Posts em Literatura

#LeiaBrasileiros 3 livros nacionais contemporâneos

Uma das minhas vontades literárias  é ler mais autores brasileiros contemporâneos. É fato que ainda há uma super valorização dos clássicos brasileiros – algo totalmente compreensível – mas tem muito livro bom sendo produzido no Brasil e que merece nossa atenção.

Desde que comecei a colocar em prática essa minha meta, já conheci seis novos escritores brasileiros: Marçal Aquino, Fernanda Torres, Maria Christina Monteiro de Lobato, Socorro Acioli, Raphael Montes e Eliane Brum. Separei  3 livros que mais gostei e super indico a leitura. São obras totalmente diferentes e cada uma se encaixa em um gênero literário. Leia mais

O detetive de Edgar Allan Poe

Sou fã do gênero policial e desde quando comecei a ver a série “Sherlock Holmes”, decidi ir a fundo no gênero. Assisto muito seriado, mas não tinha o hábito de ler livros do estilo.  Acabei criando uma meta: vou ler mais literatura policial!

Por onde começar? Bem, pelo início, por Edgar Allan Poe considerado o criador do gênero ficção policial.

Poe nasceu em Boston em 1809. Ficou órfão ainda jovem, foi adotado informalmente por Francis Allan e John Allan. Se alistou nas forças armadas, teve problemas com bebidas, casou com sua prima de 13 anos,Virginia Clemm.  Foi escritor, poeta e crítico literário. Leia mais

[Diário de leitura] “Mentiras no Divã” – Mentiras enquanto o reverso das verdades¹

O inimigo da verdade não é a mentira
e sim, a convicção.

Friedrich Nietzsche

Mentiras no Divã me conduziu a um elevado estado de ebulição psíquica. Desde o início de sua leitura muitas reflexões têm sido feitas, aprofundadas e muitas outras seguem em busca de um terreno para se assentar…

Sinceramente, não sei como descrever o quanto essa leitura mexeu em minhas estruturas… nesse exato momento a única que coisa que tenho por certo é a sensação da necessidade de viver a fase do “rezar”[²]… estar em um canto isolado, quieto, para entrar em profundo contato com o meu “eu” e com o cósmico… Leia mais

O Oceano no fim do caminho – Neil Gaiman

É fato todo mundo tem seus monstros de infância. Às vezes são ilusões, sombras ou um adulto. Eu lembro que o meu era uma sombra e um sapo-boi. No quintal da minha Vó, as sombras das roupas no varal formavam na parede o rosto de um homem narigudo. Eu juro! Era tenso e eu morria de medo. E um dia, no muro do quintal, apareceu um sapo enorme e disseram que era um sapo-boi, daqueles que correm atrás da gente. Tenso! Esses eram meus monstros, me mantinham longe do quintal nas horas impróprias e me faziam ir para cama cedo. Até hoje odeio sapo e tenho pavor de sombras.

Essas lembranças da infância voltaram por conta da leitura de “O oceano no fim do caminho” do Neil Gaiman (Intrínseca, 2013). Muito do que vivemos quando criança é esquecido, mas se surgir algo ou alguém daquele tempo, as lembranças vão voltando e o que parecia esquecido, enche o coração e os pensamentos de saudosismo. Leia mais

Frases do livro “Meus desacontecimentos”

Às vezes me perguntam o que aconteceria comigo se não existisse a palavra escrita. Eu respondo: teria me assassinado, consciente ou não de que estava me matando. É uma resposta dramática, e eu sou dramática. O que tento dizer é que, se não pudesse rasgar o papel com a caneta, ainda que numa tela digital, eu possivelmente rasgaria o meu corpo. E, em algum momento, o rasgaria demais.

Eliane Brum

Eliane Brum nasceu em 1966, é escritora, jornalista e documentarista. Escreveu por onze anos para o jornal Zero Hora, e dez para revista Época. Atualmente se dedica aos livros de reportagem e ficção, além de ser jornalista free-lance e escrever para o site do jornal El País.

Em 2014, através da Editora Leya, lançou uma autobiografia com o título Meus desacontecimentos – a história da minha vida com as palavras (144 páginas). Confira algumas frases do livro. Leia mais

[Diário de Leitura] Mentiras no Divã – Os sujeitos por trás dos profissionais

[…] Rick, de pé junto à porta, disse: – Então a implicação de Nietzsche para você é bem simples. Se esta organização real e sinceramente acredita que um terrível mal foi feito aos pacientes de Seth e se restou alguma integridade a esta organização, então existe um único curso aberto a você – isto é, se você quiser agir de maneira moral e legalmente responsável.

