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Categoria: Literatura

[Diário de leitura] “Mentiras no Divã” e as reflexões do meu “eu”

Já pensou sobre o fato de ser mais fácil fazer um diagnóstico na primeira vez que examinamos um paciente [um ser qualquer] e que fica mais difícil quando melhor o conhecemos?

A cada nova leitura, seja científica ou literária, que faço sobre a temática sinto-me estranhamente ainda mais atraído. Fascinado. Apaixonado. Aprisionado… Fisgado!

Mentiras no divã. Que presente maravilhoso. Não teria outro tempo que fosse melhor oportuno para sua leitura. Fascinante e envolvente desde suas primeiras linhas. Provocativo!

Já em suas primeiras páginas uma avalanche de anseios e reflexões se fizeram em paralelo a cada linha; a cada cenário; e a cada provocativa que a narrativa nos instiga. Fez-me pensar acerca do psicoterapeuta que há em mim. Do que pretendo ser. De como esse “eu” terapeuta se entrelaça com o educador que sou; as concepções que tenho; as verdades que defendo…

Assim, em meu divã particular, leio, devaneio e realizo minhas próprias autoanálises. Reflito sobre a vida, minha e de outrem. Lamento os meus prantos. Sofro as minhas dores. Saboreio do néctar das alegrias. Perambulo em minha errante vida; relembrando… revivendo… sonhando sonhos; amargurando o destino…

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O Ladrão de Crianças – Gerald Brom

Já comentei aqui sobre o poder que a literatura tem de nos possibilitar viver outras vidas, mas esse é apenas um dos poderes que essa arte possui. Um outro e que julgo também muito importante é a liberdade. Fazer e consumir literatura são atos livres.

A partir do momento que um texto é dado como “acabado” pelo seu autor, ele começa a existir para o leitor e a partir dali, torna-se algo também do leitor. A leitura que ele fará da obra estará intrinsecamente ligada a sua subjetividade e por ser algo único abre-se, assim, um leque de possíveis releituras e isso, na minha opinião, enriquece a discussão, a literatura e a vida.

Há quem se arrisque e além de fazer uma releitura, faz de um clássico. É quase como tocar em algo sagrado, mas, como já comentei, considero algo inevitável e essencial. Um livro que venha a ser uma releitura é um novo olhar, uma nova obra e uma ode ao seu original.

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Revivente – Ken Grimwood

Às vezes tomamos decisões consideradas erradas na vida que nos fazem querer voltar no tempo e ter a oportunidade de fazer tudo diferente. Reviver determinado dia bom para fazê-lo ainda melhor, ou algum dia ruim para torná-lo bom. É a tal segunda chance sonhada por tantos. Mas para voltar no tempo e fazer diferente seria preciso ter a consciência de que antes as coisas não saíram como o esperado. E o “voltar no tempo” seria algo consciente? E, outra, reviver a vida seria uma benção ou um fardo?

Jeff Winston, jornalista de rádio, 43 anos, é um revivente no livro do Ken Grimwood, lançando no Brasil pela editora Gutenberg em março de 2014.  Vivendo um dos piores momentos da sua vida, casamento em crise, insatisfeito com a profissão, Jeff tem um infarto e volta aos seus 18 anos, em 1963, no seu quarto da época da faculdade. Ele voltou no tempo e estava consciente sobre isso. Tinha a oportunidade de viver uma nova vida, mas com a bagagem daquela vivida antes.

Jeff tinha lembranças não só dos seus dias, mas dos acontecimentos mais marcantes da humanidade para as próximas duas décadas. O ambiente era igual, as pessoas eram familiares, mas parecia que ele tinha a chance de fazer as coisas diferentes dessa vez.

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Jogos Vorazes – Suzanne Collins

Jogos Vorazes, o primeiro de uma trilogia distópica YA (young adults – jovem adultos), da autora Suzanne Collins, foi lançando em 2008 e em 2012 ganhou uma adaptação para o cinema.

