Entre o trabalho e o lazer

Escrevo enquanto escuto This is Charlie Brown Jr. e tomo chá de camomila

Nesta semana precisei tomar uma decisão que considerei difícil: me inscrever em um evento acadêmico para apresentar um trabalho ou fazer uma pequena viagem com a família para praia (cumprindo todos os protocolos possíveis e existentes).

O evento, seguindo a ordem pandêmica, é virtual. Pensei até na possibilidade de fazer a inscrição e viajar. Na praia, com acesso à internet, poderia fazer a minha apresentação e tudo bem. Mas, veja só, na praia trabalhando. Meu escritório não é na praia. Praia para mim é contemplação. Sentar em frente ao mar, olhando o movimento das ondas, e tomar uma água de coco ou uma boa caipirinha (salivei).

Eu realmente fiquei indecisa porque participar de eventos acadêmicos faz parte do meu trabalho como pesquisadora. E há uma cobrança de uma produtividade imensa na academia. Você tem que publicar todo ano e participar de eventos – mesmo que esteja escrevendo uma dissertação ou uma tese.

Aconteceu que em 2020 fomos surpreendidos com a pandemia e tudo foi transferido, reagendado, cancelado. Eu teria uma participação em evento internacional, uma publicação em capítulo de livro e outra em e-book. Além das entregas já feitas.

Até que a academia enxergou a possibilidade de fazer eventos on-line, em nível internacional, e então começou o boom de eventos acadêmicos no último trimestre do ano para simplesmente (eu enxergo assim) cumprir as exigências produtivistas.

Chega então o conflito: surfar na onda alheia ou ficar na minha piscina de água natural? (desculpa, continuo pensando na praia, logo a referência é inevitável)

É nesse momento que você precisa ter consciência do que está em andamento na sua vida. E o que é realmente necessário manter, fazer ou se envolver.

Conversei com alguns amigos, refleti sobre minha produção acadêmica, pensei sobre como passei os últimos dias – em preparação para qualificação, em espera da qualificação (ainda estou), lembrei das respostas que estava esperando.

Foi então que, mais uma vez, percebi que já estava envolvida em coisas demais.

Não valeria a pena viajar e ficar preocupada com apresentação e se a internet estará boa o suficiente para acessar o Meet ou YouTube. Não valeria a pena iniciar um novo projeto em tão pouco tempo para atender uma cobrança. E atropelar mais ainda os meus dias para cumprir essa demanda. Quando coloquei no papel tudo o que tinha que fazer para poder ficar quatro dias olhando o mar, vi que não caberia mais nada, e que realmente eu precisava desses quatro dias olhando o mar. Um amigo até disse: “se você está em dúvida é porque realmente está precisando descansar”.

Assim, aprendi: na dúvida, descanse!
Descansar diminui os ruídos. Acalma o coração. Relaxa a mente.
Eu ainda nem fui descansar mas já me sinto melhor em ter escolhido priorizar o que no momento me parece ser o melhor e mais certo.

*Foto de 04 de novembro de 2017, em Siribinha (BA).

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Escrito por Jeniffer Geraldine
jornalista, criadora de conteúdo, mestranda em crítica cultural