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Maya Angelou, e ainda resisto

No mesmo final de semana que tirei um tempinho para conhecer a vida de Malala, através do documentário “He Named me Malala”, eu fui no embalo e também vi o documentário “Maya Angelou, e ainda resisto”, sobre a artista Marguerite Ann Johnson, que foi lançado em 2016 e está disponível na Netflix.

Marguerite Ann Johnson, mais conhecida por Maya Angelou, foi o que podemos chamar de artista completa. Ao longo da vida, ela atuou, dançou, cantou e escreveu, principalmente poesias. Maya nasceu em 1928, em St Louis, nos Estados Unidos. Morou parte de sua infância no Arkansas com sua sua avó Annie, que fez questão de ensinar a Maya, e seu irmão, a ler e escrever.

No documentário, Angelou conta como foi viver naquela época no Arkansas, sobre o preconceito que sofreu, o sentimento de não pertencimento àquele lugar, e as cicatrizes que o racismo deixou na sua vida. Aos 7 anos de idade, ela foi estuprada pelo namorado da mãe. Não se calou sobre o fato, o homem foi preso, e logo depois que saiu da cadeia foi morto. Maya passou a acreditar que sua voz havia assassinado aquele homem e então ficou cinco anos sem falar.

Foi durante esse total silêncio que Maya teve um encontro com os livros e a poesia. Ela leu todos os livros da biblioteca dos negros e também todos que podia ter acesso da biblioteca dos brancos. Nessa mesma época, uma vizinha sempre a convidava para ir a sua casa comer uns biscoitos e ouvir poesia. E foi através da poesia que Maya quebrou o seu silêncio.

Se ela havia se calado porque acreditava que sua voz era mortal, para provar aquela sua vizinha o seu amor pela poesia, ela precisava dar voz à poesia. Então para provar o seu amor pelas palavras que Maya voltou a falar.

A história da vida de Maya Angelou é permeada pela educação. A leitura dos livros e da poesia preencheu o silêncio causado por uma violência sexual e a ajudou a superar o medo da sua voz. Ao mesmo tempo que a fez compreender o poder que sua voz e as palavras tinham de matar os estupradores, denunciar a violência sexual, o preconceito, a hipocrisia, as desigualdades de gênero e raça.

Além de ser uma artista, ela também foi uma ativista dos direitos civis, feminista declarada, uma mulher extremamente política e confortável com sua negritude e gênero. Ela lutou, não só com sua voz, mas com suas poesias, pelo fim das discriminações.

“Maya Angelou, e ainda resisto” é um documentário emocionante. A história de vida da Maya é narrada por ela mesma, amigos, seu único filho, Guy Johnson, artistas que foram e ainda são inspirados por ela, pesquisadores, e figuras públicas, como Bill Clinton, Oprah Winfrey, Alfre Woodard e Cicely Tyson. São múltiplas vozes para falar de uma mulher que foi diversa, autêntica, fenomenal e acolhedora.

Angelou faleceu em 2014, aos 86 anos, mas a sua voz, suas palavras e a sua poesia permanecem.

O seu primeiro livro de grande sucesso e impacto foi o  “I Know Why the Caged Bird Sings”, lançado em 1969. Infelizmente ainda não há edição brasileira, mas encontramos no Brasil um outro livro que também é considerado uma grande obra da autora que é o “Carta à minha filha : um legado inspirador para todas as mulheres que amam, sofrem e lutam pela vida”, publicado pela Editora Nova Fronteira. E em 2018, a Editora Rosa dos Tempos, do Grupo Editorial Record, lançou o “Mamãe & Eu & Mamãe”, último livro publicado por Maya, em 2013.

 

Conteúdo em vídeo (há um trecho com Maya recitando um dos seus poemas):

 

Malala | Documentário

No último final de semana, tirei um tempo para conhecer um pouco da vida da Malala, através do documentário “He named me Malala”, que está disponível na Netflix.