A história se passa em um futuro não identificado em Panem, país que se ergueu das cinzas de um lugar que no passado foi chamado de América do Norte, formada pela Capital e mais 12 distritos comandados pela Capital de forma bastante opressora, principalmente depois de uma rebelião conhecida como Dias Escuros que acabou com o 13º Distrito e deu início aos Jogos Vorazes. E é pela visão de uma moradora de dezesseis anos do Distrito 12, a destemida Katniss Everdeen, que vamos conhecer os Jogos Vorazes.

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Eleanor & Park – Rainbow Rowell

Na minha infância/ juventude, eu era alta, magra, tinha um cabelão cacheado e alguns cravos no rosto. Tinha uma turma de amigos no bairro onde morava e entre os amigos, estava lá o chamado primeiro amor. A graça naquela época era trocar olhares, cartinhas e ser o par na quadrilha de São João. O menino que eu “amei” em toda minha infância, não foi o que me deu o primeiro beijo. Aliás, lembro que o primeiro beijo no amor de infância foi quando a infância já tinha passado.

A inocência era tão grande naquela época – ok, não sou tão velha. Estou chegando aos 26 anos, mas o que essa garotada anda fazendo entre os seus 10 e 15 anos está me assustando demais – que as coisas costumavam a demorar para acontecer. Mas quem se importava? Eu não me importei e vivi a inocência daquele amor que hoje me traz lembranças de deixar o sorriso no canto da boca aparecer quase sempre. E foi com esse mesmo sorriso que li Eleanor & Park.

Eleanor & Park é o segundo livro YA (jovens-adultos) da escritora americana Rainbow Rowell. Em 2013, o romance foi escolhido pelo The New York Times, Amazon e Goodreads como o melhor no gênero YA e em 2014 foi lançado no Brasil pela Editora Novo Século.

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A Cabeça do Santo – Socorro Acioli

Socorro Acioli, jornalista e doutora em estudos de literatura, começou a escrever as primeiras ideais para o livro “A Cabeça do Santo” (Companhia das Letras, 2014) na oficina de criação e roteiro “Como contar um conto”, ministrada por Gabriel García Márquez na Escuela de Cine y TV de San Antonio de Los Baños, em Cuba, no ano de 2006.

Em “A cabeça do santo”, vamos acompanhar a saga de Samuel pelo sertão do Ceará com o objetivo de cumprir o último pedido que sua mãe, Mariinha, fez antes de morrer e encontrar a avó e o pai que nunca conheceu. Após uma longa viagem a pé, sofrendo com as surpresas do sertão nordestino, Samuel chega em Candeia – uma cidadezinha cheia de desesperança, desfelicidade e desgraça. E lá encontra uma gruta para dormir, mas quando acorda ele se depara com uma confusão de vozes femininas na sua cabeça.

A gruta, na verdade, era a cabeça oca de uma estátua de santo Antônio. E as vozes, preces que as mulheres faziam para o santo.

“O fato é que as orações das mulheres reverberavam dentro da cabeça do santo e, por algum motivo, Samuel conseguia ouvir. No dia seguinte ele comeu goiaba, folhas, bebeu água da chuva e percebeu que as orações aconteciam de manhã e à tarde. Nem sempre todas as vozes, nem sempre as mesmas palavras, mantinham-se apenas o pedido: elas amavam e queriam casar.” (p. 34)

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Por enquanto agora – Maria Christina Monteiro de Castro

por-enquanto-agora-livroMaria Christina Monteiro de Castro é jornalista, mineira, e publicou “Por enquanto agora”, seu primeiro livro, pela editora Apicuri, em 2012, aos setenta anos. Sabe quando você senta para conversar com algum parente mais velho e ele começa a te contar os momentos vividos na juventude? O papo é sempre interessante. A gente conhece através das lembranças deles uma sociedade diferente da atual, outros costumes, outras glórias e alegrias. Foi exatamente essa a sensação que tive ao ler “Por enquanto agora”.

