Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios – Marçal Aquino

Faz um bom tempo que tenho vontade de ler esse livro do Marçal Aquino. Considero o título – Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios – pura poesia. Impactante, forte! Me fez pensar inúmeras vezes do que se tratava, de quem seria os lindos lábios, de quem seria esse grande amor. Porque um título desse só pode falar de um grande amor.

O fotógrafo Cauby narra a história em primeira pessoa. Logo no início não sabemos ao certo o que ocorreu com ele, apenas que sofreu algum trauma grande em sua vida. Marçal Aquino nos leva até o Pará e nos conta sobre o amor vivido e sofrido pelo fotógrafo Cauby.

A vida de Cauby muda completamente quando ele conhece Lavínia, a mulher que “tinha uma luz particular, só dela, e um ar de quem poderia ser o que quisesse na vida”. Lavínia é a mulher do pastor Ernani, homem que a tirou das ruas e das drogas. Mas além de ser aquela  “colorida em meio ao cinzento”, ela era duas: Lavínia, a menina traumatizada, mulher do pastor, o amor de Cauby e a Lavínia doida, ou como Cauby gostava de chamá-la, Shirley.

Era bem mais do que dupla personalidade. Era uma doença. E não tinha cura. E eu adoeci daquela mulher. Contraí o vírus da sua insensatez.

Algo que me atraiu ainda mais na narrativa e também no modo de escrever do Marçal é que Cauby nos conta a história como se fosse lembranças, e elas surgem a partir de uma conversa com Altino, o Careca, que o conta sobre seu amor platônico, Marinês. Sabe quando você conversa com alguém e o assunto te traz lembranças da sua vida, e dali você viaja para outro mundo, um mundo seu? Pois, para mim, era o que acontecia com Cauby, através das lembranças de Altino, ele recorda a sua trajetória no Pará com Lavínia, mas ao invés de contar para o careca, ele conta para nós.

A narrativa é tão envolvente, tão sincera, tão real que parece que eu li sobre a vida de Cauby nas páginas de algum jornal. E se não bastasse tudo isso, Aquino cria o professor filósofo Schianberg que é citado inúmeras vezes por Cauby, na tentativa de com essas citações explicar algumas loucuras da vida e consequentemente as loucuras dos humanos.

Há ainda outros  personagens interessantes como o fotógrafo Chang e o jornalista Viktor Laurence. Os dois sabem do amor secreto vivido por Cauby e Lavínia, mas no meio desse amor, eles vivem as suas próprias desilusões.

Cauby, seguindo os ensinamentos de Schianberg, acreditava  que nenhuma vida estaria completa sem um grande desastre. Então, amar alguém como Lavínia foi o seu desastre, mas também a sua completude.

 

O livro foi adaptado para o cinema. Confira o trailer:

 

>>Frases do livro 

>> Em alguns momentos o amor de Cauby e Lavínia me lembrou o louco amor de Ricardo e Lily de As Travessuras da Menina Má.

 

*Imagem: Sony Pictures/divulgação

9 Comentários

  1. Marcio Melo Reply

    Assisti ao filme e curti deveras. O Livro eu nem sabia da sua existência, quanta ignorância hehehe

      • Marcio Melo Reply

        Desse jeito você me complica, já estou pensando no “motivo” de ter adorado o filme. Sempre pensei que era pela história :/

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  6. Eu achei não gostei do filme. Não tem o poder do livro. Mas eu entendo que seja uma transposição difícil por conta da prosa poética do Marçal. A maneira como ele narra seu amor por Lavínia é muito difícil de colocar na película. É um livro funciona dentro da mente – e da pele – do protagonista. Difícil. Não sei como funcionaria. Além disso, não tem a sensualidade do livro.

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