Eu sou a lenda – Richard Matheson

Richard Matheson é conhecido como um grande escritor de ficção científica e terror. Nasceu em Allendale, New Jersey, serviu durante a Segunda Guerra Mundial, formou-se em jornalismo e morreu, em 2013, aos 87 anos. Durante sua carreira de mais de 50 anos, Richard também produziu trabalhos para televisão e cinema. Além de tudo isso, é um dos escritores inspiração de Stephen King.

Eu sou a lenda (1954) é um dos seus trabalhos literários mais famosos e tem quatro adaptações para o cinema. Talvez você lembre do filme de 2007 com o Will Smith e Alice Braga, que dizem por aí não ser a adaptação mais preferida do Richard. O filme é um pouco diferente do livro, se você viu e não gostou, esqueça e dê uma chance ao livro.

Dividido em quatro partes, que vai de janeiro de 1976 até janeiro de 1979, o livro Eu sou a lenda conta a história de Robert Neville, o único sobrevivente de uma praga que transformou cada ser vivo do mundo em vampiros. Não sabemos porquê Robert é imune ao vírus, mas acompanhamos seus dias tentando se manter vivo e com a sanidade intacta.

Robert criou uma rotina para os seus dias: ele anda pelas ruas da cidade em busca de comida e suprimentos, caça e mata os vampiros, e reforça a proteção da casa. Isso tudo antes do anoitecer. De noite, ele tenta não enlouquecer enquanto sua casa está cercada por vampiros que gritam o seu nome e arrumam formas de tentar atraí-lo para a rua.

Ele se deitou na cama e respirou fundo na escuridão, querendo dormir. Mas o silêncio não ajudava muito. Ainda podia vê-los lá fora: os homens pálidos perambulando em volta da casa, procurando incessantemente por uma forma de entrar para pegá-lo. Alguns deles, era provável, estavam de cócoras como cachorros, com os olhos cintilando, voltados para a casa, e os dentes raspando lentamente, para lá e para cá. (pag 37)

Apesar de ter como background os vampiros, Eu sou a lenda não é um livro sobre vampiros, mas sobre a solidão humana e a nossa necessidade de convivência social. Robert Neviile acredita que vive sozinho no mundo e não desiste de sobreviver, ele busca a todo momento sinais de humanidade, ao mesmo tempo que começa a pesquisar sobre vampirismo, sua causa e cura.

Aliás, como diz Mathias Clasen, professor da Universidade de Aarhus (Dinamarca), em sua crítica Apocalipse vampiro: uma crítica biocultural de Eu sou a lenda disponível na edição da Editora Aleph (2015), o autor se esforça muito para racionalizar ou naturalizar o mito do vampiro, transplantando o monstro do além-mundo folclórico e do sobrenatural vitoriano para o tubo de ensaio médico, um modelo racional. Neville pesquisa explicações lógicas e científicas para os acontecimentos e comportamento dos vampiros, colocando até em dúvida as lendas folclóricas de que vampiro tem medo de cruz, por exemplo.

Não é um livro com muita ação. Neville está sozinho e tentando sobreviver. O horror vivido por ele não era só por causa dos vampiros mas também por causa do isolamento, da solidão. E nós vamos acompanhar seus dias bons e ruins, suas pequenas conquistas, suas esperanças, suas tristezas, a saudade da família. É um livro pessimista, na verdade. Não sabemos se ele vai sair dessa e muito menos se há como sair. Mas é uma leitura que prende e intriga. O que afinal aconteceu com o mundo? Por que Neville é inume? Há mais humanos? Ele vai sair dessa? Vai sobreviver aos vampiros e a solidão?

…Ao horror, ele se ajustou. Mas a monotonia era o grande obstáculo a ser ultrapassado, e ele percebia isso agora, finalmente compreendia…  (pag 216)

Fotos da edição publicada pela Editora Aleph:

 

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