Escrevo enquanto escuto MPB

Uma das descobertas mais inesperadas e interessantes que o período do mestrado me trouxe foi saber que gosto de escrever enquanto escuto música popular brasileira.

Eu não tinha o hábito de estudar ou fazer qualquer outra coisa – exceto faxina – ouvindo música. Mas seguindo inúmeros estudantes youtubers brasileiros e gringos, conheci o lo-fi. Você já deve ter visto no YouTube a imagem da menina com fone de ouvido que estuda concentrada olhando para o caderno. Existem canais no Youtube que realizam transmissões ao vivo de lo-fi para que os estudantes encontrem o foco, a inspiração ou relaxamento através da música. Lo-fi significa low fidelity (baixa fidelidade) e é uma técnica de baixo custo para produção de música.

Eu comecei a estudar ouvindo música influenciada por essa galera jovem. Até que um dia conheci o lo-fi brasileiro. A mesma batida só que com algumas músicas brasileiras.

Em Lo-fi hip hop Brazil songs playlist tem artistas como Tim Maia, João Gilberto e Belchior. Eu sou fã dos três. Escutei muito na minha infância e adolescência. Eles eram alguns dos artistas que tocavam no toca-fitas do carro do meu pai quando íamos viajar para praia no verão. A recordação é muito boa. O som tocando no carro e eu olhando pela janela a paisagem ou as ruas de cidadezinhas que eu só conhecia de passagem até chegar ao Sítio do Conde. Era um momento de introspecção e ao mesmo tempo de inspiração. Lembro que queria fotografar diversas casinhas e cenas que surgiam enquanto passava. Assim como imaginava histórias para a vida das pessoas que via enquanto seguíamos viagem ouvindo Raul Seixas.

O lo-fi me fez voltar para esse lugar até que comecei a colocar apenas MPB na hora de produzir algum texto. Coloco baixinho Nando Reis ou a playlist MPB Antigas – As melhores no Spotify que tem artistas como Cássia Eller e Marisa Monte. No momento em que escrevo este texto, escuto Legião Urbana.

A escrita no computador tem um ir e vir de mãos. Digito freneticamente (ou nem tão freneticamente assim) nas teclas, depois tenho alguns segundos ou minutos de suspensão, de olhar para tela, reler o que escrevi, encontrar as próximas palavras. Nesses minutos de suspensão, o silêncio é preenchido com uma música brasileira que me leva para um lugar de inspiração. Confesso que às vezes canto acompanhando a música da vez, mas volto logo os dedos para as teclas e continuo a produzir. Acredito que a música seja o meu café. Eu só aperto o stop quando é um momento de leitura mais longo que demanda apenas que a trilha sonora seja a minha própria voz. Fora isso escrevo enquanto escuto MPB.

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Escrito por Jeniffer Geraldine
jornalista, criadora de conteúdo, mestranda em crítica cultural