Malala é uma jovem ativista mundial que luta pelo direito à educação feminina no seu país, o Paquistão. É também a pessoa mais jovem a ganhar um Nobel da Paz. Ela recebeu o prêmio aos 16 anos, em 2014.

Através do documentário, vamos descobrindo quem é Malala, sua origem, sua família, seus ideais. De onde veio esse desejo de lutar pela educação feminina, pelos direitos civis, pela liberdade feminina.

Malala recebeu o nome de uma mulher notável que durante a guerra levantou a voz e morreu por isso. Foi nomeada pelo pai, Ziauddin Yousafzai (que por sinal também é o ganhador do Nobel), e teve seu nome escrito na árvore genealógica da família, que apesar de ter 300 anos, não havia registro de uma mulher. E a história de Malala começa principalmente ao lado desse pai, que já tinha ideias não conservadoras, entendia a importância da educação e respeitava as mulheres.

Quando tinha entre onze e doze anos, no início de 2009, Malala começou a passar informações para BBC sobre como era viver no Vale do Swat, como estava a situação naquela região tomada cada dia mais pelo poder Talibã. E com isso ela foi ficando famosa, dando entrevistas, aparecendo, se tornou um alvo porque não escondeu seu rosto, sua identidade, suas ideologias, suas lutas. Em 2012, quando estava no ônibus escolar com amigas, foi vítima do Talibã. Foi baleada na testa, ficou em coma, mas sobreviveu. E apesar da recuperação difícil, voltou a ser a Malala ou até mais forte do que já tinha sido antes.

A produção vai intercalando depoimentos da própria jovem, dos seus dois irmãos mais novos, do seu pai, mostra um pouco da sua mãe, a vida que a família tem que levar, exilados do próprio país, porque se ela voltasse, o Talibã iria tentar matá-la novamente. Temos também algumas partes no formato de animação, algumas imagens de momentos importantes da carreira de ativista, sua casa, a escola onde estuda. Mostra uma menina que apesar de ser uma ativista mundial, também fazia o dever de casa e tinha suas dúvidas, anseios, em relação a relacionamentos.

O nome do documentário é “He named me Malala” e parece responder uma questão polêmica de que Malala tinha começado a trilhar esse caminho de luta não por desejo próprio, mas influenciada pelas ideias do pai, que já era muito antes uma voz ativa na luta pelos direitos civis no Vale do Swat. E várias pessoas também falavam que ela só fazia tudo o que o pai mandava, ou dizia apenas o que o ele mandava. Queriam silenciar a voz de uma jovem garota, deslegitimar suas atitudes, e essa história, essa estratégia, a gente já conhece.

Mas Malala é muito forte, sensata, calma, atenta, a gente percebe isso através do documentário e ela soa muito sincera quando diz que o pai a chamou de Malala, mas não a fez Malala. Ela tinha feito uma escolha por uma vida de luta porque queria estudar, ler, escrever.

É interessante a gente olhar pra história da Malala e perceber as similaridades com o Brasil. Uma parte muito forte e que ficou muito em mim, principalmente por conta dos últimos acontecimentos no país, é quando perguntam ao Pai: quem atirou em Malala? E ele responde: não foi uma pessoa, foi uma ideologia.

A luta pela educação feminina é histórica, é mundial, a mulher não tinha esse direito. A luta por uma educação de qualidade, que é uma possibilidade da construção de um conhecimento crítico, é mundial. A luta por igualdade racial e de gênero é também mundial. Por isso a história de Malala nos emociona, nos inspira. A própria Malala, no seu discurso do Nobel da Paz, em 2014, disse que contava sua história não porque era única, mas porque não era a única.

Conteúdo em vídeo:

“Com amor, Simon” e a pressão para “sair do armário”

Por que só gay precisa se assumir?

Esse é um questionamento feito pelo protagonista do filme “Com amor, Simon” que estreia no Brasil no dia 5 de abril. O longa é inspirado no livro de grande sucesso da autora estadunidense Becky Albertalli, “Simon vs. a agenda Homo Sapiens” (2015).

