Com tudo junto e misturado, Sense8 é muito mais que uma série de TV

Muita gente tem me perguntado se eu gostei de Sense8, a minha resposta padrão é sempre: “assisti 10 episódios num dia só, isso te responde?”. Pois é, vi tudo num final de semana mesmo. E não foi porque ela tinha reviravoltas mirabolantes, mas sim porque é muito bem construída. Além do mais, combina Sci-Fi, Drama e uma boa dose de Ação, ou seja, melhor combinação de gêneros!

O universo ficcional da série é riquíssimo, especialmente porque aborda a trajetória de oito personagens centrais de diferentes nacionalidades, localizações geográficas, religiosidades, orientações sexuais, etc. que renascem a partir da morte de uma mulher misteriosa (Daryl Hannah) logo no primeiro episódio. A partir daí, os personagens vão sendo apresentados aos poucos e tendo suas histórias individuais entrelaçadas.

Eles, que aparentemente vivem em realidades bem diferentes, passam a ter a habilidade de sentir o que qualquer um deles está sentindo, podendo também assumir os corpos um do outro em diferentes ocasiões. [Por falar em diferentes ocasiões, ainda tô me recuperando do episódio 6 aqui, mas vamos voltar à programação normal…] A essência do argumento é que eles estão em busca de uma identidade individual, mas ao mesmo tempo múltipla, talvez uma grande metáfora às nossas angústias contemporâneas e globalizadas.

Por falar em Globalização, acho que esse é um dos grandes méritos da série e da Netflix. Das séries originais que eles lançaram até agora, essa é a que tem o grande apelo por uma audiência global. Não só no roteiro recheado de representações que extrapolam as barreiras geográficas, mas também por uma típica estrutura da convergência, pois rompe com cânones das plataformas audiovisuais e fica naquele limbo entre o filme e a série. Entre o cinema e a televisão. É uma obra que não poderia ser concebida da forma que foi se não tivéssemos o contexto atual e uma produtora ousada como a Netflix. E olhe, no quesito ousadia, tá de prbns!

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Minha primeira recomendação é sempre: passe do piloto. O episódio inicial é bem arrastado e confuso. Cheio de informação, de gritos, de expressões que você dificilmente vai conseguir interpretar de cara. Nem por isso vale a pena largar. Assim como os sensates, o espectador também é lançado numa trama cheia de descobertas e é obrigado a desvendar tudo junto com cada um dos personagens, que vão se revelando aos poucos em cada episódio, inclusive com direto a flashbacks de seus passados que servem para justificar as decisões que tomam diante dos acontecimentos.

Preciso deixar claro que minha personagem favorita foi Sun, desde o episódio 3 batizado em sua homenagem como “Smart money’s on the Skinny Bitch”. Se você não gostou dela, melhor nem continuar no post. Adeus! Jagbyeol!

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Outros episódios que merecem uma menção são o 4, no qual você vai sair cantando “What’s Up” do 4 Non Blonds, um dos episódios mais emocionantes, aliás. E episódio 6 que é aquele que ainda estou tentando me recuperar da experiência, digamos assim, ~sinestésica~.

Bem, nunca é bom deixar de avisar pra tirar as crianças da sala ou, se você for um integrante da família tradicional brasileira, também é bom nem dar o play. Apesar das cenas de sexo explícito (entre todos os gêneros, cores e amores, porque SIM, ROLA DE TUDO), a história não se perde e elas acabam fazendo parte da maioria das subtramas e das trajetórias individuais de cada um dos personagens.

Não obstante ao meu entusiasmo de fanboy, tenho algumas ressalvas em relação à narrativa. Primeiro: a história toda gira em torno de um mistério inicial com a morte de Angélica, a fuga de Jonas e o Dr. Whispers. E isso é pouquíssimo desenvolvido. Não por falta de fôlego, mas tive a impressão de que foi uma escolha mesmo dos produtores em desenvolver todo o universo ficcional e apresentar os personagens com seus pormenores. A segunda na verdade é uma extensão da primeira, pois, apesar de apresentarem todos os sensates, nenhum dos vilões é devidamente apresentado, e isso é bastante incômodo porque aí fica tudo meio vago mesmo. Talvez até propósito pra ser um ponto a ser desenvolvido na temporada seguinte.

Enfim, enquanto a próxima temporada não vem (na verdade nem foi renovada ainda), fica a dica aí pra ver a primeira temporada da série ou mesmo rever pra tentar descobrir mais detalhes, vai que…

O trailer ta disponível no Youtube e a série completa lá no Netflix.

9 Comentários

      • Voltei! Já terminei de ver. Amei cada momento e cada personagem. E sim, cantei What’s Up tão alto com meu namorado vendo o episódio que minha mãe veio me perguntar se estávamos em uma boate. Risos. E sim, amei a suruba. Me apaixonei por Lito e Hernando, por Sun, por Will e pela Riley, por Wolfgang e pela Kala, e por Nomi. O personagem de que menos gostei foi Capheus. Aliás, o núcleo da África em geral para mim é o que tem as piores atuações e os piores plots.
        Estou um pouco preocupada com esse Dr. Whispers. Não entendo as motivações dele e fico com medo de ele ser um vilão muito estereotipado. Também não consegui entender as motivações daquela senhora da Islândia. Sinto que essa primeira temporada foi bem introdutória mesmo, uma apresentação dos personagens. E que personagens, né? Complexos e diversificados.
        O que mais gostei na temporada inteira foi uma reflexão que o Jonas fez sobre a maldade humana. Ele disse que nós somos tão maus porque somos isolados, porque nós não sentimos o que o outro sente. Que coisa maravilhosa! É levar o conceito de alteridade para outro nível. Fico pensando se a globalização está nos levando para o nível de empatia e compreensão dos Sense 8, mas confesso que para todos os lados que olho só vejo a intolerância aumentando. Não sei o que pensar.
        E como assim ainda não foi renovada??? Angústia! o.O

        • HAHAHAH Quem não cantou, né? Sério que vc não gostou do Capheus? Eu não exatamente gostei dele, mas tb não desgostei. Pra mim o pior núcleo foi o da Kala. Tinha vontade de morrer todas vez que tinha cena com a família dela inteira e quando rolava dancinha então.
          Esse negócio dos vilões não serem apresentados tb me incomodou bastante também, especialmente o tal do Jonas pq os outros apareceram tão pouco que nem dá p ter uma opinião formada, né?
          SIM! Essa discussão sobre a empatia e a alteridade pra mim é exatamente a cereja do bolo da série, sabe? Além é claro, da discussão sobre identidade, que permeia todas as falas paraticamente. Pra mim isso já vale muito por causa da sensibilidade com que isso está sendo abordado. Achei genial e até ousado mesmo.

          Até o fechamento do fechamento do texto não havia sido renovada. Fui dar uma pesquisada agora e nenhuma notícia ainda. Se não renovarem vou fazer panelaço! >_<

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