A elegância do ouriço

Em 2015, eu li O ano da leitura mágica, da Nina Sankovitch. E como o próprio título nos diz, foi um ano lendo um livro por dia. Lembro bem que um dos mais citados era A elegância do ouriço, da Muriel Barbery. O livro tinha uma importância  muito grande pra Nina e eu que já me sentia próxima dela, levei a sério a indicação.

Confira no vídeo o que achei do livro:

 

Leia algumas citações:

Aparentemente, de vez em quando os adultos têm tempo de sentar e contemplar o desastre que é a vida deles. Então se lamentam sem compreender e, como moscas que sempre batem na mesma vidraça, se agitam, sofrem, definham, se deprimem e se interrogam sobre a engrenagem que os levou ali onde não queriam ir.”

 (A elegância do ouriço – Muriel Barbery)

 

“As pessoas creem perseguir as estrelas e acabam como peixes-vermelhos num aquário. Fico pensando se não seria mais simples ensinar desde o início às crianças que a vida é absurda. Isso privaria a infância de alguns bons momentos, mas faria o adulto ganhar um tempo considerável – sem falar que, pelo menos, seríamos poupados de um traumatismo, o do aquário.”

 

“… ninguém parece ter pensado no fato de que, se a existência é absurda, ser brilhantemente bem-sucedido tem tanto valor quanto fracassar. É apenas mais confortável. E mais: acho que a lucidez torna o sucesso amargo, ao passo que a mediocridade espera sempre alguma coisa.”

 

“Certas pessoas são incapazes de captar no que contemplam o que dá a essas coisas a vida e o sopro intrínsecos, e passam o tempo a discorrer sobre os homens como se se tratasse de autômatos, e sobre as coisas como se não tivessem alma e se resumissem ao que pode ser dito sobre elas, ao sabor das inspirações subjetivas.”

 

“Fora o amor, a amizade e a beleza da Arte, não vejo muitas outras coisas capazes de alimentar a vida humana.”

 

“Quando as máscaras caem, porque surge uma crise – e entre os mortais ela sempre surge, a verdade é terrível.”

 

“Vocês não sentem quando alguém tem raiva de si mesmo? Isso leva a pessoa a se tornar morta embora esteja viva, a anestesiar os maus sentimentos mas também os bons para não sentir a náusea de ser ela mesma.”

 

“Chá e mangá contra café e jornal: a elegância e encantamento contra a triste agressividade dos jogos adultos.”

 

“A civilização é a violência dominada, a vitória sempre inacabada contra a agressividade do primata. Pois primatas nós fomos,  e primatas permanecemos, uma camélia sobre o musgo que aprendíamos a desfrutar. Aí está toda a função da educação. Que é educar? É propor incansavelmente camélias sobre o musgo, como derivados à pulsão da espécie, que jamais para e ameaça continuamente o frágil equilíbrio da sobrevivência.”

 

“Viver, morrer: são apenas consequências daquilo que se construiu. O que me conta é construir bem. Então, pois é, me impus mais uma obrigação. Vou parar de desfazer, de desconstruir, vou começar a construir.”

 

“Quando me angustio, vou para o refúgio. Nenhuma necessidade de viajar; ir juntar-me às esferas de minha memória literária é  suficiente. Pois existe distração mais nobre, existe mais distraída companhia, existe mais delicioso transe do que a literatura?”

 

“Mas, se tememos o amanhã, é porque não sabemos construir o presente e, quando não sabemos construir o presente, contamos que amanhã saberemos e nos ferramos, porque amanhã acaba sempre por se tornar hoje, não é mesmo?”

 

“E preciso viver com essa certeza de que envelheceremos e não será bonito, nem bom, nem alegre. E pensar que é agora que importa: construir agora, alguma coisa, a qualquer preço, com todas as nossas forças.”

 

“O futuro serve para isto: para construir o presente com verdadeiros projetos de pessoas vivas.”

 

“Nunca vemos além de nossas certezas e, mais grave ainda, renunciamos ao encontro, apenas encontramos a nós mesmos sem nos reconhecer nesses espelhos permanentes. Se nos déssemos conta, se tomássemos consciência do fato de que sempre olhamos apenas para nós mesmos no outro, que estamos sozinhos no deserto, enlouqueceríamos.”

 

“Pois a Arte é a emoção sem o desejo.”
“Porque o que é bonito é o que captamos enquanto passa.”

 

“Ai, ai, ai, pensei, será que isso quer dizer que é assim que temos de viver a vida? Sempre em equilíbrio entre a beleza e a morte, o movimento e seu desaparecimento. Estar vivo talvez seja isto: espreitar os instantes que morrem.”

 

 

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Comentários 2

  • Isabela Libório

    1 de agosto de 2016

    Responder

    Acho o título desse livro tão interessante e instigante, não sabia do que se tratava a história e agora quero ler mais ainda, tá na lista de desejados do Skoob já, haha. Adorei, Jen, e quantos quotes incríveis!

    • Jeniffer Geraldine

      1 de agosto de 2016

      Responder

      Esse livro é tão maravilhoso, Bela.
      Espero que vc goste!
      beijos!

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