Simon (Nick Robinson) é um adolescente de dezesseis anos que tem uma vida normal e feliz ao lado da sua família perfeita e amigos, mas ele esconde um segredo: sua homossexualidade. Com o desejo de manter sua orientação sexual longe dos corredores da escola e dos blogs, Simon vai adiando como pode a sua “saída do armário”. Na verdade, ele até acredita que não precisa fazer isso e levanta um questionamento interessante: por que só gay precisa se assumir?

Acontece que o segredo de Simon será usado contra ele. Tudo começa através de uma troca de e-mails com um rapaz de apelido Blue e que está passando por uma fase similar. Essas correspondências  foram descobertas por Martin (Logan Miller I), colega da escola, que passa a chantageá-lo. Para manter “a porta do armário fechado”, não só a sua, mas a de Blue também, Simon cede à chantagem e começa a fazer tudo que Martin quer, isso o faz perder amigos e entrar em muitas confusões.

De forma leve, e com muita sensibilidade, o filme nos faz pensar sobre essa pressão que existe na sociedade para que o gay assuma sua orientação sexual. Simon não queria se assumir porque achava que aquele não era o momento e também não queria fazer disso um grande acontecimento, queria que fosse algo normal. E aqui o longa ironiza e ilustra como seria se os heterossexuais precisassem se assumir.

Uma das cenas mais interessantes para mim é quando Simon diz para sua família, após se assumir: ainda sou eu. É um recado para tantos outros jovens e suas famílias que passam por situações semelhantes fora da tela do cinema. Simon ainda é Simon. A sua orientação sexual não o define totalmente, é apenas parte de quem ele é.

“Com amor, Simon” é um filme para todo mundo ver. Emociona por falar de aceitação, respeito ao próximo e, é claro, amor.

Conteúdo em vídeo:

Oscar 2018: maratona e meus palpites

Finalizei em fevereiro a maratona do Oscar 2018. Foi bem tranquilo fazê-la porque foquei apenas na lista de indicados ao melhor filme e ainda tirei os de guerra (porque não sou obrigada rs). Vi muita coisa boa, algumas produções entraram até para lista de favoritos da vida.

Nos dois vídeos abaixo comento sobre os filmes que vi. Na parte I tem Três anúncios para o crime e Me chame pelo seu nome. Na parte 2, The Post – A guerra secreta, Trama Fantasma e Projeto Flórida. Mas eu também vi Corra!, Lady Bird, A forma da água e Viva – a vida é uma festa (indicado a melhor animação).

 

Fica bem difícil dar algum palpite, mas tentarei. Vou me inspirar no Luke, do Um Café com Luke, e usar cores: vermelho – para quem estou torcendo; azul – para quem acho que vai ganhar; rosa – se estou torcendo e acho que vai ganhar. 😀

MELHOR FILME:

Me chame pelo seu nome

O destino de uma nação

Dunkirk

Corra!

Lady Bird – É hora de voar

Trama Fantasma

The Post – A Guerra Secreta

A forma da Água (o que seria ótimo também)

Três anúncios para um crime

MELHOR DIRETOR:

Martin McDonagh — Três anúncios para um crime

Jordan Peele — Corra! (o que seria ótimo também)

Greta Gerwig — Lady Bird: É hora de voar

Paul Thomas Anderson — Trama fantasma

Guillermo del Toro — A forma da água

MELHOR ATRIZ:

Sally Hawkins — A forma da água

Frances McDormand — Três anúncios para um crime

Margot Robbie — Eu, Tonya

Saoirse Ronan — Lady Bird: É hora de voar

Meryl Streep — The Post – A Guerra Secreta

MELHOR ATOR:

Timothée Chalamet — Me chame pelo seu nome

Daniel Day-Lewis — Trama Fantasma

Daniel Kaluuya — Corra!

Gary Oldman — O destino de uma nação

Denzel Washington — Roman J. Israel, Esq.

