Você já parou para questionar por quê faz uso de determinadas rede sociais? Qual o seu objetivo de ter um perfil no Tik Tok, por exemplo, que é uma das redes sociais digitais que tem crescido atualmente?

Eu acredito que, ao menos que você seja um estrategista de rede social, nunca tenha pensado sobre o propósito de ter um perfil no Facebook. Geralmente damos respostas como: Meus amigos estão lá. Uso para manter contato com antigos amigos (sério mesmo?). Utilizo para me manter informado.

E, em relação a questão de informação, eu tenho mais uma pergunta: você acredita que tem realmente se informado com qualidade ao usar as redes sociais digitais?

Pensar sobre como utilizar melhor as tecnologias digitais foi um dos grandes ganhos na minha vida quando resolvi ler Minimalismo digital: para uma vida profunda em um mundo superficial, do Cal Newport.

Newport considera o minimalismo digital como uma “filosofia de uso da tecnologia bem formulada, enraizada em seus valores profundos, que conceda respostas claras a perguntas sobre quais ferramentas e como usá-las, e, igualmente importante, que permita ignorar com segurança todo o resto”.

Eu amo a parte do “ignorar com segurança todo o resto”. Principalmente porque vivemos em uma sociedade contemporânea de excessos mas que também é uma sociedade da escassez. Sempre falta alguma coisa, mesmo que tenhamos muito. “Ficar de fora” não é uma das expressões que queremos colocar em prática.

O livro do Cal traz muitas questões interessantes sobre o uso da tecnologia, inclusive pensando em diversos projetos que nos programam para um uso compulsivo das redes sociais digitais, caindo por terra a ideia da tecnologia neutra. Nessa linha, o autor fala sobre um movimento de resistência da atenção que busca não tornar as pessoas vítimas do uso compulsivo das tecnologias, mas sim buscar um valor no uso para fugir das armadilhas de atenção elaboradas pelas empresas de tecnologia.

Uma das partes interessantes do livro é quando ele diz que não é apenas uma questão de utilidade mas de autonomia. Nós deveríamos ter a liberdade de escolher utilizar ou não Whatsapp para trabalho. A liberdade de poder responder as mensagens em determinadas horas. E de até simplesmente ficar indisponível sem que alguém tente te contactar por e-mail, Whatsapp, Facebook, só para saber se você recebeu determinado documento.

A questão do detox digital também é abordada pelo autor. Do que adianta você ficar 30 dias sem utilizar as redes sociais e na volta sair publicando tudo que fez durante os dias off-line e continuar com o uso de determinadas redes da mesma maneira que fazia antes? Newport traz diversas dicas de práticas e lições para fazermos realmente uma faxina digital alinhada com o objetivo de melhorar o consumo do digital a longo prazo. O autor não levanta uma bandeira contra a tecnologia digital, mas nos apresenta sugestões de um uso consciente, saudável e moderado.

 

COMO COLOCO EM PRÁTICA O MINIMALISMO DIGITAL

Sem notificações de aplicativos | somente alarme

Já faz bastante tempo que desativei todas as notificações dos aplicativos do celular. E uso constantemente no modo “somente alarme”. Uma das melhores decisões relacionadas ao uso do celular que eu tomei.

Redes sociais digitais

Atualmente a rede social digital que sou efetivamente ativa é o Instagram. E tracei para ela um projeto editorial, ou seja um objetivo de uso. Também adicionei o lembrete de uso diário da rede. Quando eu chego em 1h de uso no dia, o Instagram me avisa. E, então, eu sei que já passei tempo demais.

No Facebook meu perfil é ativo, porém não utilizo. Às vezes vou lá para compartilhar links de conteúdo do blog. Mas também não utilizo a página do blog  e não tenho o aplicativo no celular. Em abril, exclui o meu perfil do Twitter e tenho perfil no Tik Tok mas não uso.

Só acesso o Whatsapp após às 9h. Como uso a técnica Pomodoro, costumo verificar as mensagens nas pausas das sessões produtivas. Sigo a mesma regra para o e-mail. E uso muito a opção de agendar e-mail para manter os envios em horários e dias comerciais. Youtube para mim é uma rede de inspiração e conteúdo qualitativo. Então não tenho um uso frequente e nem demasiado.

Consumo de informações

Uma das práticas sugeridas pelo Cal é que abracemos a mídia lenta. É uma sugestão para que “você se concentre apenas nas fontes de maior qualidade”. No meu caso, eu tinha a ideia ilusória de que o Twitter era minha principal fonte de informação, mas depois percebi que não. A plataforma era minha principal fonte de excesso de informação. Logo a substitui por duas news de curadoria de informação jornalística. E tenho acesso a alguns dos principais jornais e revistas do Brasil, através da assinatura dos seus feeds de notícias e aplicativos especializados em jornais e revistas, como Hube Jornais ou Go Read.

 

Conteúdo em vídeo:

“Minimalismo Digital – Como coloco em prática” é o episódio #07 do JGCast. Ouça nas plataformas baixo:

3 Comentários

  1. Luana 27/05/2020 às 09:24

    Essa semana tenho feito isso, depois de um final de semana sem internet no sitio, tenho acessado as redes sociais no final do dia, respondo mensagens e verifico tudo, a não ser que seja algo urgente que respondo antes, e tenho rendido muito, uso a maioria das redes para trabalho.

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    1. Jeniffer Geraldine - Arquivos do autor 27/05/2020 às 09:39

      É um bom sistema mesmo. Não fica refém e usa com objetivo. Obrigada por compartilhar a experiência. Bjs

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  2. Pingback: Como consumo informações | #minimalismodigital - Jeniffer Geraldine

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