Ideias para adiar o fim do mundo

A primeira leitura de 2020 foi bem pertinente. Após passar 6 dias na Chapada Diamantina, li Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak.

O livro reúne duas palestras e um texto adaptado de uma entrevista – Ideias para adiar o fim do mundo, Do sonho da terra e A humanidade que pensamos ser. Krenak é ativista do movimento socioambiental e de defesa dos direitos indígenas.

Os textos apresentados no livro nos chamam atenção para o respeito à terra e às diferenças. O autor nos faz questionar: que humanidade é essa que para viver dizima o diferente e o mundo em que vive?

Talvez adiemos o fim do mundo quando aceitarmos que não estamos sozinhos e que devemos reconhecer as diferenças sem hierarquias.

O fato de podermos compartilhar esse espaço, de estarmos juntos viajando não significa que somos iguais; significa exatamente que somos capazes de atrair uns aos outros pelas nossas diferenças, que deveriam guiar o nosso roteiro de vida. Ter diversidade, não isso de uma humanidade com o mesmo protocolo. Porque isso até agora foi só uma maneira de homogeneizar e tirar nossa alegria de estar vivos.

Os questionamentos e alertas de Krenak me fizeram lembrar de Judith Butler em É possível viver uma vida boa em uma vida ruim? – Se há possibilidade de viver uma vida boa, estaremos vivendo a custa de quê ou de quem? Essa vida dita boa vale para todos os seres viventes?

Muitas questões. Seguimos buscando as respostas na teoria e na prática.

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