MELHOR ATOR COADJUVANTE:

Willem Dafoe — Projeto Flórida

Woody Harrelson — Três anúncios para um crime

Richard Jenkins — A forma da água

Sam Rockwell — Três anúncios para um crime

Christopher Plummer — Todo o Dinheiro do Mundo

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE:

Mary J. Blige — Mudbound

Allison Janney — Eu, Tonya

Lesly Manville — Trama Fantasma ( o que seria ótimo também)

Laurie Metcalf — Lady Bird: É hora de voar

Octavia Spencer — A forma da água

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO:

Me chame pelo seu nome — James Ivory

Artista do desastre — Scott Neustadter e Michael H. Weber

A Grande Jogada— Aaron Sorkin

Logan — Scott Frank, James Mangold e Michael Green

Mudbound: Lágrimas sobre o Mississipi — Virgil Williams and Dee Rees

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL:

Doentes de Amor — Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani

Corra! — Jordan Peele

A forma da água — Guilermo Del Toro

Lady Bird: É hora de voar — Greta Gerwig

Três anúncios para um crime — Martin McDonagh

Obs: eu só vi uma animação que foi “Viva, a vida é uma festa” e gostaria MUITO que ela ganhasse.
A cerimônia do Oscar acontece no dia 04 de março. Quais são seus palpites?

Lady Bird – A hora de voar

Com roteiro e direção de Greta Gerwig, a dramédia “Lady Bird – A hora de voar” recebeu cinco indicações ao Oscar 2018. Além de já ter sido o vencedor do Globo de Ouro em duas categorias (melhor filme cômico e melhor atriz em filme cômico). E Greta entrou para a história como a quinta mulher indicada ao prêmio de melhor direção.

Gerwig  também é roteirista de Frances Ha, um dos meus filmes favoritos da vida, que aborda o início difícil da vida adulta. Já em Lady Bird temos Christine “Lady Bird” McPherson (Saoirse Ronan) na transição entre a adolescência para fase jovem adulta. O que me conquista nos filmes da Greta é justamente o enfoque dado aos momentos de transição, que são quase sempre comédias dramáticas também na vida real.

Christine não gosta do seu nome, vive em Sacramento (também não gosta de Sacramento), estuda em um colégio católico, tem um relacionamento difícil com a mãe (ambas têm um gênio forte) e deseja sair voando para longe disso tudo, de preferência para uma faculdade em Nova York.

É interessante ver como ela nega tudo o que tem. Às vezes não fazemos isso? Acreditamos que o melhor não é o aqui e o agora? É algo ainda a ser conquistado e que não está próximo de onde estamos e nem no meio em que já vivemos. Lady Bird faz exatamente isso: nega tudo. Talvez por desejo de querer sempre mais (não há problema nisso se for em boa dosagem) e também por imaturidade.

O relacionamento com a mãe é outro ponto importante na dramédia. São parecidas, possuem gênios fortes, se amam, mas uma é o desafio da outra. A mãe Marion (Laurie Metcalf) tem uma postura que é definida e defendida, até pela própria Lady Bird, como um amor severo. O zelo excessivo, a crítica, a proteção são todos sinônimos de amor. Essa relação entre mãe e filha é parte importante na história e no amadurecimento de Lady Bird.

– Por que você não pode dizer que eu estou bonita?
– Pensei que você nem ligava pro que eu acho.
– Eu ainda quero que você ache que eu estou bonita.
– Desculpe, eu estava falando a verdade. Quer que eu minta?
– Não, eu só queria… Eu queria que você gostasse de mim.
– Claro que eu te amo.
– Mas você gosta de mim?
– Eu quero que você seja… a melhor versão de você que conseguir ser.
– E se essa já for a melhor versão?

Foi divertido e emocionante acompanhar a trajetória de Lady Bird. E o mais bonito é que na hora de voar, na hora que ela consegue ser quem queria ser, ela se reconhece como Christine, a menina católica de Sacramento, o que é uma parte do que ela é.

No final fica uma mensagem que toca bastante a menina que saiu da sua cidade natal aos 17 anos (eu): Voe por aí, mas não esqueça de onde você deu o primeiro impulso para voar. É sua história, sua vida, parte do que você é e sempre será, não adianta negar.

