Me Indica Aí #1 – livro e filme do nordeste

Me Indica Aí #1 – livro e filme do nordeste

Resolvi tirar da gaveta de ideias mais uma seção de conteúdo para meus canais, principalmente o Youtube e o Podcast.

“Me indica aí” é um quadro com indicações curtinhas mas bem boas de livros, filmes, séries, música, revistas e o que rolar.

Lembrando que tudo que eu indicar aqui, eu já vi, ouvi, ou li. E que meu olhar, minha análise, minha leitura, está mais relacionado com a mensagem que cada produção tem para nos passar do que com os detalhes técnicos.

Ouça esse conteúdo:

LIVRO

“O Quinze” é um livro importante na literatura brasileira. Escrito por Rachel de Queiroz, aos 19 anos, sobre uma das mais terríveis seca ocorrida no Ceará, em 1915. Rachel fez história!  

Muitos vão achar parecido com “Vidas Secas”, mas é super importante lembrar que “O Quinze” é de 1930 e o livro escrito por Graciliano Ramos é de 1938.

A autora retratou a seca sem romantismo e criou uma personagem feminina, a Conceição, independente para o aceitável naquele tempo, interessada na leitura, nos estudos, e em ajudar o próximo. Uma mulher que encontrou a maternidade através da “adoção” e soube colocar seus desejos acima da subjetividade social.

Além da seca, divisão de classe e da situação da mulher, o livro também faz pensar sobre o racismo na época.

FILME

Preciosidade – essa foi a palavra que surgiu na minha cabeça enquanto assistia os minutos finais de “Café com canela”, com algumas lágrimas caindo dos olhos.

O filme celebra a cultura negra em suas formas mais sutis de manifestação e presença no cotidiano. Mostra a vida do interior do recôncavo baiano, simples, dura, mas boa em diversos aspectos.

Não é caricato, nem piegas. Fala de perda, solidão, luto, mas ao mesmo tempo traz uma mensagem de esperança. E em tempos como esses, precisamos tanto de uma mensagem dessa. É um aviso: não estamos sozinhos. Não precisamos estar sozinhos.  Há ainda generosidade e afeto, e talvez a gente encontre tudo isso na porta ao lado, se nos permitimos sair um pouco do individual e partir pro coletivo, pro social, para a comunidade.

Para mim “Café com canela” diz para juntarmos as nossas dores e pensarmos em como deixá-las para trás. E assim seguir com a vida que como diz Violeta, uma das personagens principais, mesmo toda “desencontrada e cheia de loucura oferece pra gente os mais lindos encontros e inacreditáveis reencontros”.

Assista “Café com Canela”, uma preciosidade do cinema do recôncavo baiano!

Conteúdo em vídeo:

 

 

Publicado porJeniffer Geraldine

escritora, jornalista, mestranda em crítica cultural

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