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Entre a razão e a emoção, nós dois ficamos onde?

Olha, rapaz, eu já nem sei se já não é tarde demais. Tão devagar que eu nem notei. De repente estranho a minha falta de ar, olho para a rua e vejo a chuva cair. Dessa vez espero escurecer. Eu sei que algo está para me acontecer!

Thiago Pethit – Moon

Queria te dizer tantas coisas. Queria brigar com você. Dessas brigas épicas de dedo na cara e raiva efervescente. Queria ser mais explosivo. Queria explodir em você. Queria que você recolhesse meus cacos e visse a merda que fez. Queria me jogar feito um dramalhão mexicano na frente da sua casa e dizer: Conviva com isso!

Queria ter raiva de você, mas não consigo.

Você me deixa triste com suas não atitudes. Sei que tudo gira um pouco em torno das minhas expectativas, do que criei e imaginei que você faria… Mas é que quando gostamos de alguém, esperamos um pouco de atitude dessa pessoa, sabe? Esperamos que ela haja em alguns momentos…

E eu me decepcionei com você. Não esperava que fosse ser tão covarde. Esperava isso de mim, afinal sou quase 7 anos mais novo… Esperava que as atitudes por medo fossem mais minhas que suas.

Mas eis que a expectativa deu lugar a realidade e você se mostrou mais inseguro do que pensei que fosse. Ou mais racional? Não sei lidar com o seu nível de razão. Você sabe que sou mais emoção. Sempre fui. Também sempre soube que você era mais racional…

Mas entre a razão e a emoção, nós dois ficamos onde? Ficamos em uma interseção?

Eu queria tanto ter te visto naquele final de semana. Caminhei pela sua rua, fiz o percurso que fizemos juntos ano passado e por coincidência ou não, o tempo estava nublado como da última vez que estive aí. Parecia um prelúdio. Parecia tudo tão igual. Mas eu estava sozinho.

Queria ter te ligado. Queria sentir seu cheiro. Queria te abraçar e sentir meu corpo derreter como se fosse sorvete em um dia quente de verão em seus braços. Queria esquecer das dores do mundo em seus braços. Queria me ver nos seus olhos grandes. Queria sorrir com você. Queria entrar dentro de você em forma de saliva quando nos beijássemos. Queria que a vida nos esbarrasse nesses encontros casuais feitos pelo destino. Mas parece que o acaso não queria que nos encontrássemos e eu resolvi aceitar as coisas como são.

Você é razão. Tão racional que chega a ser meio cético. Em seus planos e projetos eu nem sou tema de anotação. Sua razão é maior que o coração e não há mal nenhum nisso. Só que eu sou emoção e quero alguém que pense um pouco em mim, que faça algo por mim. Que lute por mim. E sei que você jamais ativaria seu lado emocional por mim, ou ativaria?

É bem triste perceber isso. É bem dolorido saber que não existimos nessa interseção entre emoção e razão. Estou triste em como as coisas caminharam e seguem…

Você escolheu não arriscar entrar na roleta russa. Eu, por minha vez, entrei e apertei o gatilho. E você não fez nada. Continuou sentado no seu conforto, olhando a bala passar pela minha cabeça, de raspão…. E esse foi meu último tiro.

E foi por isso que quando estive aí na sua cidade, pela sua rua… não fiz esforços para te encontrar. Deixei que você se esforçasse. Queria saber até que ponto sua razão cederia lugar à emoção e mais uma vez nessa batalha, eu perdi.

Estou assumindo: Nesse jogo sou perdedor. Bandeira branca amor.

Eu pensei que era capaz de te inventar e não voltar atrás mas tanto faz quem vai dizer que já não era diferente 10 minutos atrás. Sem pressa fico por aqui fecho os olhos pra me decidir. Qualquer coisa vai me acontecer, algo muda perto de você. It might be soon, my heart changes with the moon.

Thiago Pethit – Moon

Queria te falar coisas que eu me arrependeria. Queria dizer que me perdi em outros braços. Queria saber se sentiria ciúmes. Queria abrir meu coração, falar dos meus medos, receios em gostar de você. Queria te culpar, te obrigar, te fazer sentir um pouco do que estou sentindo. Mas não fiz nada disso e nem vou fazer. Mais uma vez voltei em silêncio e talvez seja esse não dizer que tenha nos afastado.

E já tem tanto tempo que não nos falamos mais…

 

M.P., Aracaju, começo de fevereiro de 2015.

Publicado em Crônicas

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