Commonplace book e aprendizado ao longo da vida

Um dos conceitos mais falados nos últimos tempos é lifelong learning, que pode ser traduzido como aprendizado ao longo da vida. O conceito tem se popularizado cada vez mais no Brasil através do trabalho do Conrado Schlochauer e do seu recém livro Lifelong learners – o poder do aprendizado contínuo: Aprenda a aprender e mantenha-se relevante em um mundo repleto de mudanças.

A proposta de ser um eterno aprendiz é de ativar a sua curiosidade diante do mundo sempre alinhada ao autoconhecimento – escolher aprender sobre aquilo que te interessa ou que você compreenda que precisa desenvolver mais. E é uma busca pelo conhecimento muito além de apenas adquirir competências profissionais, mas para te transformar como pessoa de modo geral.

Em matéria para Você S/A, o Conrado diz que esse aprendizado pode vir não apenas dos livros, mas também de outras experiências, pessoas, conteúdos e redes sociais.

Universidade Pessoal

Ao ler sobre essa proposta de aprendizado contínuo, lembrei da ideia de Universidade Pessoal, da Thais Godinho. A autora do blog Vida Organizada mantém um esquema de estudos autodidatas que ela criou para poder colocar em prática o seu desejo de sempre aprender sobre temas que possui interesse. Em vez de fazer diversas faculdades ou cursos de longa duração, a Thais investe em livros e cursos menores.

“Por isso, com o tempo eu fui desenvolvendo um negócio que chamei de “universidade pessoal”. Eu não preciso fazer uma faculdade para estudar aquele assunto. Posso estudar por mim mesma, com a vantagem de não ter que estudar o que não tem nada a ver comigo.Para fazer isso, eu seleciono alguns temas que tenho interesse em estudar atualmente e foco neles. Exemplo: vendas. Atualmente, com o blog, os workshops, a loja, eu percebi que me falta know-how desse assunto. Portanto, trata-se de uma disciplina que quero estudar e entra no meu ciclo.”

Me identifico bastante com a Thais e tenho colocado em prática a Universidade pessoal. Aliás confesso que esse era um dos meus grandes objetivos após finalizar o mestrado. Aguardava empolgada o momento de entregar minha dissertação não só para concluir essa etapa incrível, mas para pode dar andamento em leituras e cursos sobre outros temas que tenho interesse. Atualmente minha universidade pessoal tem temas como: minimalismo digital, slow life, organização e produtividade, internet e comportamento.

Colocar em prática algo como a Universidade Pessoal é o que nos ajuda na construção de uma identidade de eterno aprendiz. Algo que, sinceramente, também traz muita motivação para a vida e torna a rotina mais criativa e interessante. É também uma estratégia para manter o hábito diário da leitura.

Meus CPBs na estante

Commonplace Book

Uma ferramenta que pode ser utilizada para registrar nossa jornada de aprendizado contínuo é o commonplace book.

O commonplace book é um caderno de referências, um lugar único em que você registra seus conhecimentos adquiridos. Pode ser feito na versão física ou digital. O importante é ter esse lugar para sempre anotar seus aprendizados.

Utilizo o commonplace book desde 2016. Na verdade, uso há bastante tempo. Gosto muito de cadernos e canetas, então sempre tive um caderninho onde escrevia sobre livros, filmes, séries, aulas avulsas. Mas o uso mais comum era para escrita sobre alguma produção cultural.

Em 2018 foi que eu separei um caderno com a finalidade de ser o commonplace book com direito a páginas numeradas e índice. Com o tempo fui adaptando o uso do commonplace book para o que funciona para mim.

E agora vou compartilhar como utilizo atualmente o commonplace book:

  • Caderno

Uso caderno físico no formato espiral porque é o meu tipo favorito. Acho mais prático para escrever já que posso abri-lo totalmente e o caderno espiral  é de capa dura – o que ajuda a ser um apoio na hora de escrever em qualquer lugar além da mesa. Também passei a usar cadernos com mais de 180 páginas para que eles durem mais tempo pois eu realmente costumo escrever bastante.

  • Escrevo sobre (quase) tudo

Registro no meu CPB escritos sobre livros, filmes, séries. E essa parte chamo de diário cult. Faço anotações de cursos de curta duração; anotações de lives, vídeos, podcasts – qualquer coisa do tipo que sinta a necessidade de escrever.

  • Não faço reflexões pessoais

Isso quer dizer que eu não escrevo sobre meus dias e sentimentos, como se fosse um diário. Para reflexões mais sentimentais eu uso um outro caderno em que faço as páginas matinais.

  • Não faço planejamentos

O meu CPB não serve como rascunho de nada. Para rascunhos de modo geral uso a ferramenta “risque e rabisque”.

  • Mantenho rotina de escanear e arquivar

Costumo escanear e arquivar as anotações dos cursos assim que eles terminam. Deixo tudo no meu Evernote que é a minha ferramenta de arquivamento de referências.

  • Utilizo post-its para agrupar temas

Caso eu sinta a necessidade, marco algumas páginas com post-it para saber que elas fazem parte de um mesmo assunto. Uso código de cor que identifico no início do caderno.

  • Crio um guia de assuntos no início do CPB

Todo final de mês faço uma lista dos assuntos que registrei no CPB. Não incluo paginação. Apenas os temas.

O CPB é um das minhas ferramentas favoritas. E recentemente todos os cadernos que já usei com esse objetivo ganharam um lugar especial na estante. Justamente porque valorizo muito o conhecimento e o meu tempo investido nele.


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4 Comments

  1. Achei super interessante o conceito da universidade pessoal, mas confesso que tenho algumas críticas. A principal é que, dependendo da área, você vai precisar de uma graduação, então é uma ideia que não se aplica a todo mundo. Mas tudo bem, porque acho que nem era essa a intenção, né? Tô problematizando sem necessidade alguma, auehuahe.

    Já o commonplace book é sensacional, senti uma mistura de bujo com diário com aprendizados, sei lá, achei lindo. Talvez eu não conseguiria fazer, mas adorei a ideia! Beijinhos.

    1. Jeniffer Geraldine

      30/09/2021 at 08:37

      Oie, Masha. Essa não é a intenção. 🙂 A universidade pessoal é para estudar assuntos que temos interesse além da nossa área de formação ou até complementar a área de formação. bjo

  2. eu nunca tinha ouvido falar dessa técnica, mas já gostei e irei testar!
    eu bem tenho um caderninho sobrando por aqui mesmo hahah

    super beijos
    Carol Justo | Justo Eu?!

    1. Jeniffer Geraldine

      11/10/2021 at 09:36

      Sempre tem um caderninho sobrando, né?! hahaha
      bjs

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