 

– Eu li seu ensaio da faculdade, você claramente ama Sacramento.

-Eu amo?

-Bem, você escreve sobre a cidade com tanto carinho e cuidado…

-Eu estava apenas descrevendo.

-Bom, pareceu amor.

-Claro, acho que presto atenção.

-Não acha que talvez sejam a mesma coisa? Amor e atenção?

Timothée Chalamet (Me chame pelo seu nome), Saorise Ronan e a diretora Greta Gerwig durante as gravações.

Universal Pictures iniciou em 8 de fevereiro uma série de pré-estreias pagas de “Lady Bird – A Hora de Voar” pelo Brasil. E a estreia está marcada para o dia 15 de fevereiro.

 

Espalhe “Lady Bird – A hora de voar” por aí! 😉

O que te faz mais forte

“O que te faz mais forte” é um filme baseado no livro homônimo de  Jeff Bauman e Bret Witter. Jeff teve suas duas pernas amputadas após ser vítima de um atentado terrorista na Maratona de Boston, em 2013, e virou símbolo de heroísmo e superação.

A produção tem o ator Jake Gyllenhaal (Animais Noturnos) em uma atuação brilhante como Jeff e Tatiana Maslany (Orphan Black) como a namorada, Erin Hurley. Erin ia correr na maratona e Jeff resolveu ir torcer por ela. Seria mais uma tentativa de reconquistá-la, já que eles estavam separados havia algum tempo. Enquanto a esperava, próximo da linha de chegada, ocorreu o atentado que deixou 264 feridos e causou a morte de três pessoas.

Bauman sobreviveu mas precisou ter suas duas pernas amputadas. E passou a ser um dos símbolos da Boston Strong, uma campanha de apoio aos sobreviventes e familiares do atentado e também um incentivo para que a população não deixasse os terroristas vencerem. A vida de Bauman mudou completamente, não só pelo fato de que agora ele precisaria mudar toda sua rotina em função da reabilitação mas, principalmente, porque ele se tornou um herói para milhares de pessoas.

Jeff recebia cartas, convites para eventos e programas (inclusive da Oprah) e tinha uma vida quase de celebridade. Me fez pensar o quanto a sociedade precisa de um herói, de um salvador, alguém que inspire e motive a uma vida melhor. Só que enquanto a mídia e sua família, principalmente a mãe Patty (Miranda Richardson), reforçavam o título de herói, Jeff não se via assim e chegou até a questionar: sou um herói por ter perdido as pernas?

O filme é um drama que tem seus momentos tensos e de dor, mas consegue ter algumas cenas de leveza pela personalidade de Jeff e sua família bem agitada. Desde o início temos a impressão de que ele é um rapaz de bem com a vida, que tenta levar quase tudo numa boa. Esses traços da sua personalidade vão aparecer durante o processo de reabilitação e traz para nós alguns cenas de descontração.

O relacionamento com a mãe alcoólatra que trata o filho como um menino mimado é bem interessante de acompanhar. Ela quer a todo custo aproveitar as oportunidades que surgem e reforça para mídia e sociedade que seu filho é um herói. Já o seu namoro com a Erin por algum momento eu pensei que fosse cair totalmente na culpa e no ressentimento, mas isso não acontece. E ela se torna alguém essencial no seu processo de amadurecimento e reabilitação.

“O que te faz mais forte” mostra que muito (ou quase tudo) da vida é uma jornada pessoal. Podemos ter o apoio da família, dos amigos, dos amores, o mundo pode acreditar que somos fortes, que somos heróis, mas isso tudo só se concretiza se nós acreditarmos que somos heróis.

O ator Jake Gyllenhaal e Jeff Bauman. | Foto: Site Festival do Rio

O filme chega às telas de cinema em 8 de fevereiro, com distribuição nacional pela Paris Filmes. Vá ao cinema se emocionar com essa bela história de superação! 😉 

  • O livro chegou ao Brasil pela editora Vestígio, do Grupo Autêntica. Confira na Amazon!