Celina, menina curiosa, futura amante da língua portuguesa, gostava de escrever e de histórias de gente, por gostar de histórias de gente de verdade, ela vai nos contar a história da sua vida. Mas ninguém vive nesse mundo sozinho, a história da nossa vida é entrelaçada com a de quem conviveu conosco. E o destino quis que a vida de Celina fosse entrelaçada à vida de mais três mulheres, três irmãs, tão diferentes.

Tudo isso pode ser fato, invenção de tia, vizinha, mãe ou babá, ou mistura de fantasia, escuro, medo e desejo, porque todo mundo tinha muitos filhos naquele tempo e até lá pelos meus seis anos, antes de dormir de touca e pijama de flanela e enrolada num cobertor felpudo, coisa que eu gostava mais era ouvir histórias de nascimentos, chegadas e partidas, nas noites glaciais do inverno mineiro. Como se o que guardei, o que chamam memória, não fosse, ela também, ficção. Como se o que guardei, o que chamam história, não fosse, ela também, invenção. E deve ter muita fala e coisa que não é minha aí misturadas, porque eu vivia perguntando, perguntando e preferia casos de gente a fadas, madrastas e bruxos, aquelas bobagens de pozinhos mágicos, assombrações e aparições. (pag. 16)

A história se passa em Belo Horizonte, no meio do século XX, onde família de verdade era aquela grande, tradicional, católica. Celina se via no meio de tanta gente e queria descobrir a si mesma e ao mundo. Mãe católica, pai político e três irmãs: Isabel, Flávia e Sofia.

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Garota Exemplar – Gillian Flynn

Quando me deparei com o título Garota Exemplar, de Gillian Flynn,  até cogitei a hipótese de ser um romance cheio de amores ideais ou a história de uma garota certinha. Mas, fui pesquisar um pouco e logo encontrei a frase “O casamento mata”. Bem, aí eu já comecei a me interessar. E vi que era um suspense/drama daqueles que podiam me tirar o fôlego.

Confesso que as primeiras páginas foram bem maçantes, mas alguma coisa me dizia que aquela lentidão logo iria se transformar em algo mais animador ou assustador, como queiram.

Garota Exemplar conta a história de Nick e Amy, duas pessoas aparentemente normais, um casal feliz. Mas até que no aniversário de cinco anos de casados, Amy desaparece.

No início, Nick acreditou ser apenas mais um dos “caça ao tesouro” que a Amy preparava para comemorar o aniversário de casamento, mas não foi. E o que parecia uma suposta brincadeira, virou o pesadelo da vida de Nick, afinal ele foi apontado como principal suspeito do desaparecimento de sua esposa. E virou, também, o pesadelo da vida de Amy.

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A visita cruel do tempo – Jennifer Egan

Quando o tempo bate na sua porta. Não tem escapatória. Basta olhar-se no espelho, tentar lembrar-se de um acontecimento do passado, dançar mais de duas horas seguidas. Que lá estarão as marcas dessa visita.

Ele chega e detalhe, ele avisa. Os segundos, minutos, os dias, meses, anos vão passando. E vamos percebendo. E somente nós podemos fazer com que essa visita não seja muito cruel.

Em A visita cruel do tempo, livro vencedor do Prêmio Pulitzer em 2011, Jennifer Egan trata da passagem do tempo em nossas vidas sobre a perspectiva de quatro personagens: Bennie, produtor musical; Jules Jones, jornalista e cunhado de Bennie; Stephanie, esposa de Bennie; e Sasha, assistente cleptomaníaca de Bennie.

A partir da vida desses personagens vemos como sonhos e desejos começam, acabam e se renovam com o passar do tempo. E isso tudo baseado nas escolhas que fazemos e com a ajuda das pessoas que convivemos.

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