Posts em Literatura

Qual a função da literatura?

Na edição de janeiro/2015 do Jornal Rascunho, Gustavo Czekster escreveu o ensaio Espelho negro em que questiona sobre a função da literatura. No início do texto, Czekster conta a história do livro Os Lusíadas, de Luís de Camões. Camões precisou escolher entre o livro e a amada, e “ao salvar Os Lusíadas, Camões tratou o livro como um objeto vivo, pensando nas dezenas de vidas que poderiam ser influenciadas pela sua obra. Ele não conseguiria viver sem a sua criação. É possível inclusive que tenha nadado ainda com mais afinco, sabendo que carregava consigo não um aglomerado de versos ou um pacote, mas a própria alma.” Leia mais

Minha mãe é uma peça – Paulo Gustavo

Depois do grande sucesso no teatro e no cinema, a personagem Dona Hermínia, criada pelo ator e comediante Paulo Gustavo, ganhou histórias inéditas em livro publicado pela Editora Objetiva. Com textos escritos com a participação de Ulisses Mattos e Fil Braz, a obra ainda é recheada de fotos da personagem e ilustrações.

As dezesseis histórias giram em torno da vida de Dona Hermínia que, como vocês devem saber, são seus filhos, Marcelina e Juliano, mas também a dona de casa comenta sobre diversos assuntos, como sexo, bebidas, dietas, viagens, a vida dos famosos, internet, divórcio, vizinhos e religião. Dei boas risadas com “Bebida (nada) liberada”, “Guia de viagem de Dona Hermínia”, “As aventuras de Dona Hermínia no ciberespaço”, “Divagando sem divã” e “Intimidade com Deus”. Leia mais

Augusto & Lea – José Carlos Sebe B. Meihy

Imagine que uma família com boa posição social e que tem tudo para viver o “feliz para sempre” é surpreendida por uma doença. A doença é a AIDS e talvez você esteja imaginando que a pessoa contaminada seja um jovem, mas em Augusto & Lea: um caso de (des)amor em tempos modernos (Editora Contexto), os contaminados são os pais.

Eu me inquietei e comentei com os filhos,que achavam que seria alguma coisa com os negócios, com a mudança na flutuação da moeda, com as consequências das medidas econômicas do governo… É sempre muito fácil encontrar desculpas quando não se quer ver a realidade… – Lea, pag 27

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Das paredes, meu amor, os escravos nos contemplam – Marcelo Ferroni

Marcelo Ferroni é escritor e editor da Alfaguara, selo de literatura da editora Objetiva. Em 2010, ganhou o prêmio São Paulo de Literatura como autor estreante, com o seu primeiro livro Metódo prático da guerrilha.

Das paredes, meu amor, os escravos nos contemplam, lançado em 2014 pela Companhia das Letras, é um romance policial do tipo “crime de quarto fechado” – quando algum personagem é morto dentro de um cômodo trancado por dentro. Leia mais

Anelisa sangrava flores – Anderson Henrique

Anelisa sangrava flores é a estreia solo do carioca Anderson Henrique. Publicado em 2014, pela Editora Penalux, o livro reúne 13 contos de realismo fantástico, um deles dá título ao livro.

O que mais me atraiu na leitura foi a forte presença feminina nas histórias contadas por Anderson. A figura feminina é quase sempre a personagem principal, envolvida em mistérios e magia. A Anelisa, do título, quando se machuca e o sangue entra em contato com a terra, nascem gérberas. É triste e belo, ao mesmo tempo. Leia mais

Doctor Who – Mortalha da Lamentação

Nada contra Peter Capaldi, mas eu gostava mesmo era do Matt Smith no papel do Doctor. Aquele magricela estranho do queixo proeminente continua fazendo falta, e foi na tentativa de sanar essa falta que comecei a ler “Mortalha da Lamentação”, escrito por Tommy Donbavand, um whovian como a gente, publicado no Brasil pela Suma de Letras. Seu texto cheio de bom humor é bem fluido e, como o livro é pequeno, muito provavelmente você vai ler num só final de semana.

A história de Dombavand reúne o 11º Doctor e Clara Oswald numa aventura contra a Mortalha. O inimigo da vez começou a tomar conta do planeta depois que o presidente norte-americano Kennedy foi assassinado em Dallas, no Texas (EUA), o que despertou um sentimento de tristeza em escala mundial. Dado que a Mortalha se alimentava exatamente de tristeza, então o planeta seria um prato cheio. Leia mais

A festa da insignificância – Milan Kundera

O tcheco, naturalizado francês, Milan Kundera, é conhecido principalmente por seu livro A insustentável leveza do ser (1983). Após mais de dez anos sem publicar um novo título, o autor lançou  A festa da insignificância (Companhia das Letras, 2014) em que conhecemos quatro amigos parisienses: Alain, Ramon, Charles e Calibã.

O livro é divido em sete partes e cada uma possui pequenos contos que aos poucos vão nos apresentando os amigos que possuem uma vida sem grandes acontecimentos. São pessoas comuns que podem passar despercebidas. São insignificantes para boa parte do mundo. Vamos conhecer, principalmente, os seus questionamentos e opiniões sobre vários temas, por exemplo o porquê de hoje as mulheres colocarem a barriga de fora e isso ser sex e erótico. Além disso, Kundera intercala o tempo e espaço, entre a Paris atual e a União Soviética do tempo de Stalin. Leia mais

Bonsai – Alejandro Zambra

Nós estamos acostumados a acompanhar o desenrolar de relacionamentos, aquela comédia romântica ou um romance “água com açúcar”. É bonito ver dois personagens se conhecerem e construírem juntos uma história de amor. Mas na vida as relações têm começo, meio e fim. E a vida imita a arte, a arte imita vida.

O chileno Alejandro Zambra em seu livro Bonsai (Cosac Naify), nos apresenta a história do fim do amor entre Julio e Emilia, dois estudantes de Letras. Logo no início Zambra deixa claro que ela morre e ele fica sozinho. Leia mais

Exorcismos, amores e uma dose de blues – Eric Novello

Eric Novello é um dos atuais entusiastas da literatura fantástica brasileira. Desde 2004, escreve contos e romances que misturam fantasia e realidade, além de organizar coleções sobre os temas. Exorcismos, amores e uma dose de blues (Editora Gutenberg, 2014), seu mais recente lançamento, é uma mistura de literatura noir, música, romance e, principalmente, um convite para descobrir e apreciar a literatura contemporânea do Brasil. Leia mais

Jardim de inverno – Kristin Hannah

Seguiu em frente. Ultimamente, esse parecia ser o melhor modo de lidar com as coisas.

“Seguir em frente” é o tipo de conselho que a gente escuta sempre que passa por um período turbulento na vida, seja ele de perda material ou emocional. É um conselho clichê, porém, às vezes, necessário. A gente segue, mas nem sempre esquece. O fantasma da lembrança sabe como nos assustar e nos aprisionar ao longo da vida. Só que tudo é uma questão de permissividade.

Jardim de Inverno, da escritora Kristin Hannah (Editora Novo Conceito), vai nos mostrar de que forma o fantasma da lembrança pode assombrar uma família durante anos, fazendo com que as escolhas do passado interfiram nos laços afetivos do presente. Leia mais