Crônicas

A Impermanência

Haverá um dia em que o trem sairá do trilho. Muitos vão pensar ser um desastre, mas ao final de tudo será apenas um susto. Ninguém esperava e aconteceu. Todos vão ficar bem e seguir em frente com a vida.

Não podemos controlar tudo, desde máquinas ao tempo. A previsão diz que vai fazer sol e quando você sai de vestido, cai um temporal. A gente jura por Deus que no ano novo vai ser tudo diferente, mas às vezes as coisas fogem do nosso controle e nem tudo sai como previsto.

Um café da manhã para você

A gente sempre fica esperando dos outros alguma demonstração de afeto e gentileza. E buscamos ser gentis porque acreditamos que “gentileza gera gentileza” e “o que vai, volta”, e ainda “não faça com os outros aquilo que não gostaria que fizessem com você”. São tantas expectativas e muitas delas atreladas ao outro.

#Rio2016 Sambamos na cara do mundo

No início da semana quando a rede social do Mark perguntou se eu estava animada com os jogos olímpicos, eu respondi no Twitter fazendo aquela zoeira de que não sabia nem quando seria abertura. Por aí já concluímos minha empolgação. E na real fiquei chateada comigo por não me empolgar com as olimpíadas porque esporte é algo que eu gosto e já sonhei pra minha vida na época de adolescente.

As bagagens da vida

Cada pessoa tem o que chamamos de bagagens da vida. São suas experiências, frustrações, alegrias, desejos, conquistas. E algumas pesam mais do que outras. A gente também costuma dizer que quando há qualquer tipo de relacionamento, devemos dividir os pesos da vida. Mas quais pesos? Se você entrou na vida da pessoa agora porque você deve se sentir responsável pelo peso da bagagem dela?

Rolé em Salvador #1

Durante dois anos, para chegar no trabalho, eu passava por locais cheios de história sobre a primeira capital do Brasil, Salvador. O centro histórico e a cidade baixa respiram memória e cada canto tem algo para nos dizer. Todo dia era um sufoco para chegar no serviço mas como boa aprendiz do eterno poeta Manoel de Barros e do escritor Jorge Amado, eu aprendi a transver tudo e apreciar essa beleza histórica da cidade da Baía de Todos-os-Santos.

Metrô Poesia

Passei alguns anos da minha vida digital no Tumblr. Adorava aquele espaço onde tudo era/é poético, bonito, inspirador. E foi lá que encontrei uma frase do Manoel de Barros que mudou minha vida, sem exagero, e me tornou fã do poeta. O trecho era do poema As lições de R. Q. que diz assim:

Conexión… ¡Te quiero Argentina!

Determinar porque se está no lugar onde se encontra e fazendo as coisas que faz só deve ser fácil para aquele que sempre soube o que queria ser, se é que este ser humano existe.

(Manuel Diaz1)

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A finitude e imperfeição do ser humano se configuram na força motriz que o faz estar em constante situação de inquietação, buscas, descobertas… A priori, esse impulso/desejo visa tão somente satisfazer os anelos do nosso ego. Saciar os instintos primários. Enfrentar os medos. Transpor limites e barreiras… Desafiar o desafio… Transgredir!

É querer ir para aonde não nos é permitido ou simplesmente fazer o que é proibido – tal qual, quando por volta de pouco mais de um ano de idade, somos tentados a colocar o dedo nas tomadas.

Assim, viajar, ou correr mundo a fora – como se costuma dizer no popular –, torna-se um dos primeiros anseios de muitas pessoas. A busca pela sensação de liberdade. O gozo por desbravar o até então desconhecido. A adrenalina de ir além dos limites, sejam eles físico ou psíquico-emocional. Não importa a distância. O valor real está no que o ato em si simboliza.

Sonhador por natureza, sempre desejei transpor os limites geofísicos das minhas redomas. Às vezes como roteiro de fuga, física e/ou emocional; outras, tão somente pelo prazer das possibilidades, devaneios e aventuras. E como bom sonhador, desbravei mares e oceanos, realizei safáris e desfrutei de cada uma das maravilhas espalhadas no velho continente. E, de andarilho a executivo, vivi de quase tudo um pouco. Tudo o que a imaginação pudesse alcançar… Mas as Américas, apesar de tão próximas, ainda permaneciam sombreadas [e bloqueadas] no meu mapa de escoteiro desbravador.

Vícios solitários

Experimente organizar um dia inteiro para você. Não estou falando apenas de momentos de beleza e cuidados com o corpo, mas um momento de intimidade e sossego. Ir para cozinha e fazer algo especial pensando apenas no seu gosto, com bastante pimenta ou tempero. Escolher um vinho que não combina com a comida, mas é o preferido. Ouvir aquele CD brega que seus amigos não curtem, porém é um dos favoritos e te traz boas lembranças.

Você dançaria comigo mais uma vez?

ao som de: Los Hermanos – Mais uma canção

Eu queria te dizer tantas coisas, sabe? Sei que você sabe e eu sei que não deveria fazer perguntas retóricas. Mas é que assim que começo a pensar em você, começo a me perder.

E eu queria dizer que eu sei que fui eu que errei da última vez. Não errar, errar. Mas fui eu que fechei a porta na sua cara e disse: Não precisa mais voltar, estou machucado e não quero mais viver assim. Tolo? Precipitado? Infantil? Talvez uma dose de tudo misturada com o cansaço de como as coisas estavam e uma dose de uma vida atribulada.

Quarta-feira de cinzas

Nos conhecemos num domingo. Os bloquinhos passavam. As pessoas esbarravam. A rua estava movimentada. Não tinha como voltar sem tropeçar em alguém. Não tinha como ir sem enfrentar de frente as pessoas que vinham atrás da marchinha. E ali parado, esperando aquele tsunami de confetes e alegria passar, a gente se esbarrou. Esbarrou mesmo. Ele estava conversando com uma amiga. Eu estava de costas. Nós viramos ao mesmo tempo e como num filme, cara a cara, quase um beijo roubado acidentalmente pelo acaso.

Naquele curto espaço físico fomos obrigados a conviver com o encontro. Surgiram desculpas pelo esbarrão, sorrisos sem graça. E daquele choque entre nossos corpos algo soltou faísca. Do esbarrão para o beijo não durou muito mais que 30 segundos. Tudo aconteceu rápido, voraz e sedento.

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