguns amigos da resenha. E meu diário pessoal é no papel. Estou bem feliz com a mudança. Não senti falta do Twitter. E muito em breve meu perfil de mais de 10 anos será excluído oficialmente pela plataforma. Cogitei fazer outro, mas percebi que não faz mais sentido para mim. E vida que segue.

ORIENTAÇÕES ONLINE – os encontros do grupo de pesquisa e a orientação do mestrado por Skype

Em abril também retornamos com as atividades do mestrado. Toda segunda, de manhã, nos encontramos virtualmente. E para mim isso é muito importante porque mantém viva a relação com os colegas, orientadora e com a pesquisa. O fato é que a pesquisa não para e ainda bem que tenho ela neste momento para criar uma rotina e ocupar a mente. E os encontros, além de serem bons para discussões de textos teóricos e sobre o Brasil atual, é um momento de desabafo sobre o processo de produção durante a pandemia que é bem complexo. Não podemos ir para campo e as entrevistas também são online.  É uma nova maneira de se fazer pesquisa. E é preciso aprender com esses tempos de alguma forma.

O FIM DO BIG BROTHER BRASIL 20

Sim, eu vi toda a 20ª edição do BBB. Desde o início achei ousada a ideia de Boninho de colocar na casa anônimos e famosos. Foi treta atrás de treta e muito fogo no parquinho. Eu e algumas amigas formamos um grupo de Whatsapp para compartilhar notícias e debater sobre BBB. Foram dias intensos e eu até assistia pelo paperview. Para mim foi uma edição histórica sim e que vai marcar a história da televisão brasileira – enquanto estávamos confinados em nossas casas, assistíamos pessoas confinadas em busca de mais de um milhão de reais. Há quem chame o BBB de laboratório social. Eu até acho uma denominação interessante, mas fico receosa afinal não devemos esquecer quem produz e quem conduz o BBB. Durante o programa diversas pautas sociais, culturais e políticas foram levantadas. Percebi um engajamento enorme de diversas pessoas em não deixarem essas pautas se esvaziarem, no sentido de ficarem na superfície. Não sei se valeu a pena. Talvez? Fica o questionamento. Afinal são diversos núcleos de discussão, diversas redes. Na rede do meu primo quem ganhava era a Rafa Kaliman, a religiosa, engajada em causas sociais e fã de sertanejo. Na rede do meu outro primo quem ganhava era o Babu, ator, paizão, fã de futebol. Na minha rede quem ganhava (e ganhou) foi a Thelminha, mulher preta, médica, de garra e coragem, a representatividade. O BBB pode e deve pautar discussões contemporâneas importantes, mas em tempos de conexões digitais as discussões são pulverizadas e cada um escolhe a sua verdade.

Conteúdo em vídeo:

“Notas de abril | 2020” é  o episódio 4 do JgCast. Confira!

E como foi o abril por aí?
Bom maio!
Obrigada por acompanhar! Até a próxima.

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