#ConhecendoClarice Chaya Pinkhasovna Lispector

Ano passado, em uma ida despretensiosa ao Sebo João Brandão, na rua Ruy Barbosa, no centro de Salvador, encontrei, por apenas R$60, a edição capa dura de “Clarice,”, biografia da famosa escritora Clarice Lispector, produzida por Benjamin Moser, que chegou ao Brasil pela findada Cosac Naify com tradução de José Geraldo Couto.

Mais de um ano depois, peguei a biografia para ler por causa do projeto #ConhecendoClarice, realizado em conjunto com os blogs Eu li ou vou ler, Dicas da Isa e 1 Pedra no Caminho. Só que eu não li no tempo estipulado e só agora, em março, reiniciei a leitura e sinto que este é o momento de conhecer Clarice.

Da escritora, li apenas A hora da estrela, faz muito tempo na escola, o livro Clarice na cabeceira – crônicas, e Laços de família. Mas a gente lê Clarice, mesmo sem querer nas redes sociais e mesmo sem ser Clarice de verdade, já que as pessoas têm dificuldade em dar autoria correta as citações que compartilham na web.

A minha intenção é ler 100 páginas e ao final delas, compartilhar minhas impressões e algumas curiosidades da vida de Clarice. As primeiras páginas que li correspondem aos capítulos:

Introdução: A Esfinge

1.Fun vonen is a yid?

2. Aquela coisa irracional

3. O pogrom básico

4. O nome perdido

5. Estátua da Liberdade

6. Griene Gringos

7. As histórias mágicas

O que eu descobri sobre Clarice?

  • Era misteriosa, gostava de conversar pouco. Questionaram seu nome, sua origem, sua religião. Muitos a consideravam uma deusa, até mesmo outra deusa, Maria Bethânia.
  • Clarice tinha medo de perder sua identidade.
  • Benjamin a descreveu na introdução da biografia como “conversadora e acessível com a mesma frequência com que era silenciosa e incompreensível”.

Clarice Lispector era uma das figuras mais místicas do Brasil, a esfinge do Rio de Janeiro, uma mulher que fascinava os brasileiros praticamente desde a adolescência. – pag 12

  • Nasceu em 10 de dezembro de 1920, em Tchechelnik (Ucrânia), enquanto a família estava em processo de emigração para o Brasil. Lá foi chamada de Chaya Pinkhasovna Lispector (“Chaya” significa vida). Clarice diz que chegou em terras brasileiras com 2 meses de idade, mas na verdade ela já tinha um pouco mais de 1 ano.
  • Família de Clarice: Mania (mãe), Pinkhas (pai), Elisa e Tania Lispector (irmãs).
  • A família de Clarice também sofreu por ser de origem judaica, na época da Guerra Civil Russa (1917). A biografia tem um contexto histórico bastante rico sobre judeus que foram dizimados naqueles tempos.
  • Muitas memórias e fatos são dos livros de Elisa Lispector, irmã mais velha de Clarice, “Retratos antigos” e “No exílio”.
  • A primeira parada da família Lispector no Brasil foi em Maceió, no ano de 1922. Os dias foram difíceis, a mãe estava com Sífilis, e o pai trabalhava como mascate para sustentar as filhas. A segunda parada foi em Recife.
  • Na infância, Clarice era esperta e endiabrada. Não gostava de estudar mas tirava boas notas. Tinha facilidade em aprender línguas. Era excelente no hebraico.
  • Clarice tinha uma forte relação com animais, principalmente gatos. Sendo muitas vezes comparada aos felinos.

É porque você tem um comportamento interno e uma observação constante que é dos felinos. – pag 92

  • Me chamou atenção a vida da irmã mais velha, Elisa. Que desde a primeira infância sofreu demais na Ucrânia e quando chegou ao Brasil precisava cuidar da mãe doente e dependente da sua companhia. O pai ficava responsável por levar dinheiro para casa e Tania ajudava nos cuidados com a mãe. Mas a responsabilidade maior era de Elisa. Já Clarice não podia ajudar em muita coisa. Mas mesmo assim se esforçava ao contar histórias e encenar peças que fizessem a mãe sorrir. A maioria das histórias possuíam um final mágico, em que algo milagrosamente acontecia e curava a mãe.
  • Mania Krimgold Lispector, mãe de Clarice, morreu aos 42 anos, em 21 de setembro de 1930. A morte abalou a felicidade da menina, que passou a viver triste e chorosa pelos cantos da casa.