Confira minha opinião em vídeo:

Espalhe “O que te faz mais forte” por aí! 

Um poema sussurrado por alguém apaixonado

O título desse texto é uma citação do filme A forma da água, dirigido por Guillermo del Toro e que foi escrito por ele e Vanessa Taylor. O longa recebeu 13 indicações ao Oscar 2018, além de já ter recebido alguns outros prêmios importantes, como o Globo de Ouro de melhor diretor.

Escolhi esse título porque foi exatamente assim que me senti quando terminei de assistir o filme. A forma da água é uma história de amor, um conto de fadas sombrio, em que o monstro fica no final com a mocinha.  Toro, um apaixonado por monstros, fez questão de deixar claro sua referência e homenagem ao clássico O monstro da Lagoa Negra (1954).

Em A forma da Água temos Elisa, interpretada brilhantemente por Sally Hawkins, que é faxineira de uma base militar durante a década de 1960, período da Guerra Fria. Lá, Eliza se apaixona por um ser que foi encontrado e capturado pelo coronel Richard Strickland, vivido pelo ator Michael Shannon (que conseguimos odiar do início ao fim do filme). Essa criatura, vivida por Doug Jones, foi levada até o laboratório da base para ser estudada e quem sabe utilizada na guerra e na corrida espacial.

Elisa não fala, mas escuta. Sendo assim, a sua comunicação é feita através da linguagem de sinais, o que deu ao filme um silêncio encantador, além de uma calma e leveza poética. O mais interessante é que Elisa vai conseguir ensinar a linguagem de sinais a essa criatura e assim estabelecer uma comunicação mostrando também que esse ser é inteligente, pode se comunicar e entender emoções.

Através desse relacionamento entre espécies diferentes, A forma da água vai passar a mensagem de que toda forma de amor é válida, que é possível amar de diferentes maneiras. Uma das cenas mais encantadoras é quando Elisa conversa com seu melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e tenta explicar o motivo do seu amor por essa criatura. O motivo é bem simples, mas complexo em se tratando de relações e expectativas.

Quando ele olha para mim… O jeito que ele olha para mim… Ele não sabe o que falta em mim. Ou como sou incompleta. Ele só me vê pelo que sou. Como eu sou. E ele fica feliz em me ver, todas as vezes. Todos os dias.

O filme ainda tem algumas subtramas interessantes, como a do próprio coronel Strickland, um homem estressado que vive a pressão do seu trabalho, machista, e bem fácil de ser odiado por todos ao seu redor. Os amigos de Elisa também são pontos importantes na história, Giles é um artista solitário que vive triste por conta da idade e fracassos amorosos (falando bem superficialmente) e Zelda (Octavia Spencer) que é um símbolo da força da mulher no filme, ao mesmo tempo que seu personagem também nos faz pensar sobre desigualdade de gênero e preconceito racial.

E além de todo enredo, o filme também me encantou através da fotografia, cenário e trilha sonora. Permanece o tom verde na tela para reforçar o poder que água tem em toda história. E o cenário bem vintage com direito a Elisa morando na parte de cima de um cinema faz brilhar os olhos de quem gosta um pouco de nostalgia. A trilha sonora produzida por Alexandre Desplat (O Grande Hotel Budapeste) é daquelas de acalmar e vibrar o coração.

Acredito que fui enfeitiçada por esses elementos acima porque ao final do filme, eu me senti cheia de amor de um jeito estranho mas maravilhoso. Foi realmente como se tivessem sussurrado no meu ouvido um poema escrito por alguém apaixonado.

Espalhe “Um poema sussurrado por alguém apaixonado” por aí! 😉

Os favoritos de 2017

2017 foi bem complicado, mas aqui estou trabalhando sempre com a ideia de tirar coisas boas de tudo. Então nada melhor do que selecionar os favoritos do ano nas categorias livros, filmes/documentários, séries e músicas, que aliás são “lugares para onde corro” quando o bicho está pegando. Porque não há nada melhor para fugir do caos (interno e externo) do que um sofá e um bom livro/filme/série.

