Leitura é o meu movimento

Leitura é o meu movimento

No início de dezembro, o Clube do Livro Alagoinhas, projeto de incentivo à leitura em Alagoinhas e região, realizou o I Escambo de Livros durante a Semana de Arte e Cultura do Litoral Norte e Agreste Baiano. A proposta é bem simples: trocar um livro por outro. Mas o significado dessa troca é enorme. E não existe apenas um.

Trocar livros significa desapegar dos livros guardados e empoeirados que temos em casa e fazer aquele exercício difícil que é se perguntar: eu vou ler mesmo esse livro que comprei por impulso na black friday ou esse outro que li quando tinha 20 anos? Mas, principalmente, trocar livros é fazer circular novas ideias e se abrir para novas possibilidades de aventuras e conhecimento através da leitura.

Realizar um Escambo de Livros é maravilhoso. Tive contato com várias pessoas de gostos diversos. Todas empolgadas com os “novos” livros. Vi muitos jovens felizes chegando com mochilas cheias de livros para trocar. E ainda dizem que o jovem não lê. Talvez ele não leia a literatura da Academia de Letras.

Em 2018, eu fiz duas doações de livros para bibliotecas comunitárias, além de levar livros pro escambo, montar um mini sebo. E minha estante continua cheia de livros. Já parei de contá-los. Não me interessa a quantidade, mas sim o significado de cada um deles.

Não me importo com o que chamam de “alta literatura”, ou edições de luxo ou edições raras. A minha relação com os livros vai além do objeto e do que uma estante cheia pode representar. Não é uma questão de ego. Sabe a paixão pela possibilidade? A qualquer momento é possível abrir um desses livros e conhecer algo novo, suspirar com algo que ainda não conheço e ir aos poucos percebendo o mundo de uma maneira diferente.

No filme “A livraria”, inspirado no livro homônimo da autora Penelope Fitzgerald, tem uma parte que diz: ninguém se sente sozinho numa livraria. E eu digo, e muitos leitores vão concordar, ninguém se sente sozinho na companhia de livros. Talvez muita gente possa dizer que a leitura é um hábito solitário – para essas pessoas eu recomendo outro filme “A sociedade literária e a torta de casca de batata”. Mas o pós-leitura não precisa ser solitário.

O escritor Ítalo Calvino, em “Se um viajante numa noite de inverno”, diz que o livro pode se tornar um instrumento, um canal de comunicação, um lugar de encontro. Pensando nisso sou fã de projetos literários e por isso criei um clube do livro em Alagoinhas.

O objetivo principal do Clube é ler, simplesmente ler, incentivar a leitura, fazer com que os integrantes leiam ao menos um livro por mês, mas quando vamos pro encontro, somos convidados a pensar sobre o que estamos lendo e a ouvir as percepções do outro. Há uma troca, um diálogo, que pode nos tirar de zona de conforto, nos colocar diante de novos caminhos.

O Clube do Livro é entretenimento também. É um clube – sempre tem comida e bebida. E nós já viajamos juntos para uma feira literária. Mas é principalmente um convite, um momento, para pensar sobre o que estamos lendo e como isso nos impacta, que retorno pode trazer para nossa vida, para sociedade. É aquele momento que a gente sai do individual e parte pro social, pro coletivo.

Por onde passo eu quero plantar essa semente da leitura. Ficar rodeada de livros e de leitores mudou e cada dia muda mais a minha vida. Para mim é como a Michèle Petit reflete no livro “Leituras: do espaço íntimo ao espaço público”: “(…) o saber é pensando como a chave da liberdade, como um meio de não ficar à margem de seu tempo, como um meio de participar do mundo e de ali encontrar um lugar”.

Então que tal presentear com livros neste final de ano ou fazer um amigo secreto literário? E para 2019, que tal montar um clube do livro/leitura na sua cidade com os amigos ou no trabalho e na escola? Se o seu movimento não for o de livros, pode ser um cineclube, um cineséries.

Eu acredito muito no poder da arte e da cultura para sensibilizar as pessoas. E acredito também no poder do coletivo. Nos próximos anos sei que será de fundamental importância olhar e ouvir mais o outro. Vamos nos manter juntos e se for através da arte melhor ainda.

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Publicado porJeniffer Geraldine

Jornalista. Uma leitora apaixonada por arte, cultura e a vida.

4 Comentários

  • Alexia Oliveira

    18/12/2018 at 08:12 Responder

    Que legal!

    Eu costumo doar alguns livros para uma ONG que resgata gatinhos. Eles vendem os livros e usam o dinheiro com os gatos. É muito satisfatório saber que to fazendo algo para ajudar.

    PS: To ansiosa pelos planners de 2019! ♥

    • Jeniffer Geraldine

      19/12/2018 at 09:58 Responder

      que ideia bacana da ONG!
      já já o planner chega.:D
      bjão

  • Ana Ramos

    19/12/2018 at 11:06 Responder

    Participar ativamente de um clube de leitura foi uma das melhores coisas que me aconteceram esse ano! E essa possibilidade de ouvir e entender o outro é o que mais me agrada. A visão do livro e do mundo sempre mudam depois da conversa.
    Amei o texto e a forma como você conseguiu correlacionar os assuntos!
    Beijooos

    • Jeniffer Geraldine

      21/12/2018 at 16:28 Responder

      É uma experiência maravilhosa, né?!
      Vida longa aos clubes! <3
      bjão

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