É tempo de arrumar o guarda-roupa

Em um mundo acelerado como esse, em que 24 horas não são suficientes para riscar todos os itens da nossa lista de afazeres. Em que o tempo passa tão depressa que não dá nem para perceber o início das estações. A rotina atropela e a gente vai vivendo e acumulando coisas, pessoas, sentimentos.

Tem uma hora que a gente olha para o quarto e está lá um monte de roupa amontoada, bolsas reviradas, sapatos pelos cantos. Se isso te incomoda? Claro que sim. Mas cadê o tempo para arrumar? Entre responder um e-mail de um projeto novo e arrumar as roupas, você prefere responder o e-mail e ainda joga o casaco por cima da pilha de roupas.

E tudo vai se amontoando. Suas coisas. Sua vida. Você.

A gente empurra tudo para dentro do guarda-roupa e fecha a porta. Desde que ninguém a abra, tudo vai estar perfeitamente no lugar.

Mas até quando empurrar tudo para dentro do guarda-roupa vai resolver o problema?

Vai ter uma hora que você vai ter que abri-lo e tudo vai cair aos seus pés.

Por isso, é tempo de arrumar o guarda-roupa!

Separe o que já não te serve mais do que você nunca nem ousou experimentar.

Passe adiante o que não te serve. Pode não caber em você, mas quem sabe em outra pessoa não fique perfeito?

Se desfaça das roupas velhas. Se desgastou, não há porque mantê-las. Durou o tempo que foi necessário.

Faça planos com o que você nunca usou. Veja o que pode ser customizado.

Junte peças com cores semelhantes e as separe por tipos. Organize tudo de modo prático e adequado para seus dias.

E esse é um trabalho que só você pode fazer.

Quando alguém arruma seu guarda-roupa você não consegue achar aquela camisa favorita e não sabe onde foi parar sua calcinha da sorte. Por mais que te digam e te apontem onde cada coisa está, não é fácil se acostumar e é difícil de se encontrar. É ruim viver com alguém te apontando para onde ir.

Cada um sabe o que te cabe, o que te completa, o que te basta.

Assim é com as roupas. Assim é com a vida.

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Dica de série

Ordem na casa com Marie Kondo

Eu vi a série depois que cheguei de uma viagem. Ou seja, estava cansada e só queria ficar jogada no sofá. Só que após ver o primeiro episódio, levantei do sofá e fui desarrumar as malas e colocar a roupa suja para lavar. Fui envolvida pelo espírito do método Kondo. Grazadeus!

É muito interessante ver a Marie entrar em lares diversos de pessoas que estão estressadas com a desorganização e querendo mudar de vida. O primeiro passo é justamente esse: querer mudar.

A série traz algo que acredito muito: você não nasce uma pessoa organizada, mas pode se tornar uma. Organização não é sinômino de loucura, mas sim de praticidade. Ter o lugar certo para cada coisa ajuda na correria no dia a dia. Tem um monte de coisa que não podemos resolver, mas a bagunça dos nossos armários a gente pode, né?

Mas o que mais me chamou atenção foi a Marie Kondo cumprimentar cada casa que ela visitou. É um momento emocionante. Achei bonita essa relação com um espaço físico. Agradecer por ter um lar e cuidar dele para se sentir bem e confortável na rotina louca desse mundo.

Vi muitos memes com o fato da Marie dizer para os participantes que devem deixar em casa apenas tudo aquilo que te traz felicidade. Já havia aprendido algo similar com a Thais Godinho. Destralhar o que não nos serve no momento e ficar apenas com aquilo que é coerente com nossa vida atual. É bem difícil de desapegar, mas é necessário.

Outro ponto interessante: as obrigações domésticas não são exclusivas das mulheres, mas sim da família. Vemos muitas mães sobrecarregadas e querendo dar conta de tudo dentro de casa porque a nossa cultura patriarcal machista diz que cuidar do lar é coisa de mulher. Mas não é. Esse é um trabalho da família e de certa maneira o método Kondo ensina isso ao dizer que cada integrante deve ser responsável por seus pertences na casa e algumas tarefas devem ser delegadas para cada um deles.

A série é ótima! Peguei várias ideias práticas que vou aplicar em breve aqui em casa.

Conteúdo em vídeo:

Livros da Marie Kondo na Amazon:

A mágica da arrumação

Isso me traz alegria

obs: essa crônica foi escrita em 2015 e atualizada em 2019