A leitura é bastante agradável. A biografia é rica em detalhes históricos. Ao mesmo tempo que traça a linha do tempo de vida da escritora, traz também comentários da própria sobre os fatos marcantes, muitos deles extraídos de entrevistas, cartas aos amigos, e dos seus livros. E é feita também uma relação entre vida e obra, o que se faz necessária a leitura dos romances e contos de Clarice. Já coloquei na minha lista o seu primeiro livro Perto do coração selvagem.

– A biografia ganhou este mês uma reedição pela Companhia das Letras:

Imagens: Foto 1 | Foto 2 | Foto 3: Arquivo-Museu da Literatura Brasileira, Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro, via Chc.org

  • Tem sorteio do projeto #ConhecendoClarice rolando. Clique aqui para saber como participar até dia 17 de março de 2017!

No Youtube:

Espalhe “#ConhecendoClarice Chaya Pinkhasovna Lispector” por aí! 😉

14 Comentários

  1. Eu também só li A Hora da Estrela, e tenho muita dificuldade em encontrar exemplares físicos dos livros dela, acredita! Eu não sabia que existia esse desafio literário, fiquei com vontade.

    Com amor,
    ❤ bruna-morgan.blogspot.com

    • Jeniffer Geraldine Reply

      Bruna, participe! Vai ser ótimo acompanhar suas impressões de leitura sobre a obra de Clarice.
      Encontro os livros na Amazon. Dê uma olhadinha lá!
      Bjão!

  2. Eu só li A Hora da Estrela e adorei o livro, pretendo ler mais da Clarice também! Adoro biografias e adorei as informações que você trouxe no post, é sempre muito legal saber mais de alguém que a gente admira, né?
    Um beijão,
    Gabs do likegabs.blogspot.com ❥

    • Jeniffer Geraldine Reply

      É muito legal mesmo.
      Estou adorando a experiência. E agora quero ler outras biografias. Acho que a próxima será de Pagu.
      bjão

    • Jeniffer Geraldine Reply

      Depois leia um livro da Clarice.
      Não vai se arrepender. A Hora da estrela ou o de crônicas que citei no post são bons para começar.
      bjão

  3. aaah, essa clarice! <3 tinha visto o seu vídeo no dia em que colocou no youtube!
    adorei saber mais coisas sobre ela, que tu citou no post.
    fico triste apenas pq um dia, vi essa edição na amazon beeem baratinha e não comprei 🙁 arrependimento mil.
    essa edição da companhia das letras tá bonita, mas a da finada é mais bonita pelo quesito da lombada.
    :****

    • Jeniffer Geraldine Reply

      <3
      acredito que você pode achar na Estante Virtual. Dá uma olhada por lá. Valeu super a pena ter.
      bjão

  4. Oi Jen! Que delícia ler isso. Eu amo a Clarice… Tenho essa biografia em casa, em versão pocket, mas ainda não li (a capa da Cosac é linda né! rsrs). Espero ler ainda este ano, mas vou te acompanhando nas postagens aqui.
    Menina, sabe que essa comparação com os felinos, eu sempre fiz? hahaha Na verdade, pessoas que eu conheço que tem gatos, ou que tem uma relação forte com eles, sempre comparo alguma coisa (principalmente os olhos e boca, não sei porque kkkk).
    E engraçado também pensar que Clarice encenava peças alegres e mágicas… ela é tão dura em seus contos, principalmente, não?! Passa até pela cabeça que ela só é dura na escrita, porque não vivenciou esse milagre da cura da mãe… rs
    Beijos!

    • Jeniffer Geraldine Reply

      Dani <3
      Leia a biografia!
      Pois é... também não imaginava. Mas ela era criança nessa época, porém depois da morte da mãe tudo mudou.
      No BEDA, vou liberar duas partes do diário de leitura.
      bjão

  5. Denise Santana Reply

    Estou a escrever meu primeiro livro conheci Clarice Lispector por meio do meu irmão. No qual ele tem poucos exemplares de Clarice. Entre um deles Clarice de Benjamin Moser , Clarice na cabeceira e a Paixão segundo G.H. sempre amei os contos de Clarice, também sou amantes de gatos , aliás tenho dois. Meu intuito é estudar sobre ela e me inspirar para meu primeiro livro.

    • Jeniffer Geraldine Reply

      Que bacana, Denise!
      Sucesso com o livro.
      bjão

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