LIVROS

Li no total 41 livros (18 – leia mulheres | 20 – leia brasileiros | 4 – letras da Bahia | 2 – Amando Jorge). Foi difícil escolher mas acabei fazendo dois TOP 3, um de ficção e outro de não-ficção. Confira no vídeo quais foram as leituras favoritas de 2017.

E as metas literárias de 2018? Olha, eu cansei de me iludir com metas literárias. Não fiz lista de livros pro ano novo, mas continuo firme e forte com meus projetos (que já são muitos). Com base neles vou escolher as leituras do mês, além de ter os livros para o Clube do Livro Alagoinhas e Pacto Literário. Sempre coloco a leitura da vez no Instagram, então me segue por lá pra não perder. Mas para 2018 vou começar a fazer uma série de vídeos chamada Na Cabeceira em que pretendo mostrar quais são as leituras em andamento e os livros novos. Vai sair no canal e será publicado no blog também.

FILMES

Eu comecei o ano fazendo uma maratona pro Oscar, mas depois parei de ver filmes regularmente. Sabe quantas vezes eu fui no cinema? UMA! Fui ver Mulher Maravilha. Pensei que no final ia dar um número baixo, mas até que foi ok. Vi 43, sendo que 7 foram documentários. Consegui dividir os favoritos em TOP 5 Filmes, TOP 3 Docs e Filmes Marcantes (só mais uma categoria pra poder incluir uns filmes rs).

TOP 5 Filmes
Your Name (em breve opinião no blog)

TOP 3 DOCS

FILMES MARCANTES

Logan: filme de despedida do Hugh Jackman do personagem Wolverine. Ele vai ser sempre o Wolverine pra mim!

Mulher Maravilha: ela finalmente ganhou um filme para chamar de seu. E só por isso ele merece todo o destaque por aqui!

E as metas pra 2018? Quero ir mais ao cinema! Além de fazer três projetos #1FilmeporSemana, #1DocporSemana e #52FilmsByWomen. Continuarei com os posts únicos para os filmes mais marcantes, mas farei um diário de filmes que estou chamando de CineLog, a cada dois ou três filmes vistos, faço um vídeo.

SÉRIES

Meu vício maior! Vi tanta série bacana mas sei que deixei de ver tantas outras. No total foram 22.

TOP 6

Godless (em breve opinião no blog)

SÉRIE MARCANTE
Foi meu ano de despedida de Downton Abbey depois de seis lindas temporadas. Eu nem sei explicar o tanto que me apeguei a família Crawley. O quanto fiquei feliz com o desenvolvimento dos meus personagens favoritos: Matthew, Mary e Edith. E estou super empolgada com o filme que começa a ser produzido em 2018.

E 2018? Eu quero finalizar algumas séries (The Vampire Diaries, Gossip Girl, True Blood) e voltar a ver minhas séries policiais favoritas (Chicago Fire, Chicago P.D., Law & Order SVU e Criminal Minds). Além de ver as super faladas em 2017 que não vi: This is us, Big Little Lies e The Handmaid’s Tale. E farei um diário de séries também, o Seriando – a cada 2 ou 3 séries vistas, faço um vídeo. Mas manterei os posts únicos das mais marcantes.

MÚSICA

 De acordo com o Spotify, eu passei 2017 ouvindo Silva. E tudo isso por causa do álbum Silva canta Marisa. O cantor fez uma releitura de grandes sucessos da Marisa e eu amei. Um outro cantor que ouvi muito foi o Johnny Hooker e seu novo álbum Coração, também conhecido como a bíblia sagrada.

ORGANIZAÇÃO

DIGITAL
PAPEL

E por aí, o que mais marcou o seu ano de 2017?

Desejo um 2018 maravilhoso! Que a gente consiga tirar projetos/sonhos do papel e ser aquilo que a gente sempre quis ser.
bjão! 😉

Espalhe “Os favoritos de 2017” por aí!