Lembrar de se fascinar

Lembro de sentar na varanda e olhar a imensidão de natureza em volta.
Esperava feliz e empolgada pela água de coco que vinha do coqueiro dali mesmo.
Tinha também os cachorros. Um medo danado. E as vacas? E os bois? O bolo. A goiabada. Os chocolates.
Lembro da tranquilidade de quem vivia no alto, rodeado de verde e bicho. Eles sempre estavam confortavelmente arrumados. Seu Raimundo e Dona Teresinha.
Anos depois, volto à Fazenda. Olho a casa e acho tão pequena. Não reconheci. Pensei, meu Deus era tão grande!
Hoje sentei do lado. Observei o sol que iluminava a frente da casa. Fui mais de perto. Fiquei de frente. E ainda é grande. A gente é que cresce e esquece de como se deixar fascinar.

[Foto: Casarão da Fazenda – Alagoinhas (BA), março de 2021]

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Escrito por Jeniffer Geraldine
Baiana, escritora, jornalista e professora. Apaixonada por livros, fotografia, séries, filmes, pôr do sol, olhar pela janela, música e viajar.