– E o que é? – Perguntou Weldon.

– Recall!

[…] Mas recall – disse Morris Fender –, por causa de interpretação errada?

– Não minimize uma questão séria, Morris – disse Marshal. – Existe alguma ferramenta analítica mais poderosa que a interpretação? E não estamos de acordo de que a formulação de Seth é, ao mesmo tempo, errada e perigosa?¹

De início quero pedir desculpas pela transcrição um pouco prolongada; mas esta se faz necessária para dar o tom à discussão que quero propor – fruto das reflexões que as mesmas provocaram em mim.

No decurso do capítulo sete, mais que um julgamento dos atos de um profissional da área de saúde mental, um emaranhado de questões éticas, concepções ideológicas e jogos de interesses são lançados à roda de discussões – o que provocou em mim as reflexões sobre o perfil, o caráter e a formação de algumas profissões, a saber: médicos, psicólogo/psicanalistas e professores. Leia mais

Meus Desacontecimentos – Eliane Brum

Eu sou uma pessoa de poucas palavras ditas, gosto das escritas. Isso me faz ser uma boa ouvinte e eu gosto de ouvir/ler o que as pessoas têm a dizer, principalmente sobre os acontecimentos das suas vidas. Em especial aqueles que me deixam mais ainda sem palavras. Aquele papo que ao final eu vou soltar algo do tipo: nossa, nem sei o que dizer! Eu li o novo livro da jornalista Eliane Brum, “Meus desacontecimentos – a história da minha vida com palavras” (Editora Leya, 144 páginas), e foi exatamente esse o meu pensamento ao terminá-lo.

Às vezes me perguntam o que aconteceria comigo se não existisse a palavra escrita. Eu respondo: teria me assassinado, consciente ou não de que estava me matando. É uma resposta dramática, e eu sou dramática. O que tento dizer é que, se não pudesse rasgar o papel com a caneta, ainda que numa tela digital, eu possivelmente rasgaria o meu corpo. E, em algum momento, o rasgaria demais. – pag 17

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[Diário de leitura] “Mentiras no Divã” – L’chaim!

– Conte-me sobre isso, Justin. – Péssima técnica! Percebeu instantaneamente. Colocou de volta os óculos e anotou no seu bloco: “Erro – pedir informações – contratransferência?”¹

Cada vez mais ouvimos falar das doenças ou distúrbios psicoemocionais. Algumas delas, é bem verdade, são dignas de uma investigação, acompanhamento e tratamento por profissionais especialistas na área. Outras se constituem no que costumo chamar de mazelas da alma.

Stress e depressão tornam-se adjetivos corriqueiros nos status quo do individuo contemporâneo. Ao passo em que há uma desvalorização dos sentidos das palavras, há uma mercantilização das pseudo curas. Poderíamos dizer que vivemos a era da banalização do sentir. Leia mais

Travessuras da menina má – Mario Vargas Llosa

Em Travessuras da menina má, Mario Vargas Llosa nos apresenta Ricardo Somocurcio, um peruano que tem como sonho de vida morar em Paris. Apenas isso. O que já nos mostra um pouco da personalidade dele, um cara simples e modesto. Na infância, Ricardo conhece e se apaixona por uma chilenita difícil de conquistar, Lily. São várias as tentativas de Ricardito em conquista-la, todas em vão. Mas a sua vida muda completamente a partir desse encontro.

Durante a leitura, conhecemos a Paris revolucionária dos anos 60; a Londres das drogas, da cultura hippie e do amor livre dos anos 70; a Tóquio dos grandes mafiosos dos anos 80; e a Madri em transição política dos anos 90. Enquanto, também, acompanhamos o reencontro, em cada um desses locais, entre Ricardito e sua chilenita que em cada local assume uma identidade.

A Menina Má é ambiciosa e aventureira. Gosta do luxo e para conseguir viver na riqueza se joga no mundo com vontade. Não se conforma com pouco e muito menos com a vida modesta de tradutor da UNESCO que Ricardito, o bom moço, leva em Paris. Ela queria o mundo enquanto ele queria apenas ela. Sua felicidade estaria completa em apenas viver ao lado da mulher que sempre desejou. Leia mais